Caros, na próxima semana estrearemos um novo site do coletivo DAR. Depois de 500 posts neste blog, e dezenas de milhares de acessos individuais, conseguimos finalmente transformar em site o blog, tentando elevar a qualidade técnica para que se aproxime do nível que primamos no conteúdo. Esperamos que isso seja possível, e contamos com sua participação no novo site. Fiquem ligados, divulgaremos em breve o novo endereço!
Caminhos de uma longa luta
09/11/2010O Coletivo DAR está iniciando uma parceria com a respeitadíssima ONG de Redução de Danos É DE LEI, que trabalha com usuários de crack no centro de São Paulo. O seguinte texto é o primeiro relato dessa caminhada.
“Chegaram os meninos de ouro!”. Assim a equipe de campo do Centro de Convivência É de Lei, formada por psicólogos, cientistas e assistentes sociais e redutores de danos afins, foi recebida ao chegar na zona tabu da sociedade paulistana: a cracolândia.
O trabalho é simples e reconhecido pelos usuários. Com jaquetas e camisetas coloridas e um crachá que os identifica, eles se aproximam. Levam camisinhas, piteiras feitas de silicone e manteiga de cacau com própolis e calêndula. As camisinhas, ajudam a prevenir o HIV e a gravidez. As piteiras tem boa aceitação e são usadas para que os usuários de crack não queimem suas bocas e não compartilhem saliva. A manteiga de cacau ajuda a curar os lábios maltratados pelo metal do cachimbo frequentemente aquecido. Diminuem o contágio de hepatite. Convidam as pessoas a frequentarem o centro de convivência, localizado na mesma região. Lá acontecem oficinas de vídeo e debates.
O trabalho é complexo e reconhecido pelos usuários. Com essas pequenas ações, conseguem abrir um canal no insondável mundo da cracolândia. Tem sucesso em, a partir da cultura de uso, ouvir as pessoas que ninguém mais quer ouvir. Conversar e oferecer alternativas. Mostrar cuidado, um outro caminho, buscam soluções para o que parece impossível de mudar.
E a situação não é fácil. São pessoas muita vezes em situação de rua, em óbvia fragilidade física e psicológica, marginalizadas e estigmatizadas por uma sociedade que perdeu a capacidade de cuidar dos seus e deixa a cargo da polícia uma questão que deveria ser encarada de outra forma. O uso do crack, nesse sentido, acaba sendo a cereja do bolo do descaso.
E a forma que o Estado encontrou para lidar com isso poderia ser engraçada se não fosse muito pelo contrário. Os usuários se aglomeram em lugares determinados para usar as substâncias entre os seus. Ficam lá até que chega a PM ou a Guarda Civil, com cassetetes de 1 metro (são realmente espantosos) e empurram geral para uma romaria sui generis. Como numa manifestação silenciosa e abnegada, todos craqueiros saem andando, fazendo sua romaria e “dando área”. Por alguns minutos. Tão logo as forças do Estado se retiram, recomeça a brincadeira de gato e rato.
Que fique claro que não é pedindo licença que a polícia consegue remover temporariamente as pessoas. Abusos de autoridade, violência, jogar o carro em cima, apavorar, bater, chutar são expedientes comuns da corporação que mais cresce em morte e tortura no Brasil.

Mas é possível vislumbrar um caminho. Tanto se você é um usuário como se você é alguém que se preocupa com a questão das drogas no Brasil. O É de Lei faz a gentileza de apontar o trajeto.
Cartas na mesa – A dinâmica do uso abusivo de drogas no contexto brasileiro
01/11/2010“Me contem, me contem aonde eles se escondem?
atrás de leis que não favorecem vocês
então por que não resolvem de uma vez:
ponham as cartas na mesa e discutam essas leis” Planet Hemp
A seção Cartas na mesa é composta por opiniões de leitores e membros do DAR acerca das drogas, de seus efeitos político-sociais e de sua proibição, e também de suas experiências pessoais e relatos sobre a forma com que se relacionam com elas. Vale tudo, em qualquer formato e tamanho, desde que você não esteja aqui para reforçar o proibicionismo! Caso queira ter seu desabafo desentorpecido publicado, envie seu texto para coletivodar@gmail.com e ponha as cartas na mesa para falar sobre drogas com o enfoque que quiser.
