Recentemente duas iniciativas de difusão de informação sobre direitos do usuário de drogas e sobre auto-cultivo de maconha começaram a ser distribuídas. A ONG Psicotropicus, do Rio de Janeiro, lançou o Cartão do usuário de drogas, sob o bordão: “abra este cartão mas não abra mão dos seus direitos”, o folheto contém oito orientações de como portar diante da polícia em caso de abordagem no momento do consumo ou do porte de drogas ilícitas. Uma reportagem sobre o projeto pode ser lida no portal Comunidade Segura, e o download dele pode ser feito aqui.
Já a cartilha do Growroom pode ser encontrada para download aqui . 5 mil cópias foram impressas e já estão sendo distribuídas em eventos antiproibicionistas.
Em países como Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, a indústria farmacêutica avança na produção de remédios com substâncias da planta. Entraves legais impedem investigações similares no Brasil
Jones Rossi
Linha de produção do Sativex, medicamento feito à base de substâncias extraídas da maconha. (Divulgação)
Foi um brasileiro, o médico Pernambuco Filho, durante a II Conferência do Ópio da Liga das Nações, em 1924, que deu início à onda de combate à maconha no mundo inteiro
A maconha foi trazida ao Brasil por escravos africanos, ainda durante o período colonial. Disseminou-se entre índios, mais tarde entre brancos e, por algum tempo, sua produção chegou a ser estimulada pela coroa. Até a rainha Carlota Joaquina habituou-se a tomar chá feito com a erva, depois que a corte portuguesa se mudou para o Brasil, em 1808. A partir de meados do século XIX, circulou por aqui a ideia – importada da França – de que a Cannabis poderia ser usada com fins medicinais. Como anunciava uma propaganda das cigarrilhas Grimault, em 1905, a erva serviria para tratar desde “asmas e catarros” até “roncadura e flatos”.Em 1924, contudo, começou a difundir-se, não apenas no Brasil, mas em âmbito mundial, a tese de que o consumo da maconha era um mal. E um médico brasileiro teve papel importante nessa história. Leia o resto deste post »
“Me contem, me contem aonde eles se escondem?
atrás de leis que não favorecem vocês
então por que não resolvem de uma vez:
ponham as cartas na mesa e discutam essas leis” Planet Hemp
A seção Cartas na mesa é composta por opiniões de leitores e membros do DAR acerca das drogas, de seus efeitos político-sociais e de sua proibição, e também de suas experiências pessoais e relatos sobre a forma com que se relacionam com elas. Vale tudo, em qualquer formato e tamanho, desde que você não esteja aqui para reforçar o proibicionismo! Caso queira ter seu desabafo desentorpecido publicado, envie seu texto para coletivodar@gmail.com e ponha as cartas na mesa para falar sobre drogas com o enfoque que quiser.
Nesta edição trazemos artigo gentilmente enviado pelo professor André Toríbio Dantas, coordenador do Grupo de Estudos “Sociedade, Saúde e Cultura na América Latina”, no Núcleo de Estudos das Américas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). André acredita que “Avançando no pensamento que se direciona para a saúde e opções singulares e únicas de cada corpo e espírito, podemos afirmar que se houver equilíbrio na vida, o instrumento droga não é o problema” e nos traz a importante reflexão de como “a visão incompleta das possibilidades humanas inviabiliza a superação de crises e preconceitos”, apontando que “o rompimento com os pensamentos rígidos e conservadores germinam possibilidades de perspectivas inovadoras”. Confira texto na íntegra abaixo:
A DINÂMICA DO USO ABUSIVO DE DROGAS LÍCITAS E ILÍCITAS NOS PROCESSOS INTERDEPENDENTES QUÍMICOS DO CONTEXTO CONTEMPORÂNEO BRASILEIRO
André Luís Toríbio Dantas- PPFH/UERJ
Meu principal interesse com essa reflexão concentra-se em colocar em discussão as possibilidades viáveis que proponham desconstruções de conceitos e idéias que atualmente são cristalizadas por respeitadas perspectivas científicas tradicionais do conhecimento médico pós-moderno, além de questionar a hegemônica aceitação em aparência de realidade que estas “verdades científicas” possuem no senso comum imaginário dominante de grande parcela da sociedade brasileira.
O significado estático e absoluto da conceituação denominada “dependência química” de drogas lícitas ou ilícitas, e os termos dogmatizados e pejorativos que “viciado”, “toxicômano” e “drogado” carregam legitimados por esta definição científica médica moderna, procuram inviabilizar alternativas de outras visões de mundo que não sejam fundamentadas na lógica mecanicista das sociedades ocidentais que se desenvolveram influenciadas principalmente pelos ideais liberais das Revoluções Francesa e Industrial.
