Auto-cultivo no Globo

09/02/2010

Abaixo, matéria publicada na edição de 7 de fevereiro do jornal O Globo, que pode ser encontrada também em pdf neste link aqui.

Causa própria
Com jardins de “cannabis” em banheiros, armários, varandas, quartinhos e até saunas, os ativistas do Growroom, movimento que começou no Rio e se espalhou pelo Brasil, defendem o cultuvo de maconha em casa como alternativa ao tráfico. E contam com o respaldo de cada vez mais autoridades envolvidas no debate sobre uma nova política de drogas

O apartamento fica numa rua movimentada de Copacabana, no primeiro andar, de fundos. Lá vivem mãe e filho. No banheiro da suíte, esconde-se um jardim de cannabis em flor. A pequena plantação conta com uma verdadeira parafernália tecnológica: duas lâmpadas de vapor de sódio de 600 e 400 watts, um refletor, um sistema sofisticado de ventilação e um filtro para neutralizar o odor, além de substrato de terra regado a fertilizantes orgânicos. Ao todo, são quatro plantas-mães, que geram sementes; 12 plantas em floração, já no tempo de colheita; e 12 em crescimento. Cada planta fornece em média dez gramas de maconha. Ou melhor, um cruzamento de cannabis sativa e >sav<cannabis indica que hoje existe no mercado com várias potências, com vários nomes: skunk, power skunk, black widow, white widow, blue mistic, bubba cush, silver haze, brain storm. A quantidade de híbridos do gênero é infinita. O jardineiro é um $carioca de 34 anos que, por razões óbvias, pediu para não ser identificado. Ele fuma maconha desde os 16 anos e há uma década começou a pesquisar na internet o chamado cultivo indoor. Sua produção, de cerca de 120 gramas a cada três meses, o torna um maconheiro autossuficiente.

— No Brasil, plantar em casa para consumo próprio é uma coisa que começou com o boom da internet. As pessoas descobriram a tecnologia existente lá fora, que possibilita produzir maconha de excelente qualidade, orgânica, pura, sem ter que esperar o tempo da natureza. Com o equipamento adequado, você reproduz as quatro estações do ano em três meses — diz o rapaz, que inaugurou recentemente uma loja no Rio especializada em plantio indoor. — Estudei na Escola Corcovado e tinha muitos amigos alemães. Na casa de um deles, o pai, os irmãos, todo mundo fumava. Um dia ele trouxe da Holanda várias revistas sobre cultivo. Fiquei $e comecei a ir atrás de mais informação. Mudei totalmente a minha relação com a maconha. Aprendi que não é uma droga. É uma planta.

O hobby virou ativismo. Em 2002, o rapaz criou um site destinado aos interessados em, digamos, agricultura (<www.growroom.net>). No primeiro ano, cerca de 200 pessoas participaram do fórum de discussões, que giravam em torno de dois temas: novas tecnologias de plantio dentro de casa e luta pela descriminalização. A ideia era defender o cultivo como uma alternativa ao tráfico, como uma proposta de redução de danos. No ano seguinte, o site já contava com mais de mil adeptos. Hoje, contabiliza 30 mil cadastrados. Brasil afora, a turma está plantando jardins de cannabis em estufas, banheiros, quartinhos, garagens, terraços, varandas e até saunas. Mas é só para consumo próprio: os produtores, como bons ativistas, têm como princípio não vender nem para os melhores amigos. Leia o resto deste post »


Uma crítica farmacológica e biomédica à reportagem As Encruzilhadas do Daime

07/02/2010

Escrito especialmente para o site bialabate.net (1)

Por Rafael Guimarães dos Santos (2)

- “A DMT atua nos sistemas cerebrais reguladores da produção e absorção, pelos neurônios, de serotonina, dopamina e noradrenalina”. Embora existam estudos demonstrando que a DMT pode atuar nos sistemas dopaminérgico, colinérgico, adrenérgico e noradrenérgico (Haubrich & Wang, 1977; Waldmeier & Maître, 1977; Jenner et al., 1978, 1980; Pierce & Peroutka, 1989, citado em Riba, 2003; ver também Barker et al., 1981), a DMT parece atuar principalmente no sistema serotoninérgico (ver Riba, 2003, para uma revisão);

