Maconha na varanda

31/07/2010

Andrea Dominguez, Comunidade Segura

Mais_maconha.jpgDez pés de maconha crescem sob o olhar do Cristo Redentor, numa varanda do bairro de Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. A algumas quadras de distância, entre as agitadas ruas de Copacabana, também na Zona Sul, um minicultivo canábico cresce discretamente num banheiro de serviço não utilizado, com ajuda de lâmpadas de sódio. Do outro lado da Baía de Guanabara, num pequeno pátio de uma casa, escondido em Niterói, seis plantas fêmeas oferecem suas flores a um terceiro usuário.

Estes jardineiros canábicos poderiam comprar a droga nas muitas ‘bocas de fumo’ da cidade, mas preferem cultivar a cannabis por si próprios. A atividade está amparada em dois argumentos: cultivar a maconha que vão fumar é uma forma de não financiar o crime organizado, e só tendo controle sobre o que é plantado eles podem garantir a qualidade da erva.

Pedro é o dono das plantas em Niterói. É advogado e há 16 de seus 32 anos fuma maconha. “Fiz meus estudos universitários normalmente, fumando quase todos os dias sem nunca me sentir desmotivado pelo fato de usar maconha. Considero a proibição uma afronta à minha individualidade e a planto sem nenhum temor: não vendo nem faço circular a minha produção, sei que o máximo que me pode acontecer é enfrentar um processo criminal como usuário, sem chance de ser condenado à prisão”, diz.

Dono do cultivo no banheiro em Copacabana, Bas trabalha como designer gráfico, tem 34 anos e é o criador do Growroom, um site dedicado à defesa dos direitos dos usuários de maconha, que nasceu em 2002 no Brasil para trocar informações sobre o cultivo caseiro de maconha e que após oito anos sendo ‘viveiro’ de ideias, passou para a ação através da campanha pela legalização da maconha e a defesa dos usuários.

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Manifestantes realizam Marcha da Maconha em Natal

31/07/2010

Passeata aconteceu dentro do Campus da UFRN.No mesmo local ocorre nesta semana a reunião anual da SBPC.

G1

Centenas de pessoas se reuniram na tarde desta sexta-feira (30) em Natal para pedir a legalização da maconha. Em passeata batizada como Marcha da Maconha, os manifestantes percorreram um trecho de cerca de um quilômetro dentro do campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde ocorre, nesta semana, a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). (Foto: Iberê Thenório/G1)

“Ciência e fraude no debate da maconha” – Neurocientistas publicam artigo na Folha SP em resposta ao Dr. Ronaldo Laranjeira

30/07/2010

publicado no Growroom – seu espaço para crescer, este artigo é uma belíssima resposta à fraude e à farsa publicada em artigo no mesmo jornal.

Ciência e fraude no debate da maconha
SIDARTA RIBEIRO, JOÃO R. L. MENEZES, JULIANA PIMENTA e STEVENS K. REHEN

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Causa-nos estranheza que psiquiatras venham a público negar o potencial terapêutico da maconha, medicamento fitoterápico de baixo custo——————————————————————————–

O artigo contra o uso medicinal da maconha de Ronaldo Laranjeira e Ana C. P. Marques (“Maconha, o dom de iludir”, “Tendências/Debates”, 22/7) contém inverdades que exigem um esclarecimento.

A fim de desqualificar a proposta de criação de uma agência brasileira para pesquisar e regulamentar os usos medicinais da maconha, os autores citam de modo capcioso o livro “Cannabis Policy: Beyond the Stalemate”.
Exatamente ao contrário do que o artigo afirma, o livro provém de um relatório com recomendações claramente favoráveis à legalização regulamentada da maconha.
Conclui o livro: “A dimensão dos danos entre os usuários de maconha é modesta comparada com os danos causados por outras substâncias psicoativas, tanto legais quanto ilegais, a saber, álcool, tabaco, anfetaminas, cocaína e heroína (…) O padrão generalizado de consumo da maconha indica que muitas pessoas obtêm prazer e benefícios terapêuticos de seu uso (…)
O que é proibido não pode ser regulamentado. Há vantagens para governos que se deslocam em direção a um regime de disponibilidade sob controle rigoroso, utilizando mecanismos para regular um mercado legal, como a tributação, controles de disponibilidade, idade mínima legal para o uso e compra, rotulagem e limites de potência. Outra alternativa (…) é permitir apenas a produção em pequena escala para uso próprio” (http://www.beckleyfoundation.org/policy/cannabis-commission.htm).