Diariamente estamos em contato com a falência e a inabilidade cientificista que assiste indivíduos apresentando problemas com o uso abusivo e compulsivo de drogas lícitas e ilícitas, crises nos cuidados assistenciais fundamentais, que são agravados pelo estigma moralista que distancia a metodologia da abordagem médica pós-moderna com os cuidados singulares sensíveis e humanísticos que a Saúde Pública tem o dever constitucional de cumprir.
Concomitantemente ondas crescentes de violências, acidentes e crimes que ocorrem nestas sociedades, acompanhadas por situações de desequilíbrios econômicos, sociais e comportamentos competitivos individualistas, estão sendo relacionadas e determinadas devido ao uso abusivo e compulsivo de drogas que ocorrem com um crescente segmento populacional. Leia o resto deste post »
SEMINÁRIO INTERNACIONAL “USOS E USUÁRIOS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS NA CONTEMPORANEIDADE
O Núcleo de Estudos Avançados do Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas/CETAD, Serviço da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, foi criado com o propósito de fornecer ao Governo Brasileiro informações amplas e diversificadas que possam contribuir para o debate político e, desse modo, na elaboração da política brasileira voltada às drogas e aos seus usos.
Para isso, o Núcleo de Estudos Avançados (NEA-CETAD) organiza o SEMINÁRIO INTERNACIONAL “USOS E USUÁRIOS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS NA CONTEMPORANEIDADE”, no período de 03 a 06 de novembro do corrente ano, durante o qual serão abordados os aspectos clínicos, socioculturais e urbanos, leis, violência, tão importantes para a compreensão desse fenômeno no mundo.
Abertura do evento – PALÁCIO DA REITORIA, Av. Miguel Calmon, s/n, Canela, no dia 03 de novembro às 19 horas.
Demais atividades – FIESTA BAHIA HOTEL, Av. Antônio Carlos Magalhães, n. 711, Pituba, de 04 a 06 de novembro de 2010.
VAGAS LIMITADAS, MEDIANTE O PREENCHIMENTO E ENVIO DA FICHA DE INSCRIÇÃO.
Inscrições e outras informações: Andrea Leão e Christina Vieira
muneca@uol.com.br / leão-andrea@uol.com.br
Entre os dias 22 de outubro e 3 de novembro está rolando em São Paulo um dos mais importantes festivais de cinema da América Latina, a Mostra Internacional de São Paulo. São 467 filmes de muitos países, e entre eles destacamos alguns que dizem respeito à temática das drogas (clicando nos títulos é possível ter acesso aos horários e locais onde eles serão exibidos).
O documentário Os dois escobares, produzido pela ESPN filmes, é sensacional. Traça um paralelo entre as trajetórias do zagueiro Andrés Escobar – assassinado após marcar um gol contra na Copa do Mundo 1994 -, do grande traficante Pablo Escobar e da própria Colômbia, através de muitas imagens de época e entrevistas com diversos personagens importantes, como o “número 2″, a irmã e o primo de Pablo, o ex-presidente Cesar Gaviria, e jogadores companheiros de Andrés como Valderrama e Asprilla. O docuemntário peca por contextualizar apenas a escalada do chamado cartel de Medellin (veja texto do DAR sobre a utilização do termo cartel), ignorando o processo paraelelo e distinto pelo qual passou o “cartel” de Cali: enquanto Escobar buscou a penetração direta na política e depois atos espetaculares como assassinatos de ministros e políticos, os irmãos Rodriguez Orejuela empreenderam uma política de penetração estatal via corrupção muito mais efeitva, e que marca o Estado colombiano até hoje. Além disso, o filme também toma a proibição das drogas como natural e inquestionável, deixando apenas que suas imagens impactantes mostrem o terrível impacto que ela traz sobre países inteiros, como é o caso da ainda devastada Colômbia. No entanto, é uma obra indispensável não só para os fãs de futebol (que verão lindos gols e muito da sujeira na qual o esporte sempre esteve envolvido) mas para qualquer um interessado em conhecer as nuances da história política latino-americana, que propicia que uma figura como Pablo Escobar tenha se tornado praticamente uma figura mística para muitos pobres colombianos.
Andrés Escobar marca o gol contra que lhe custaria a vida
Outro documentário bastante interessante é William S Burroughs: Um Retrato Íntimo , filme sem grandes inovações formais mas que vale pela história desse escritor, pilar de sustentação do chamado movimento beat, ao lado de Allen Ginsberg e Jack Kerouac. Homossexual, amante das drogas e das armas, Burroughs tem uma história de vida marcada pela contestação aos modelos impostos pela sociedade estadunidense do pós-guerra, e também por dramas pessoais e familiares (numa brincadeira idiota, ele assassinou sua mulher, por exemplo). O documentário traz entrevistas de figuras ligadas ao escritor, como os cantores Patti Smith e Iggy Pop, e imagens de arquivo dele com Ginsberg e com outros grandes nomes da cultura pop, como Keith Richards, Kurt Kobain, The Clash e uma série de outros por ele influenciados.