- “Seu feito é imediato (….) dura de quatro a oito horas”: seu efeito dura de trinta a sessenta minutos para se fazer sentir; uma única dose não dura oito horas, mas sim por volta de quatro horas (Riba et al., 2001); Leia o resto deste post »


Isto é razão entorpecida

07/02/2010

Clique aqui para ler a (péssima) matéria de capa da Revista IstoÉ dessa semana, sobre a regulamentação da ayahuasca e sobre como isso pode “estimular o tráfico”. Materialzinho safado, preconceituoso e burro, um belo exemplo de como a razão entorpecida fomenta a cultura do medo na busca por justificativas que camuflem os males causados não pelas “drogas” mas sim por sua proibição. Abaixo o trecho inicial da reportagem.

A encruzilhada do Daime

O governo legaliza o uso religioso do chá alucinógeno, mas peca ao deixar que mortes ocorram e ao abrir uma brecha jurídica que pode estimular o tráfico

Hélio Gomes

Tudo começou no início do século passado, no coração da Amazônia. Caboclos nordestinos atraídos pela extração da borracha mergulharam na cultura secular dos povos da floresta, inevitavelmente absorvendo muito de sua essência. Logo nasceram as chamadas religiões ayahuasqueiras, grupos em sua maioria cristãos que incorporaram o consumo de um chá alucinógeno utilizado pelos indígenas em seus rituais. Hoje, essas mesmas seitas estão no centro de uma polêmica que envolve questões delicadas e perigosas, como o respeito à liberdade de crença, tráfico de drogas e morte.

No dia 25 de janeiro, em resolução publicada no “Diário Oficial da União”, o governo brasileiro oficializou o uso religioso do chá ayahuasca – também conhecido como daime, hoasca e vegetal. Sem força de lei, o texto, formulado depois de décadas de negociações e estudos realizados pelos órgãos de combate às drogas, define as responsabilidades das religiões institucionalizadas e garante o direito de consumo do alucinógeno a adultos, mulheres grávidas, jovens e até crianças durante os rituais. Por outro lado, ele veta a comercialização e a propaganda do composto feito a partir do cipó mariri e das folhas da erva chacrona, além de sugerir que qualquer tentativa de turismo motivado pelo chá seja coibida.

A decisão do governo repercutiu com força. Políticos como Eduardo Suplicy e Fernando Gabeira, por exemplo, defendem a medida. “A resolução é o reconhecimento de uma religião autenticamente brasileira”, diz Suplicy. Por outro lado, outras vozes levantaram a hipótese de que a liberação do daime poderia abrir o perigosíssimo precedente para a criação de religiões que incorporem drogas como a cocaína e a maconha em seus rituais. E ainda há quem considere o trabalho desenvolvido pela comissão multidisciplinar – composta por médicos, juristas, psicólogos e membros de religiões como Santo Daime, Barquinha e União do Vegetal, entre outros especialistas – do Conad (Conselho Nacional Antidrogas) um exemplo de respeito aos direitos individuais a ser exportado para o mundo. Porém, o noticiário indica outra direção.

No penúltimo final de semana, Alexandre Viana da Silva, 18 anos, morreu afogado em um lago em Ananindeua (PA), depois de tomar o chá em um culto independente. Claro que não é possível afirmar que o alucinógeno levou o rapaz, que não sabia nadar, a enfrentar uma situação de risco sem medir as consequências. Mas a hipótese não pode ser ignorada.


Colóquio Internacional Transdisciplinar sobre Estados Modificados de Consciência

06/02/2010

Especialistas de diversas áreas do conhecimento se reúnem para debater o tema da consciência e seus estados modificados. Neurociência, Antropologia, Filosofia, Psicologia, Chamanismo, Psicoterapia, História, Psiquiatria, Farmacologia, Etonologia, Arte…

10 e 11 de Fevereiro na Universidade Autônoma do Estado de Morelos, Mexico.