Qualquer substância pode ser usada ou abusada, dependendo da dose e do modo como é utilizada.
A política do Ministério da Saúde para usuários de drogas tem como estratégia a redução de danos, que não exige a abstinência como condição ou meta para o tratamento, e em alguns casos preconiza o uso de drogas mais leves para substituir as mais pesadas.

O uso da maconha é extremamente eficiente nessas situações. A maconha foi selecionada ao longo de milênios por suas propriedades terapêuticas, e seu uso medicinal avança nos EUA, Canadá e em outros países.
Dezenas de artigos científicos atestam a eficácia da maconha no tratamento de glaucoma, asma, dor crônica, ansiedade e dificuldades resultantes de quimioterapia, como náusea e perda de peso.

Em respeito aos grupos de excelência no Brasil que pesquisam aspectos terapêuticos da maconha, é preciso esclarecer que seu uso médico não está associado à queima da erva. Diretores da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead) afirmam frequentemente que maconha causa câncer. Entretanto, ao contrário do que diz a Abead, a maconha medicinal, nos países onde este uso é reconhecido, é inalada por meio de vaporizadores, e não fumada.
Isso elimina por completo os danos advindos da queima, sem reduzir o poder medicinal dos componentes da maconha, alguns comprovadamente anticarcinogênicos.

Causa, portanto, estranheza que psiquiatras venham a público negar o potencial terapêutico da maconha, medicamento fitoterápico de baixo custo e sem patente em poder de companhias farmacêuticas.

Num momento em que o fracasso doloroso da guerra às drogas é denunciado por ex-presidentes como Fernando Henrique Cardoso, em que a ciência compreende com profundidade os efeitos da maconha e em que se buscam alternativas inteligentes para tirá-la da esfera policial rumo à saúde pública, é inaceitável a falsificação de ideias praticada por Laranjeira e Marques.

O antídoto contra o obscurantismo pseudocientífico é mais informação, mais sabedoria e menos conflitos de interesses.

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SIDARTA RIBEIRO é professor titular de neurociências da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte).
JOÃO R. L. MENEZES é professor adjunto da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e coordenador do simpósio sobre drogas da Reunião SBNeC (Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento) 2010.
JULIANA PIMENTA é psiquiatra da Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro.
STEVENS K. REHEN é professor adjunto da UFRJ.


Congresso dos EUA aprova legislação para diminuir a diferença entre condenações por porte de crack e de cocaína

29/07/2010

Pela primeira vez desde os anos 70 uma pena para porte de drogas é diminuída nos EUA! Discrepância, que era de 100 vezes, ainda existe, mas diminuiu para 18 vezes.

Veja também o perfil e biografia de Jasmine Tyler (em inglês). E aqui matéria, também em inglês, completa sobre a nova mudança.

Congresso aprova legislação histórica para reduzir disparidade entre sentenças para porte de crack e cocaína em pó


Jasmine Tyler

Tradução: Coletivo DAR

O Congresso aprovou hoje sentença reduzindo a disparidade entre penas para crack e cocaína em pó, que já durava duas décadas. O Senado aprovou proposta idêntica em março, e a legislação agora aguarda aprovação do Presidente Obama, que a apóia.

Este é um dia histórico, com congressistas republicanos e democratas concordando que as leis de drogas nos Estados Unidos são muito severas e devem ser reformadas. A maré está claramente virando contra a falida estratégia de guerra às drogas.

Antes das mudanças, uma pessoa portando apenas cinco gramas de crack recebia uma sentença de cinco anos de prisão. Se a mesma pessoa possuísse 500 gramas de cocaína em pó, receberia a mesma punição. Esta discrepância, conhecida como a “relação 100-1”, foi decretada no começo dos anos 1980 e estava baseada em mitos sobre a cocaína em forma de crack ser mais perigosa do que em pó. Evidências científicas, incluindo um importante estudo publicado no Jornal of the American Medical Association, provaram que crack e cocaína em pó tem idênticos efeitos psicológicos e psicoativos no corpo humano. Leia o resto deste post »


Espanha aprova remédio derivado da planta da maconha

28/07/2010

Madri/Barcelona, 28 jul (EFE).- As autoridades de saúde espanholas autorizaram hoje a comercialização do “Sativex”, um medicamento derivado do cannabis (planta da maconha) para o tratamento de espasmos em pacientes com esclerose múltipla.