Burroughs (esquerda) e Kerouac
Partindo para a ficção, provavelmente a melhor obra que trata do tema nesta mostra é Dias Violentos, filme que pode ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pela Geórgia. Dirigido por Levan Koguashvili, o filme mostra com muita felicidade as imensas dificuldades na qual um usuário de heroína está envolvido enquanto este comércio é regido pela ilegalidade: acossado por policiais corruptos e pela inconstância do mercado, o protagonista nos traz a angústia de uma dependência regida pela falta de escrúpulos deste senhor da ilegalidade (e da política), o dinheiro.
Voltando aos documentários, mais dois títulos tratam da temática e prometem ser interessantes: 2012, tempo de mudança , de João Amorim, que busca inserir o uso de psicodélicos dentro de perspectivas mais amplas de transformação de mentalidade, e o suíço Além deste lugar, que mostra uma viagem de bicicleta entre um velho hippie e seu filho.
Defensor do uso medicinal da maconha lê seu manifesto durante o debate na Folha
REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA
É contraproducente e cruel punir usuários de maconha como se fossem criminosos, e falta uma distinção mais clara entre traficantes e simples consumidores da erva na legislação do país.
Esse talvez seja o único consenso entre especialistas reunidos ontem para discutir o tema em debate organizado pela Folha. Divididos entre defensores da legalização da venda da droga, do uso da maconha como remédio e da manutenção da proibição, os debatedores acabaram ficando entrincheirados.
Em parte, isso se deveu à plateia que lotou o auditório do jornal e, com frequência, interrompeu as falas com aplausos, vaias, gritos e xingamentos. “Pessoal, vamos deixar as pessoas se expressarem na inteireza de seus argumentos”, teve de pedir o jornalista Gilberto Dimenstein, colunista da Folha e moderador do debate.
Os membros da mesa, porém, também acabaram perdendo a paciência e partindo para o ataque em alguns momentos. A falta de acordo sobre a proporção real de usuários no mundo, ou sobre a gravidade dos efeitos da maconha quando comparada a drogas lícitas, como o álcool, ajudou a mostrar como o debate ainda é emocional.
Contrário à legalização, Ronaldo Laranjeira, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), disse que sua posição “era lógica do ponto de vista da saúde pública”.
“A experiência de legalização das drogas ilícitas está aqui perto da gente, é a Cracolândia”, ironizou, criticando o fato de que não há um movimento nacional para tentar controlar o uso do crack com a mesma expressão do que defende descriminalizar a maconha.
A jurista Maria Lúcia Karam, membro da ONG internacional Lead, favorável ao fim da proibição da venda de drogas, argumentou que a guerra contra substâncias ilícitas aumentou a violência e ainda fez baixar o preço delas mundo afora. “Legalizar é controlar os danos causados pela droga. As pessoas só morrem de overdose porque não sabem o que estão usando”, afirmou, sendo vaiada por membros da plateia. Leia o resto deste post »
O que pensarão os nossos pósteros ao verem uma foto como essa? Poderão compreender que o México, que em 2010 ainda tinha 23 milhões de habitantes em estado de fome crônica, queimasse 134 toneladas de uma planta que valia, por baixo, o equivalente a 560 milhões de reais?
Isso me lembra Fahrenheit 451, o filme de Truffaut baseado no romance de Ray Bradbury em que opiniões próprias eram proibidas e para isso queimavam-se os livros – tudo controlado pela televisão. Mas as pessoas resistem ao decorar livros inteiros.
Houve outros momentos de controle de leitura (e idéias) ao longo da história. Sempre há alguém querendo impor o pensamento único. Leia o resto deste post »
Provavelmente o fato de representar um personagem que traz em si toda a irracionalidade e a violência que os setores dominantes de nossa sociedade impõem através da polícia aos dominados fez com que Wagner Moura tomasse ainda mais consciência da necessidade de mudanças políticas no Brasil. Ele chegou inclusive a se submeter a todo o treinamento desumano e desumanizador ao qual são submetidos os oficiais do Bope. Como já havia feito no programa Roda Viva (veja aqui), o ator defende a legalização das drogas, por entender os efeitos políticos e sociais que sua hipócrita proibição trazem. Confira abaixo matéria publicada no site da Psicotropicus
SAO PAULO – O ator da Rede Globo, e protagonista do filme Tropa de Elite 2, Wagner Moura, participou na última quarta-feira (13) de um debate em São Paulo , no Teatro Bombril, onde o filme foi exibido seguido de uma conversa entre cineastas, jornalistas e o público.