Autoridades de Vancouver manterão tolerância à maconha durante Jogos

05/02/2010

UOL Esporte

Apesar da proibição de modo oficial, o consumo de maconha é normalmente bem aceito na cidade canadense de Vancouver. E, durante os Jogos Olímpicos que começam no próximo dia 12, as autoridades garantiram que não vão mudar sua política, apesar de o mesmo não poder ser dito quanto aos atletas, devido ao risco de doping.

“Nossos oficiais mostram uma grande diplomacia de respeito com pessoas que fumam maconha e isto vai continuar”, afirmou Lindsey Houghton, porta-voz do departamento de polícia de Vancouver, à agência de notícias The Canadian Press. Leia o resto deste post »


Consumo da Ayahuasca foi regulamentado pelo Conad

04/02/2010

Comunicação Social/MinC

O uso da Ayahuasca foi regulamentado pelo Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad), do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. A resolução autorizando o consumo da bebida em rituais religiosos e vedando sua utilização com fins comerciais, turísticos e terapêuticos foi publicada no Diário Oficial da União dessa terça-feira, 26 de janeiro (Seção 1, páginas 57 a 60).
Obtido por meio da mistura de duas plantas nativas da floresta amazônica – o cipó Banisteriopsis caapi (jagube, mariri) e da folha Psychotria viridis (chacrona, rainha) -, o chá também é conhecido como Santo Daime e Vegetal. O uso da Ayahuasca é uma tradição secular de grupos indígenas da Amazônia brasileira, mais tarde disseminado em rituais religiosos de comunidades localizadas principalmente na Região Norte do país. Leia o resto deste post »


Dialogando com Emir Sader: por que não utilizar o termo cartel

02/02/2010

Publicamos no post anterior reflexão de Emir Sader sobre a questão das drogas e a ineficácia de seu combate através do proibicionismo. É animador que esse debate finalmente esteja penetrando as fileiras da esquerda, mesmo que a passos lentos e ainda permeado pelo senso-comum. Sader repercute artigo do Wall Street Journal publicado no Valor Econômico, e levanta a hipótese da legalização da maconha como forma de quebrar metade das receitas dos cartéis de drogas, especialmente os mexicanos.

Sem entrarmos na discussão da legalização da maconha como etapa antiproibicionista ou estratégia de combate ao crime (não se sabe de onde Sader tirou o dado de que a maconha representa metade dos lucros das empresas narcotraficantes mexicanas, uma vez que é mais do que comprovado que o principal produto lucrativo ilegal nas Américas é a cocaína, e o próprio texto dele aponta que a demanda interna por maconha nos EUA é primordialmente suprida por produtores locais), gostaríamos de fazer um apontamento em outro sentido, uma ressalva quanto a utilização do termo “cartel”. Leia o resto deste post »


Emir Sader aponta os limites da guerra às drogas e repercute legalização da maconha

02/02/2010

A economia política das drogas

Emir Sader

Desde que o Richard Nixon declarou a “guerras às drogas”, nada de fundamental mudou, a não ser as somas milionárias gastas nas campanhas: um trilhão de dólares, deste então. A afirmação é de artigo do The Wall Street Journal, assinado por Davis Luhnow, republicado pelo Valor.

Um mexicano que esteve dedicado a essa luta por mais de duas décadas, resumiu o que cada vez mais especialistas declaram: “Essa é uma guerra que não é possível vencer.” Se dá voltas e voltas e se volta sempre para o mesmo lugar.