A ministra de Saúde espanhola, Trinidad Jiménez, explicou que o uso terapêutico da cannabis é estudado há anos, por isso que existem “testes clínicos e evidências científicas” de sua utilidade em determinadas doenças.

O uso da substância para atenuar os sintomas de diversas patologias é um assunto polêmico, mas o certo é que alguns pacientes com doenças que causam muita dor recorrem à maconha para mitigar o sofrimento. Leia o resto deste post »


Política sobre maconha: avançando além do Impasse

28/07/2010

Para contribuir com o debate acerca dos efeitos causados pelo consumo de cannabis, seguindo sugestão dada pelo Rafael nos comentários do post “A maconha como cura“, o DAR indica o Cannabis Policy: Moving Beyond Stalemate (“Política sobre maconha: avançando além do Impasse”) de autoria da Global Cannabis Comission (Beckley Foundation) - Oxford University.

Este mesmo relatório é citado pelo Dr. Ronaldo Laranjeiras em seu artigo: Maconha, o dom de iludir . Entusiasta do proibicionismo,  Dr. Laranjeiras generalizou as informações contidas na publicação, dando a entender que a Global Cannabis Comission partilha de suas convicções a respeito da “Guerra às Drogas” e dos efeitos da cannabis. Absurdo.

Para os mais preguiçosos, nem é preciso ler todo o conteúdo do Cannabis Policy: Moving Beyond Stalemate para notar que, mesmo apontando diversos males que o uso de cannabis traz à saúde (inclusive câncer, devido a fumaça inalada) , a publicação vai no sentido de embasar cientificamente uma alternativa à realidade proibicionista. Prova disso é a reportagem do Comunidade Segura, realizada durante apresentação do livro no Rio de Janeiro. Na ocasião, Peter Reuter, um dos 7 co-autores, afirmou: “Não se trata de promover o uso da maconha, mas de prover a sociedade de ferramentas mais efetivas para manejar uma substância que altera a consciência sem causar danos colaterais sociais como o crime organizado e a violência gerada pela política proibicionista”. Vale a pena conferir a íntegra da reportagem em: http://www.comunidadesegura.org/pt-br/MATERIA-cannabis-sob-controle 

O Cannabis Policy: Moving Beyond Stalemate (“Política sobre maconha: avançando além do Impasse”) está disponível em nossa seção de Arquivos.


Candidato do PSOL defende legalização da maconha

28/07/2010

Depois de Zé Maria (PSTU), mais um candidato à presidência se posicionou de forma antiproibicionista nesta eleição. Em sabatina ao site R7, Plínio Arruda Sampaio defendeu a legalização da maconha, apesar de ter sido confuso quanto à sua posição sobre o conjunto das drogas por enquanto ilícitas. Confira reportagem da Agência Brasil:

Plínio Sampaio é a favor da legalização do aborto, da maconha e do casamento gay‏

DA AGÊNCIA BRASIL

A legalização do aborto, a liberação do uso da maconha e o reconhecimento do casamento de pessoas do mesmo sexo foram defendidos ontem (27) pelo candidato do PSOL à Presidência da República, Plínio Sampaio.

Na opinião do candidato, as mulheres devem ter o direito de decidir sobre a interrupção da gravidez, e a legalização do aborto acabaria com as mortes causadas pela prática realizada de maneira clandestina.

Sobre a maconha, Plínio Sampaio entende que a legalização da droga, que passaria ter o controle estatal, seria uma forma de combater a violência gerada pelo tráfico. Leia o resto deste post »


A maconha como cura

27/07/2010

O Diário da Erva

Câncer – Costumamos ouvir que o consumo da maconha em forma de “cigarro” – o famoso “baseado” – seria prejudicial à saúde, uma vez que causaria câncer nos pulmões, devido à fumaça. Isto não é verdade. A Associação Americana para Pesquisa do Câncer descobriu, em um de seus projetos, que a maconha é capaz de desacelerar de maneira considerável o crescimento de tumuroes nos pulmões, seios e cérebro.