Nesta edição trazemos artigo gentilmente enviado pelo professor André Toríbio Dantas, coordenador do Grupo de Estudos “Sociedade, Saúde e Cultura na América Latina”, no Núcleo de Estudos das Américas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). André acredita que “Avançando no pensamento que se direciona para a saúde e opções singulares e únicas de cada corpo e espírito, podemos afirmar que se houver equilíbrio na vida, o instrumento droga não é o problema” e nos traz a importante reflexão de como “a visão incompleta das possibilidades humanas inviabiliza a superação de crises e preconceitos”, apontando que “o rompimento com os pensamentos rígidos e conservadores germinam possibilidades de perspectivas inovadoras”. Confira texto na íntegra abaixo:
A DINÂMICA DO USO ABUSIVO DE DROGAS LÍCITAS E ILÍCITAS NOS PROCESSOS INTERDEPENDENTES QUÍMICOS DO CONTEXTO CONTEMPORÂNEO BRASILEIRO
André Luís Toríbio Dantas- PPFH/UERJ
Meu principal interesse com essa reflexão concentra-se em colocar em discussão as possibilidades viáveis que proponham desconstruções de conceitos e idéias que atualmente são cristalizadas por respeitadas perspectivas científicas tradicionais do conhecimento médico pós-moderno, além de questionar a hegemônica aceitação em aparência de realidade que estas “verdades científicas” possuem no senso comum imaginário dominante de grande parcela da sociedade brasileira.
O significado estático e absoluto da conceituação denominada “dependência química” de drogas lícitas ou ilícitas, e os termos dogmatizados e pejorativos que “viciado”, “toxicômano” e “drogado” carregam legitimados por esta definição científica médica moderna, procuram inviabilizar alternativas de outras visões de mundo que não sejam fundamentadas na lógica mecanicista das sociedades ocidentais que se desenvolveram influenciadas principalmente pelos ideais liberais das Revoluções Francesa e Industrial.
Diariamente estamos em contato com a falência e a inabilidade cientificista que assiste indivíduos apresentando problemas com o uso abusivo e compulsivo de drogas lícitas e ilícitas, crises nos cuidados assistenciais fundamentais, que são agravados pelo estigma moralista que distancia a metodologia da abordagem médica pós-moderna com os cuidados singulares sensíveis e humanísticos que a Saúde Pública tem o dever constitucional de cumprir.
Concomitantemente ondas crescentes de violências, acidentes e crimes que ocorrem nestas sociedades, acompanhadas por situações de desequilíbrios econômicos, sociais e comportamentos competitivos individualistas, estão sendo relacionadas e determinadas devido ao uso abusivo e compulsivo de drogas que ocorrem com um crescente segmento populacional. Leia o resto deste post »
ATIVIDADE DE FORMAÇÃO – Consumo de substâncias psicoativas, uma visão antropológica
27/10/2010com Maurício Fiore, bacharel em Ciências Sociais e mestre em Antropologia Social pela pela USP. Publicou diversos trabalhos sobre o tema, entre os quais se destaca sua dissertação de mestrado, publicada no livro Uso de “drogas”: controvérsias médicas e debate público (Mercado de Letras/Fapesp, 2006). Atualmente é doutorando em Ciências Sociais na UNICAMP e pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento).