Wagner falou sobre o filme, sobre a identificação com o personagem, o “famoso” Capitão Nascimento, e tocou em um assunto abordado no filme e muito discutido nos dias de hoje: a liberação e a legalização das drogas.
“A política de repressão não tem funcionado. Eu vejo a questão das drogas como uma questão de saúde pública. Eu sou a favor da legalização das drogas, a começar pela evidente necessidade da legalização da maconha, e digo isso como cidadão, de forma quase irresponsável porque não sou nenhum especialista em drogas, acho que isso deve ser visto por pessoas muito mais gabaritadas do que eu. O que eu constato é que a repressão é ineficaz, só gera mais morte e tiroteio, e tem muito mais gente morrendo na guerra do tráfico, do ilícito, do que propriamente usando a droga”, declarou o ator. Leia o resto deste post »
O ideal de uma sociedade abstêmia de bebidas alcoólicas e outras substâncias psicoativas não é só irrealizável como indesejável, já que pressupõe uma tutela estatal sobre o direito de livre escolha, os estilos de vida e as práticas corporais.
A afirmação é do professor de História Moderna da USP, Henrique Carneiro, autor de “Bebida, abstinência e temperança na história antiga e moderna”, da Editora Senac – São Paulo, que será lançado dia 19 de outubro, na Livraria da Vila, em São Paulo.
No livro, assim como nesta entrevista ao Comunidade Segura, Carneiro aborda o significado da bebida, seus efeitos, sua relação com o divino e com a história das sociedades e discute a questão da abstinência, do excesso e da temperança, que resultaram na procura de um ponto de equilíbrio e moderação por meio de normas, regras, leis, pedagogias e etiquetas sobre como beber adequadamente.
Doutor em História Social e membro do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (Neip), Carneiro também é autor da “Pequena enciclopédia da história das drogas e bebidas e de Comida e Sociedade: uma história da alimentação”, da editora Campus, e de “Filtros, mezinhas e triacas: as drogas no mundo moderno”, ”A Igreja, a medicina e o amor: prédicas moralistas da época moderna em Portugal e no Brasil”, “Amores e sonhos da flora” e “Afrodisíacos e alucinógenos na botânica e na farmácia”, todos da Xamã Editora. Junto com o historiador Renato Pinto Venancio, ele é organizador de “Álcool e Drogas na História do Brasil”, da editora Amameda, e com Beatriz Caiuby Labate, Sandra Goulart, Maurício Fiore e Edward MacRae – seus colegas pesquisadores do Neip – de “Drogas e Cultura: Novas Perspectivas”, da Edufba.
Qual o principal objetivo do livro “Bebida, abstinência e temperança na história antiga e moderna”?
O principal objetivo do livro é inventariar um conjunto de atitudes sobre o bom e o mau beber ao longo da história ocidental e tentar recuperar noções de virtudes éticas, como a da temperança, como instrumentos úteis para a autogestão das condutas de ingestões, não só de bebidas, como também de alimentos, num sentido de evitar os riscos vinculados a usos problemáticos, abusivos ou compulsivos e buscar uma ética da autorresponsabilidade em relação aos padrões de consumo. Leia o resto deste post »
“Me contem, me contem aonde eles se escondem?
atrás de leis que não favorecem vocês
então por que não resolvem de uma vez:
ponham as cartas na mesa e discutam essas leis” Planet Hemp
A seção Cartas na mesa é composta por opiniões de leitores e membros do DAR acerca das drogas, de seus efeitos político-sociais e de sua proibição, e também de suas experiências pessoais e relatos sobre a forma com que se relacionam com elas. Vale tudo, em qualquer formato e tamanho, desde que você não esteja aqui para reforçar o proibicionismo! Caso queira ter seu desabafo desentorpecido publicado, envie seu texto para coletivodar@gmail.com e ponha as cartas na mesa para falar sobre drogas com o enfoque que quiser.