Crises convulsivas – A maconha, vista como relaxante muscular, é um ótimo “remédio” em casos de pessoas que sofrem convulsões. Atualmente, existem relatos provando que, em alguns casos, a “Cannabis sativa” foi a única responsável no combate a estas crises.

Enxaqueca / Fortes dores de cabeça - Desde que a maconha medicinal foi legalizada na Califórnia, há relatos médicos de mais de 300 mil pessoas que antes sofriam de enxaqueca e hoje conseguem aliviar e/ou tratar deste problema com o uso prescrito pelos médicos.

Glaucoma – O glaucoma é o aumento da pressão intra-ocular onde o nervo óptico é prejudicado. Também utilizada em pacientes que sofrem deste mal, não há um único relato onde a maconha não foi eficaz no tratamento.

Esclerose Múltipla – Relatos vêm sendo criados sobre o poderoso benefício proporcionado pela maconha nos tratamentos de esclerose múltipla, onde um dos casos mais famosos é o do ex-apresentador Montel Williams. A marijuana age diretamente contra os efeitos neurológicos e espasmos musculares causados pela doença fatal.

Tourette e TOC – Assim como nos tratamentos contra convulções e esclerose múltima, a maconha vem apresentando, ao longo do tempo, um excelente resultado frente à Síndrome de Tourette e ao Transtorno Obsessivo-Compultivo (TOC).

ADD / ADHD / TDAH – Em um estudo recente realizado nos Estados Unidos, constatou-se que a maconha não só é uma ótima alternativa à Ritalina, como também não apresenta os efeitos colaterais causados pelos medicamento farmacêutico.

Doenças crônicas – A maconha também vem sido recomendada no tratamento de doenças crônicas, como em caso de náuseas, dores abdominais e diarréia.

Mal de Alzheimer – Apesar de todos os rumores que circulam sobre o efeito da maconha no cérebro, o Scripps Institute, nos Estados Unidos, provou, em 2006, que o THD encontrado na Cannabis sativa é altamente preventivo quanto ao Mal de Alzheimer.

Tensão Pré-Menstrual (TPM) - Assim como no tratamento de doenças crônicas, a maconha é um excelente remédio para aquelas que sofrem na TPM, sendo pra lá de eficaz no alívio das dores provocadas pela cólica.

fonte: dormiu.com.br


Denúncia: extermínio de jovens na Paraíba

25/07/2010

Não dá mais pra assistir o extermínio dos nossos jovens!

Texto de Flávia Fernando Lima Silva

“Uma a cada três vítimas de homicídios na Paraíba é criança ou adolescente. De 2000 a 2009, 38,8% do total de mortes no Estado atingiram o público de zero a 18 anos, ou seja, das 2479 vítimas, 963 eram menor de idade. Os dados da Secretaria de Saúde do Estado ainda revelam um aumento de 105,7% do número de crianças e adolescentes, que de 2000 a 2009, subiram de 70 para 144 mortes anuais. Segundo a Pesquisa ‘Mapa da Violência 2010’, divulgada em 30 de março deste ano em São Paulo, a Paraíba saiu da 17º (1997) para a 11º (2007) colocação no ranking dos estados onde mais crianças e adolescentes morrem vítimas de homicídio… De acordo com o Mapa, João Pessoa é a oitava capital onde mais pessoas entre zero e 19 anos morrem por conta desse tipo de violência. De acordo com o estudo, é a partir dos 12 anos que inicia o “crescente espiral da violência”. Mas não são apenas os números de homicídios que crescem. Segundo apuração do CREAS (Centro de Referencia Especializada em Assistência Social), somente em 2009, 87,5% dos casos de violência registrados em todo o Estado da Paraíba foram com crianças e adolescentes. No total, foram 4024 vítimas de zero a 18 anos negligenciadas, violadas psicologicamente, violentadas, exploradas e abusadas sexualmente.”