dia 28/10 , às 19:30
na PUC- SP (ponto de encontro: Pátio do Centro Acadêmico Benevides Paixão – de lá rumaremos para uma sala/ para chegar lá entre na Comfil pela Rua Monte Alegre, 971, a entrade é ao lado da banca, e desça a escada/ se estiver perdido ligue para 9272 1918)
Recomendamos a leitura do artigo: Consumo de substâncias psicoativas: sujeitos, substâncias e eventos – Maurício Fiore, disponível para dowload em: http://coletivodar.files.wordpress.com/2009/07/artigo-mauricio-fiore-ram.pdf
Os mais animados podem ler também artigo de Fiore no livro Drogas e cultura, do NEIP, disponível em: http://coletivodar.files.wordpress.com/2009/07/drogas_e_cultura.pdf
Coletivo Desentorpecendo A Razão (DAR)
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Legalizar e regulamentar a maconha – e todas as drogas ilícitas
25/10/2010Contribuição do Coletivo DAR ao debate sobre maconha realizado pela Folha de S.Paulo no dia 21/10/2010
Organizado horizontalmente e sem ligação com empresas e partidos políticos, o Coletivo Desentorpecendo A Razão (DAR) parte da análise de Maria Lúcia Karam, que sustenta que somente uma razão entorpecida pode conviver com a arbitrária e injustificável proibição de algumas drogas trazendo tantos efeitos políticos e sociais nefastos. Mesmo que seu uso a priori não seja um problema em si, uso abusivo de drogas lícitas e ilícitas pode trazer sérios problemas. No entanto, a proibição das drogas não somente não lida com essa questão (22,8% dos adultos brasileiros já usaram drogas ilícitas, e seguirão usando, nos EUA esse número é de quase 50%) como traz em si efeitos ainda mais danosos para a sociedade.
É a proibição das drogas a responsável por esse mercado de alta demanda ser regulado pela violência do crime, e também é ela quem dá ao Estado legitimidade de perseguir, encarcerar e assassinar seletivamente setores pobres da população. Ela ainda aumenta a corrupção na polícia, no legislativo e no judiciário, e impede um tratamento que não seja pautado pela religiosidade ou pela abstinência seja oferecido pelo Estado. Impede também a pesquisa científica séria, que pode não só melhor mesurar os efeitos negativos das substâncias como estudar seus já comprovados potenciais positivos.
Felizmente, o entendimento de que o proibicionismo é um fracasso e um problema muito maior que o abuso de drogas caminha para se tornar hegemônico nacional e internacionalmente. Recentemente México, Argentina e República Tcheca descriminalizaram porte de drogas para consumo pessoal, se juntando a uma série de países europeus que já procederam de maneira semelhante, sem que suas sociedades fossem conduzidas à barbárie. Mesmo nos EUA, grande difusor da proibição, 14 estados já permitem a maconha medicinal, e agora em novembro a Califórnia vota legalização completa desta substância.
O momento é portanto de debater alternativas, de encarar propositivamente o fracasso da Guerra às drogas. Leia o resto deste post »
Entrevista exclusiva: Pedro Gabriel Delgado fala sobre crack
14/10/2010O fantasma do crack tem ganhado cada vez mais peso no debate midiático e ultimamente eleitoral. Como é praxe dentro do proibicionismo, se faz muito terrorismo e se informa muito pouco. O uso é encarado já a priori como danoso, e o mal uso é considerado consequência da própria substância, não do que a envolve. Recentemente o governo federal decidiu encarar o problema, pautando-se inclusive pela inter-setorialidade. O nome do programa: “Programa de enfrentamento ao crack”. O viés é o mesmo, o fetiche da droga como bode expiatório.
Médico psiquiatra e coordenador de saúde mental do Ministério da Saúde desde 2000, Pedro Gabriel Delgado defende mudanças na atual lei de drogas, e uma abordagem mais complexa para o problema do uso problemático de crack. O DAR conversou com ele com exclusividade no final de agosto, quando da realização da II Conferência Latino-americana sobre políticas de drogas, realizada no Rio de Janeiro.
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Pedro, como você situa o problema do crack hoje no Brasil?
Eu sempre tenho que dizer que é muito grave o problema, senão as pessoas acham que ao se relativizar não esta se dando a devida importância. O crack no Brasil é um problema muito grave e a principal componente desta gravidade é a vulnerabilidade das pessoas que mais recentemente, nos últimos cinco anos, começaram a consumir esse produto, que é um produto impuro, derivado de uma série de adaptações que o próprio mercado da droga faz em função até do desmantelamento da possibilidade de fazer o cloridrato de cocaína em território brasileiro, enfim, existem vários questões que são fruto do mercado da droga.