Na semana passada mais uma vez estivemos diante de uma denúncia de desrespeito aos direitos humanos em clínicas de “recuperação” de dependentes químicos.O redutor de danos e educador social Dênis Petuco tem um artigo interessante e esclarecedor sobre o tema, publicado pela primeira vez no livro Outras palavras sobre o cuidado de pessoas que usam drogas, editado Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul. Dênis, que já passou por uma experiência de internação num local desses em 1989, cedeu o artigo para o Cartas na Mesa, no qual conta um pouco de sua experiência contextualizando-a num panorama mais amplo, confiram abaixo:
Pra não dizer que não falei de drogas
O cuidado de pessoas que usam drogas e a luta antimanicomial
Em 1990, Austragésilo Carrano lançava “Canto dos malditos”, depoimento sobre os horrores do cotidiano manicomial, com a potência característica dos textos escritos na primeira pessoa. Já ali, a lembrança de que não foram apenas os loucos a sofrerem mortificações por detrás dos muros dos hospícios; nas casas verdes (públicas ou privadas) espalhadas pelo Brasil afora, sempre houve (houve?) lugar garantido para as pessoas que usam álcool e outras drogas.
Mas não é do livro de Carrano que eu gostaria de falar, e sim de outro lançado em 1993. Em “Ala fechada”, Caho Lopes descreve sua passagem por uma clínica especializada no tratamento de pessoas que usam drogas, em Porto Alegre. A história, ocorrida em 1992, quando o autor tinha 28 anos, rendeu não apenas o livro, mas uma série de reportagens para a televisão, algumas das quais podem ser encontradas ainda hoje no YouTube (basta que se escreva o nome do autor). Mas não chegou a virar filme como o livro de Carrano, cuja versão cinematográfica foi idealizada por Kátia Lund, com o nome de “Bixo de Sete Cabeças”.
Em “Ala fechada”, o pesadelo manicomial é descrito a partir das especificidades das pessoas que usam drogas. Maus tratos, tortura, cárcere privado, uso indiscriminado de fármacos. Qualquer tipo de questionamento com respeito ao modelo de recuperação era identificado como “sintoma”, como “manipulação”. Remédios eram utilizados como forma de castigo, e não como parte um processo terapêutico. Do lado de fora, os familiares eram induzidos a pensar que estavam fazendo o melhor pelo seu filho. Logo nas primeiras páginas, vemos o dono da clínica explicar ao pai de Klaus (personagem de Caho), que o tratamento dura em média dois anos. Sem visitas.
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Em 1989, eu passei por este mesmo lugar batizado no livro com o nome de “Jirinovski”, ainda que no relato de Caho ele não se situe no mesmo endereço do lugar em que fui internado; é que pouco tempo depois de eu ter passado por lá (três anos antes da passagem de Caho), ocorreu um motim que resultou na interdição do prédio. No livro, a Jirinovski fica em um bairro chamado “Campo Novo”, numa chácara localizada “em média uns trinta e cinco minutos de Petrópolis” (LOPES, 1997, p. 31); já eu, fiquei em uma casa situada num bairro próximo ao centro de Porto Alegre, a não mais de 15 minutos de Petrópolis, se muito[1].
No livro de Caho, o referido motim emerge em meio às reminiscências matutinas do personagem que encarna o dono da clínica. Lembra do dia em que recebeu um telefonema de um dos seguranças informando que os internos tinham sequestrado uma estagiária, e mantinham-se isolados no andar de cima. Ao chegar, o Dr. Edgar[2] percebe que os “rebeldes” entraram em contato com a imprensa. De uma das janelas do prédio, voltada para a calçada, em frente às câmaras de televisão, um interno chamado Afonso mantém um caco de vidro encostado no pescoço da estagiária. O que segue, o livro descreve assim:
Afonso denunciou, perante toda a mídia e cambada de curiosos ali presentes, os abusos e maus tratos a que eram submetidos. Contou praticamente tudo: pacientes encarcerados por dois, três, até mesmo quatro anos sem sequer se comunicar com a família; das periódicas revistas, feitas até nos orifícios anais, em que procuravam possíveis armas fabricadas pelos pacientes; abusos sexuais por parte de seguranças e chefes de plantão, o escárnio dos psiquiatras para com eles; enfim, tudo o que a clínica sempre manteve entre suas paredes. (LOPES, 1997, p. 33) Leia o resto deste post »
“It has to start somewhere, it has to start some time,
What better place than here? What better time than now?
Ah, hell, can’t stop us now”
- Rage Against the Machine, Guerilla Radio
O DDD desta vez vai da uma dica de algo que já aconteceu. Um relato sobre o show do Rage Against the Machine no SWU e algumas dicas de vídeos e músicas da banda que não deixou a luta morrer durante os últimos anos.
Neste sábado, 10 de outubro, a banda californiana Rage Against the Machine se apresentou em Itu, no Festival Starts With You, o SWU. Foi um encontro, que, nas palavras de Zack de la Rocha, vocalista da banda, “took far too long to happen” [demorou demais para acontecer]. Afinal, pela primeira vez o Rage pisava na América do Sul para gritar suas canções anticapitalistas.