O longo excerto jornalístico acima foi transcrito duma notícia de jornal de João Pessoa, de abril deste ano. A matéria foi escrita após a divulgação do “Mapa da Violência de 2010”. Não lembro se houve repercussão entre os poderes públicos em nosso estado, ou mesmo na própria sociedade civil. Os jornais todos os dias, escritos e televisionados, registram estas mortes. Para a maior parte da população são apenas números. Chama a atenção o modo como grosso modo estes assassinatos são divulgados, há um tom freqüentemente sensacionalista e a um só tempo de banalização total destas mortes, sobretudo quando se trata de jovens usuários de drogas, que perfazem a grande maioria. É como se houvesse praticamente uma resignação, eu pensei inicialmente em dizer, mas é mais que isso, muitas vezes parece que há um alívio, ou, arriscaria denunciar, um desejo que estas mortes acontecessem. A maioria dos assassinatos são perpetrados a jovens do sexo masculino, sobretudo negros e usuários de drogas. (A Paraíba inclusive é o estado no Brasil onde mais morrem negros assassinados!). No Direito Romano Antigo havia uma categoria que traz uma triste analogia com estes meninos mortos – homo sacer. Eram pessoas que não podiam oficialmente ser mortas, mas se o fossem, tudo bem – era uma vida indigna de ser vivida.

Então me permitam me apresentar, meu nome é Flávia Fernando Lima Silva, sou médica psiquiatra, especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência. Sou trabalhadora do SUS, militante da luta antimanicomial, trabalho em centros de atenção psicossocial (CAPS) na grande João Pessoa, Paraíba ( num caps infantil e num caps álcool e drogas). Atendo jovens em extrema vulnerabilidade. Muitos com baixa escolaridade, sem terem tido os cuidados parentais mínimos, os seus direitos garantidos, pobres ou muitos pobres, muitos foram ou estão institucionalizados. Leia o resto deste post »


DDD (Dica Do DAR) – Maria Lúcia Karam fala em debate no RJ

25/07/2010

O DAR recomenda nesta semana atenção à fala da juíza aposentada Maria Lucia Karam na mesa que tratava da guerra às drogas ocorrida no Fórum Social Urbano, realizado no Rio de Janeiro, no mês de março.


Política de drogas: o lugar do dissenso*

24/07/2010

Luiz Eduardo Soares**

Ao longo do presente texto, sustentamos a necessidade imperiosa de um pacto político, em torno de um plano de segurança pública viável e consistente, capaz de promover algumas reformas indispensáveis. Nada menos conveniente, quando se deseja construir as bases para um consenso mínimo, do que o tema das drogas. O realismo político recomendaria esquecê-lo, pelo menos provisoriamente. Afinal, dificilmente haveria questão mais polêmica e que mais suscite dissenso do que a política de drogas. Todavia, tampouco seria possível avançar na segurança pública sem enfrentar esse debate e mudar nossa política, na área, tributária da “guerra às drogas” – proclamada pelos Estados Unidos, não por acaso logo depois que a guerra fria deixara de ocupar o lugar de eixo articulador da identidade nacional e da unidade política interna.

Por mais que reconheçamos a complexidade da matéria e os obstáculos internacionais, parece-nos, entretanto, absolutamente necessário enfrentar o desafio e discutir o problema. Isso, contudo, não significa que vamos sacrificar o consenso possível e paralisar os avanços que, hoje, sejam viáveis, em outras frentes. Por isso, deixamos esse tema para o fim. Negociemos os termos de um plano nacional, que dê corpo a um pacto pela vida e a segurança cidadã. Claro que, no contexto atual, não haveria condições para promover consenso em torno de medidas audaciosas e heterodoxas quanto a drogas. Portanto, deixemos as teses da descriminalização e da legalização das drogas, por ora, fora do plano nacional vocacionado para o consenso. Mas não renunciemos a introduzir o tema e o debate sempre que possível, preparando os próximos passos do processo de democratização, em que nos engajamos. Assim, o debate que aqui lançamos não deve inibir a unidade política, mas suplementá-la, mostrando que o consenso não dará conta da pluralidade das questões a enfrentar e também revelando que, mesmo se vencermos o atual estágio da disputa política, a luta prosseguirá.