Quando um traficante importante é morto ou preso, passa-se a avaliar quem o substituirá, porque os mecanismos do tráfico não são afetados. Um numero crescente de autoridades norteamericanas e mexicanas – segundo o jornalista -, em privado, consideram que o passo mais importante para enfraquecer as operações comerciais dos cartéis mexicanos seria simplesmente legalizar seu principal produto: a maconha, que representa mais de metade da receita dos cartéis. Leia o resto deste post »


A escolha infeliz da ABRAMD

31/01/2010

Blog Sobre Drogas

Por Sérgio Vidal, antropólogo e representante da UNE no CONAD

Recebi esta semana o email da antropóloga Beatriz Labate chamando atenção para o fato de que a Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Droga (ABRAMD) estaria realizando um evento com o título: “Não há drogados felizes”. A ABRAMD é uma instituição séria, que tem demonstrado compromisso com a ampliação dos olhares das ciências sobre as drogas, seus usos e usuários. Mas devemos concordar que, mesmo com a boa intenção de prestar uma homenagem mais que merecida ao pioneirismo de Olivenstein, devemos concordar que, no contexto atual, a escolha da frase que dá a cara do evento é que foi muito infeliz.

Abaixo a carta, que eu e outros pesquisadores do NEIP – Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos, assinamos embaixo.

“Caros amigos da Abramd:

Nós vimos o anúncio da ABRAMD sobre o evento a ser realizado no colégio Santa Cruz em breve, e gostaríamos de parabenizá-los pela iniciativa. É ótimo ver o debate sobre drogas avançando no nosso país. Esperamos que o encontro seja um sucesso, e aguardamos notícias a respeito. Gostariamos também de fazer um comentário sobre o título do encontro: achamos que deveríamos evitar o uso de palavras como “drogados” ou “viciados” nas nossas reflexões públicas sobre o tema. Sabemos que o nome do encontro se refere ao título de um livro de Olivenstein, e imaginamos que foi escolhido por ser uma frase de impacto, talvez para chamar a atenção para a importância do debate. Também reconhecemos o papel pioneiro deste pesquisador não só na França, mas também no Brasil e no mundo, e imaginamos que o assunto será discutido com maior profundidade na ocasião. Porém, mesmo assim, não achamos feliz a escolha deste nome, por reificar um forte esteriótipo social, sendo, portanto, anti-produtivo. Leia o resto deste post »


Maconha: guerra inútil e de efeito social devastante, concluem especialistas da Oxford University Press

31/01/2010

Wálter Fanganiello Maierovitch

No planeta, e por baixo, 190 milhões de pessoas fumam maconha com regularidade.

Para as Nações Unidas, segundo estabelecido em vetusta convenção de 1961, ainda em vigor, o consumo lúdico-recreativo da erva canábica e seus derivados precisa ser criminalizado.

O Brasil segue essa proibição à risca.

A nossa legislação, que é nova, apenas substituiu a pena de prisão (privação de liberdade)  pela sanção restritiva de direitos como, por exemplo, a prestação de serviços à comunidade.

Em outras palavras: no Brasil, aquele surpreendido na posse de maconha para uso próprio é um criminoso, apesar de tratar-se de uma questão sócio-sanitária que deveria ser regulada administrativa e não criminalmente.

Hoje, e já disponível nas  livrarias virtuais, foi lançado, na Inglaterra e EUA, o aguardado livro Cannabis policy: moving behond stalemate (Políticas sobre a cannabis: ultrapassar o impasse). Em breve sairá a versão em francês e italiano.

A obra reúne artigos de respeitados especialistas da Oxford University Press e um convidado da Universidade de Maryland. Leia o resto deste post »



Ativistas levarão legalização da maconha a plebiscito na Califórnia

30/01/2010

De Agencia EFE

Los Angeles, 28 jan (EFE).- Um grupo de ativistas a favor da descriminalização do consumo de maconha no estado americano da Califórnia anunciou nesta quinta-feira que recolheu assinaturas suficientes para levar o assunto a plebiscito em novembro, informou o jornal “Los Angeles Times”.

A iniciativa cidadã “Cannabis Act” vai propor aos eleitores do estado o uso pessoal da droga para maiores de 21 anos.

A proposta estabelece o limite legal de posse em 30 gramas por pessoa e o cultivo particular da planta em uma área de até 2,3 metros quadrados. Leia o resto deste post »