Infelizmente, o encontro não aconteceu num festival também anticapitalista, que reunisse bandas de todo o mundo, talvez na Escola Nacional Florestan Fernandes do MST, mas no hipócrita SWU. Com um discurso verde vazio, ares grandiosos de merchandising e marketing, o evento cobrou entradas caríssimas e tentou vender um ambientalismo tão preocupado com o verde quanto a equipe de propaganda da Heineken, uma das principais patrocinadoras do evento.
Com slogans sobre pequenas ações geram grandes mudanças, eles esqueceram o papel das grandes poluidoras e da ação coletiva. Por 250,00 R$ a entrada mais barata, somado ao estacionamento extorsivo que variava de R$ 50,00 até 150,00 R$ o dia, ficou caro ver Zack de la Rocha e Tom Morello. Até para os fãs mais obstinados. Isso sem contar que até às 20h de sábado a polícia tinha feito mais de 70 apreensões de drogas no show: liberdade para o verde? Nem pensar!
Mas o show do Rage compensou todas as merdas: demora pra chegar, tudo caro, aperto. Quando uma sirene anunciou a entrada da banda e a estrela vermelha do socialismo subiu no telão, instalou-se o frenesi. De um aperto tremendo o público começou a se mexer, pular correr, gritar. Finalmente tinhamos o RATM no Brasil.
As músicas levantaram todos que estavam no SWU e rodinhas rolaram soltas. Uma ocupação indevida da área premium levou o show a parar. Os seguranças agiram com a truculência de sempre para proteger os privilégios do VIP mas o fato é que muita gente conseguiu assistir o show de pertinho.
E foi uma bela apresentação, cheia de energia. Apesar da Globo e sua afiliada o Multishow terem cortado o espetáculo na metade para quem tava de fora (alguém dúvida que por causa das mensagens de esquerda e pela estrela vermelha?). Outro ponto baixo foi a falha no som durante uma das músicas, causando imensa tristeza e raiva nos fãs, que cantavam “SWU, vai tomar no cu”. Na verdade, SWU também pode ser substituído por Globo, Serra, Veja, Dilma etc. Sobrou para todo mundo na hora em que os fãs resolveram se manifestar junto coma banda.
Houve dedicatória de músicas ao MST (ême-ése-ti), a People of The Sun (veja abaixo). E a dedicatória não fica só no simbólico já que banda doará parte do cachê para o movimento.
E o Rage é uma daquelas bandas que são essenciais. No grande marasmo do careta rock indie, de bandas mais preocupadas com a conta bancária e o sapato que usarão nos shows do que com a barbárie da sociedade capitalista, eles definitivamente destoam. Ficaram ao lado dos zapatistas no México, participam de manifestações, onde cantam suas músicas “à capella” (veja abaixo).
Surgiram em 1991, pouco depois da queda do muro de Berlim e mostraram que a luta ainda existe e é necessária. Mantiveram, apesar de estar em grandes gravadoras, uma postura rebelde e anti-sistêmica que se revela nas letras e nos clipes. Influenciaram uma geração inteira a pensar mais além. Quem com seus 20 e poucos anos não passou a adolescência ouvindo RATM e questionando os rumos do mundo. E quantos de nós não fazem isso até hoje?
Ainda bem que tem o Rage.
E pra quem quiser saber mais, tem esse ótimo documentário na íntegra:
A banda tambem apoia o Axis of Justice, iniciativa do Tom Morello e Serj Tanklan que agrupa artistas e fans em prol das lutas por justica social.
Veja também o site do grupo.
Legalização da maconha avança no exterior e debate esquenta no Brasil
RESUMO
Enquanto cientistas, juristas e políticos brasileiros discutem a proibição do consumo da maconha, iniciativas pró-legalização ganham força na Europa e nos EUA, para reduzir a violência causada pelo tráfico, controlar os danos à saúde e taxar a substância para gerar receita aos governos, a exemplo do que já ocorre com o álcool e o tabaco.
FERNANDA MENA
CLAUDIO ANGELO
O ANO DE 2010 é especialmente fértil no debate sobre a maconha. No Brasil e no mundo, começam a pipocar pesquisas e iniciativas políticas para refundar a discussão em termos científicos e jurídicos mais modernos.
Um novo estudo científico foi publicado no Reino Unido e se impôs como referência tanto para os proibicionistas quanto para os ativistas pró-legalização -o “lobby da proibição” e o “lobby da maconha”, como ambos se apelidaram mutuamente, vão debater o tema no auditório da Folha, em 21/10.
Três ex-presidentes do Brasil, do México e da Colômbia, países que enfrentam graves problemas com o narcotráfico, pediram mais ciência nas políticas sobre drogas ilícitas. Na ocasião, um deles, Fernando Henrique Cardoso, declarou que “a guerra às drogas falhou” e que as atuais políticas de proibição precisam de “uma revisão transparente”.