Parece-nos que chegou o momento de abrir um grande debate nacional sobre a política de drogas. Não se trata de organizar seminários acadêmicos. O debate nacional deve destinar-se a que se tomem decisões. Se possível, decisões que mudem nossa realidade.
Sejamos claros e diretos. Os autores defendemos a descriminalização dos usuários e a legalização das substâncias psicoativas, hoje consideradas ilegais, o que acabaria com o tráfico. Começaríamos pela droga mais leve. Pode ser que o único consenso viável em um futuro próximo venha a ser a legalização da canabis sativa, a maconha. Não se trata, é claro, de afirmarmo-nos, nesse debate, a favor ou contra essa ou aquela droga, mas a favor ou contra determinada forma de tratar o problema. Leia o resto deste post »


Maconha, o dom de iludir

22/07/2010

Em artigo publicado hoje na Folha de S.P, o Professor, Doutor, titular de psiquiatria da UNIFESP, coordenador do Instituto Nacional de Políticas sobre Álcool e Drogas, e militante proibicionista em tempo integral, Ronaldo Laranjeiras escreve para que “nem pesquisadores nem nossa população se iludam de que exista hoje uma indicação terapêutica para utilizar maconha aprovada pela ciência”.

Confiram abaixo: (e de lambuja “Justiça fecha clínicas de reabilitação de dependentes químicos”)

Maconha, o dom de iludir

Semanas atrás, a Folha noticiou a proposta de criar-se uma agência especial para pesquisar os supostos efeitos medicinais da maconha, patrocinada pela Secretaria Nacional Antidrogas do governo federal.
Esse debate nos dias atuais, tal qual ocorreu com o tabaco na década de 60, ilude sobretudo os adolescentes e aqueles que não seguem as evidências científicas sobre danos causados pela maconha no indivíduo e na sociedade.

Na revisão científica feita por Robim Room e colaboradores (“Cannabis Policy”, Oxford University, 2010), fica claro que a maconha produz dependência, bronquite crônica, insuficiência respiratória, aumento do risco de doenças cardiovasculares, câncer no sistema respiratório, diminuição da memória, ansiedade e depressão, episódios psicóticos e, por fim, um comprometimento do rendimento acadêmico ou profissional. Apesar disso, o senso comum é o de que a maconha é “droga leve, natural, que não faz mal”. Pesquisas de opinião no Brasil mostram que a maioria não quer legalizar a droga, mas grupos defensores da legalização fazem do eventual e ainda sem comprovação uso terapêutico de alguns dos componentes da maconha prova de que ela é uma droga segura e abusam de um discurso popular, mas ambivalente e perigoso. O interesse recente da ciência sobre o uso da maconha para fins terapêuticos deveu-se à descoberta de que no cérebro há um sistema biológico chamado endocanabinoide, onde parte das substâncias presentes na maconha atua.

Um dos medicamentos fruto dessa linha de pesquisa, o Rimonabant, já foi retirado do mercado, devido aos efeitos colaterais. Até hoje há poucos estudos controlados, com amostras pequenas, e resultados que não superam o efeito das substâncias tradicionais, que não causam dependência. Estados americanos aprovaram leis descriminalizando o uso pessoal de maconha, que é distribuída sem controle de dose e qualidade.
Contradição enorme, pois os médicos são os “controladores do acesso” para uma substância ainda sem comprovação científica.

De outro lado, orientam os pacientes sobre os riscos do uso de tabaco. Deve-se relembrar que os estudos versam sobre possíveis efeitos terapêuticos de uma ou outra substância encontrada na maconha, não sobre a maconha fumada. Os pesquisadores brasileiros interessados no tema devem realizar mais estudos por meio das agências já existentes, principalmente diante do último relatório sobre o consumo de drogas ilícitas feito pelo Escritório para Drogas e Crime das Nações Unidas, que aponta o Brasil como o único país das Américas em que houve aumento de apreensões e consumo da maconha. E se, no futuro, surgir alguma indicação para o uso medicinal da maconha, o processo de aprovação, que ainda não atingiu os padrões de excelência, deve contextualizar esse cenário, assim como o potencial da maconha de causar dependência. Espera-se que a política nacional sobre drogas seja redirecionada em caráter de urgência, pois enfrenta-se também aqui o aumento das apreensões e consumo de cocaína e crack, que exige muitos esforços e recursos para sua solução.

Que nem pesquisadores nem nossa população se iludam de que exista hoje uma indicação terapêutica para utilizar maconha aprovada pela ciência.
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RONALDO RAMOS LARANJEIRA é professor titular de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do Instituto Nacional de Políticas sobre Álcool e Drogas (Inpad/CNPQ).
ANA CECILIA PETTA ROSELLI MARQUES, doutora pela Unifesp, é pesquisadora do Inpad/CNPQ.


Drogas e delinquência juvenil: qual é a relação?

22/07/2010

Comunidade Segura

Drogas e delinquência juvenil são questões que costumam ser jogadas no mesmo saco, sem que se saiba com clareza qual é a relação entre elas. Para estabelecer os padrões de uso de drogas entre crianças e adolescentes em conflito com a lei e entender as causas e consequências do fenômeno, um grupo de integrantes do Programa de Assistência e Pesquisa sobre Dependência da Secretaria Nacional da Infância, Adolescência e Família da Argentina, realizaram o “Estudo sobre perfis sociais e padrões de consumo de substâncias psicoativas em adolescentes residentes em dispositivos de regime fechado”.

Autores.jpgDe acordo com a psicóloga Fabiana Cantero e o sociólogo Fernando Veneziale (foto), autores do estudo, não se verificou uma relação linear entre o consumo de substâncias psicoativas e os atos de transgressão da lei. Isto não significa que não foram detectados casos em que foram cometidos delitos sob o efeito de substâncias psicoativas, mas que não se pode afirmar, segundo os autores, que haja uma relação direta entre o uso de drogas com o momento que antecede os delitos.

Os pesquisadores destacaram outros aspectos como determinantes mais significativos do comportamento delitivo, como um profundo quadro de exclusão e a falta de oportunidades no ambiente onde esses jovens crescem e vivem. Baixa escolaridade, desemprego – o mercado, quando existe, é precário e informal -, reincidências no sistema correcional e experiências infantis e juvenis marcadas pela vida nas ruas, pela pobreza e pela violência, preparam o terreno para que germinem comportamentos delitivos, como roubos e furtos, ou atitudes transgressoras, como o uso de substâncias psicoativas legais e ilegais. Leia o resto deste post »


Ecstasy pode ajudar vítimas de trauma psicológico

22/07/2010

Revista Veja (sim, ela mesma!)

Um estudo realizado nos Estados Unidos conseguiu curar os sintomas do transtorno do estresse pós-traumático em pacientes voluntários



Pílulas de ecstasyPílulas de ecstasy (Getty Images)

MDMA (metilenodioximetanfetamina), a droga conhecida como ecstasy, pode ajudar no tratamento de pessoas com transtorno estresse pós-traumático (PTSD, sigla em inglês) quando utilizado junto com psicoterapia. O estudo foi publicado no Journal of Psychopharmacology, editado pela Associação Britânica de Psicofarmacologia.

A descoberta, se comprovada pela comunidade científica, será histórica: será a primeira vez que o MDMA será usado para proporcionar benefícios terapêuticos aos pacientes.

O MDMA foi usado como medicamento no fim da década de 1970, embora houvesse poucas provas científicas da sua eficiência. Ao fim da década de 1980, ela invadiu as pistas de dança e foi proibida para consumo antes que qualquer teste médico com pacientes fosse feito.

Para entender os benefícios potencias da droga, Michael Mithoefer, um psiquiatra e pesquisador do estado da Carolina do Sul, nos EUA, e seus colegas, deram MDMA ou placebo para 20 pacientes com PTSD; a maioria mulheres vítimas de abuso sexual, que não respondiam a drogas convencionais. Leia o resto deste post »


Cidade da Califórnia aprova produção industrial de maconha

21/07/2010

Uol

LOS ANGELES, 21 Jul 2010 (AFP) -O conselho municipal da cidade de Oakland, na Califórnia (oeste dos Estados Unidos), aprovou um plano que permitirá o cultivo, o processamento e a comercialização da maconha em escala industrial, informou esta quarta-feira uma fonte do município.

“A medida foi aprovada em primeira instância, na noite de terça-feira, por cinco votos a dois e uma abstenção”, confirmou à AFP Crystal Bing, escrivã do conselho municipal de Oakland.Bing informou que a aprovação definitiva ocorrerá em 27 de julho para entrar em vigor em 1º de janeiro de 2011.

A aprovação destas medidas foi realizada em meio a uma discussão na qual os defensores da erva ressaltaram as eventuais taxas e empregos resultantes da produção maciça da canabis.”É muito importante para Oakland fazer parte essencial do crescimento e do desenvolvimento das fazendas de plantio (de maconha) licenciadas”, disse a vereadora Rebecca Kaplan ao jornal San Francisco Chronicle. Leia o resto deste post »


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