Na semana passada, em Genebra, Fernando Henrique acenou com a possibilidade de internacionalizar a proposta. “De fato, estamos cogitando criar uma nova comissão para tratar da questão das drogas, agora com abrangência global”, revelou à Folha. “Também estarão nela os três presidentes que participaram da primeira comissão, juntamente com outras personalidades internacionais.”
Em novembro, na Califórnia, um plebiscito votará um novo estatuto legal (e fiscal) para a maconha, que poderá passar a ser tratada como o álcool e o tabaco. Ao mesmo tempo, Portugal completa dez anos de descriminalização do uso de todas as drogas, sem registrar explosão do consumo.
No Brasil, além da defesa de uma ideia custosa do ponto de vista político feita por FHC, o Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas, ligado à Presidência da República, se prepara para votar a proposta da criação de uma agência nacional para pesquisar o uso medicinal da maconha. E uma guerra de artigos de cientistas e cartas de leitores na página 3 da Folha ajudou a pôr o debate em pauta.
Qual dos males é o menor: o prejuízo à saúde causado pela fumaça ou os danos decorrentes da proibição? Quando o assunto é maconha, não é fácil separar o trigo científico do joio ideológico.
2 de outubro de 2010, 18 anos do massacre do Carandiru.
Da Casa de Detenção sobraram uma muralha e ruínas do que seriam solitárias (antônimo do “sonho dentro de um sonho”, de Alan Poe, são o espaço da brutalidade dentro da brutalidade) do Carandiru II, jamais construído, mas certamente existente. O presídio que chegou a ser o maior da América Latina foi desativado e demolido, virou parque, Parque da Juventude. Mas é fundamental que não esqueçamos o que aconteceu ali, como bem disse Julia Neiva, uma das convidadas para a conversa “linhas de fuga: a mémoria, a cidade e a prisão”, realizada pelo Grupo do Trecho neste último sábado, véspera de eleição. Além de Júlia, estiveram presentes os antropólogos Adalton Marques e Karina Biondi, o sobrevivente Luiz Alberto Mendes, o rapper Pixote e o grupo Ca.Ge.Be.
Atualmente trabalhando na penitenciária feminina do Butantã, Km19,5 da Raposo Tavares, o Grupo do Trecho disputa espaço com empresas interessadas em trabalho escravo das presas e um sistema prisional desinteressado por qualquer coisa que possa humanizar essa vingança desumana chamada prisão. Buscam, vejam só vocês, “criar a partir da prisão”. Antes da conversa, apresentaram um pouco desta caminhada, numa intervenção encenada nas ruínas do antigo presídio mas construída sobre as vivíssimas ruínas de um país que tem a terceira população carcerária do planeta. Leia o resto deste post »
“Porque quem entende desorganiza. Há alguma coisa em nós que desorganizaria tudo – uma coisa que entende. Essa coisa que fica muda diante do homem sem o gorro e sem os sapatos, e para tê-los ele roubou e matou; e fica muda diante do S. Jorge de ouro e diamantes. Essa alguma coisa muita séria em mim fica ainda mais séria diante do homem metralhado. Essa alguma coisa é o assassino em mim? Não, é o desespero em nós.”
Existem versões (ou seriam indícios?) de que a escritora Clarice Lispector teve já suas experiências com LSD e estados de consciência alterada. Muitos vêem em sua obra A paixão segundo G.H. algo como a transcrição literária perfeita de uma daquelas ondas de ácido em que você toma contato com o “infinito em todas as coisas”, como diria Wilian Blake. Comprovada ou não a faceta psiconáutica da autora, seu talento e importância são inegáveis e impossíveis de serem medidos. Lembrando ainda dos massacres que nossa polícia e nossa justiça fizeram e seguem fazendo nos Carandirus ainda de pé em nossas periferias, o DDD desta semana indica o bonito texto que Lispector escreveu sobre a morte de um bandido carioca, o Mineirinho, assasinado com 13 tiros pela polícia. Uma ótima reflexão sobre morte e vida, essas irmãs cada vez mais severinas.
Leia abaixo a íntegra do texto “Mineirinho”, de Clarice Lispector (crônica de 1978, publicada no livro “Para não esquecer”, Editora Siciliano).
“É, suponho que é em mim, como um dos representantes de nós, que devo procurar por que esta doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. A cozinheira se fechou um pouco, vendo-me talvez como a justiça que se vinga. Com alguma raiva de mim, que estava mexendo na sua alma, respondeu fria: ‘O que eu sinto não serve para se dizer. Quem não sabe que Mineirinho era criminoso? Mas tenho certeza de que ele se salvou e já entrou no Céu.’ Respondi-lhe que ‘mais do que muita gente que não matou’.
Por que? No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim.
Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me fez ouvir o primeiro tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina – porquê eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.
Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais. Para que minha casa funcione, exijo de mim como primeiro dever que eu seja sonsa, que eu não exerça a minha revolta e o meu amor, guardados. Se eu não for sonsa, minha casa estremece. Eu devo ter esquecido que embaixo da casa está o terreno, o chão onde nova casa poderia ser erguida. Enquanto isso dormimos e falsamente nos salvamos. Até que treze tiros nos acordem, e com horror digo tarde demais – vinte e oito anos depois que Mineirinho nasceu – que ao homem acuado, que a esse não nos matem. Porque sei que ele é o meu erro. Leia o resto deste post »
O uso de drogas ilícitas constitui uma das grandes preocupações das sociedades modernas. Se em vários países esse consumo tem diminuído, em outros, caso do Brasil, ele é crescente. O progressivo aumento da criminalidade tem sido imputado aos usuários de drogas psicoativas (SPA) – assim consideradas aquelas que provocam alterações transitórias no funcionamento cerebral levando, por exemplo, à desinibição provocada pelo álcool, à euforia gerada pela cocaína, ou à diminuição da ansiedade, às sensações de anestesia, alegria, embriagues, ou seja, àquelas que em suma são geradoras de prazer.
Estudo mostra que ser usuário ou dependente de substâncias psicoativas – como o álcool, solventes, maconha, cocaína, crack – não se mostrou determinante na prática de crimes. O comportamento criminoso é prevalente em consumidores de drogas portadores de Transtorno de Personalidade Antissocial.
É o que revela dissertação de mestrado orientada pela professora Renata Cruz Soares de Azevedo e apresentada à Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp pela psiquiatra Karina Diniz Oliveira. A pesquisa foi realizada com 183 pessoas maiores de 18 anos usuários ou dependentes de substâncias psicoativas que iniciaram acompanhamento em dois dos serviços de referência no tratamento de dependentes químicos de Campinas: o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS-AD) Independência e o Ambulatório de Substâncias Psicoativas (ASPA) do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp.
Karina revela que a população estudada era constituída em sua maioria de pacientes do gênero masculino, em geral na quarta década de vida, provenientes da região de Campinas, sem companheiro fixo, escolaridade inferior a oito anos, baixa renda e inatividade laboral. O policonsumo – uso concomitante ou alternado – de diferentes SPA foi muito frequente, principalmente álcool, maconha, cocaína e crack. O potencial de dependência do crack se revelou maior que de outras substâncias.
Segundo ela, delitos foram cometidos por 40% dessa população, em que 28% de indivíduos apresentam Transtorno de Personalidade Antissocial. Os principais crimes cometidos envolvem lesão corporal, homicídio, furto e roubo. Nesses delitos, afirma Karina, estão envolvidos principalmente sujeitos portadores de Transtorno de Personalidade Antissocial, com antecedentes de uso de solventes, sem religião, com poliuso e dependência a múltiplas substâncias psicoativas, principalmente ilícitas.
Na pesquisa, Karina discutiu os fatores relacionados ao cometimento de crimes em dependentes de substâncias psicoativas que procuram tratamento, centrando o levantamento na descrição do perfil sócio-demográfico; na avaliação do padrão de consumo; na determinação da prevalência de comportamento criminoso e os tipos de crimes praticados; na presença do Transtorno de Personalidade Antissocial; e, para finalmente, correlacionar estas variáveis visando discutir as interfaces e associações.
Revelações
No entender das pesquisadoras, o trabalho desenvolvido revela alguns aspectos muito interessantes. Os dois serviços de atendimentos públicos tomados como base de estudo são procurados por mais homens do que mulheres. Renata esclarece que entre os usuários de drogas a relação é de uma mulher para quatro homens e entre os que procuram o tratamento essa relação passar a ser de um para oito ou até doze. Para a docente, as mulheres têm vergonha de procurar tratamento, principalmente as mais velhas, talvez por causa dos preconceitos que enfrenta. Além disso, os tratamentos são em geral estruturados para os homens, não contemplando as especificidades do uso de drogas entre as mulheres.
Karina considera que a procura por tratamento é em geral postergada, pois as pessoas que os procuram encontram-se na faixa de 40 a 50 anos de idade, embora tenham iniciado o uso de drogas na adolescência. Esses usuários e dependentes, constata, enfrentam nessa fase de suas vidas as consequências socioeconômicas decorrentes, como situação financeira precária, desemprego, separações conjugais, relações familiares e sociais comprometidas. Leia o resto deste post »