Da ilegalidade do mercado.
Da ilegalidade, inclusive, sem dúvida, porque é por conta da repressão ao mercado e a produção do cloridrato é que se produzem essas formas intermediárias. Aqui na América Latina, na Argentina, isso se passou alguns anos antes, e nos países da América do Norte, Canadá, EUA, isso começou no início dos anos 1990. Aqui no Brasil estava restrito a São Paulo, aproximadamente nos últimos cinco anos é que se estendeu a questão pro país como um todo e tomou essa dimensão grave que tem. Eu acho que é preciso se levar em conta esse componente que eu falei, da vulnerabilidade. E também nós temos discutido no Ministério da Saúde com o comitê de profissionais multidisciplinares que nos assessora, inclusive pessoas que fazem estudos qualitativos de natureza antropológica com os próprios consumidores, quais são os padrões de consumo dessa droga que tem um potencial de dependência muito grande e que traz também efeitos colaterais pra saúde geral da pessoa: efeitos pulmonares, efeito de emagrecimento ,debilitação, de queda de imunidade, de exposição ao risco de contaminação com hepatite C, B… A associação com o aumento da transmissão do vírus HIV não está ainda comprovada, mas como existe também uma associação com comportamentos de risco – sexo inseguro, prostituição, etc – de fato tem um conjunto de situações negativas que se associa ao consumo e caracteriza essa vulnerabilidade.
Entretanto, é importante também discutir os padrões de consumo que existem também nesse cenário desfavorável. Se tomarmos para efeito de raciocínio os artigos e as experiências dos colegas do Canadá, com um contexto que não é da mesma vulnerabilidade do Brasil, eles têm relatos de acompanhamento de pessoas que usam crack há 20 anos. De pessoas que usam crack com certo grau de estabilização há mais de 10, 15, 20 anos. Então nós também estamos investigando no Brasil que existe aquele consumidor de crack que constrói mecanismos de resiliência, de auto-defesa, e que não se deixa devastar de uma maneira assim tao dramática como se vê mesmo no cenário aí das ruas, dessas pessoas, especialmente as muito jovens, que vivem em situação de rua e que consomem a droga. Leia o resto deste post »
Cartas na mesa – Pra não dizer que não falei de drogas
11/10/2010“Me contem, me contem aonde eles se escondem?
atrás de leis que não favorecem vocês
então por que não resolvem de uma vez:
ponham as cartas na mesa e discutam essas leis” Planet Hemp
A seção Cartas na mesa é composta por opiniões de leitores e membros do DAR acerca das drogas, de seus efeitos político-sociais e de sua proibição, e também de suas experiências pessoais e relatos sobre a forma com que se relacionam com elas. Vale tudo, em qualquer formato e tamanho, desde que você não esteja aqui para reforçar o proibicionismo! Caso queira ter seu desabafo desentorpecido publicado, envie seu texto para coletivodar@gmail.com e ponha as cartas na mesa para falar sobre drogas com o enfoque que quiser.
Na semana passada mais uma vez estivemos diante de uma denúncia de desrespeito aos direitos humanos em clínicas de “recuperação” de dependentes químicos.O redutor de danos e educador social Dênis Petuco tem um artigo interessante e esclarecedor sobre o tema, publicado pela primeira vez no livro Outras palavras sobre o cuidado de pessoas que usam drogas, editado Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul. Dênis, que já passou por uma experiência de internação num local desses em 1989, cedeu o artigo para o Cartas na Mesa, no qual conta um pouco de sua experiência contextualizando-a num panorama mais amplo, confiram abaixo:

Pra não dizer que não falei de drogas
O cuidado de pessoas que usam drogas e a luta antimanicomial
Em 1990, Austragésilo Carrano lançava “Canto dos malditos”, depoimento sobre os horrores do cotidiano manicomial, com a potência característica dos textos escritos na primeira pessoa. Já ali, a lembrança de que não foram apenas os loucos a sofrerem mortificações por detrás dos muros dos hospícios; nas casas verdes (públicas ou privadas) espalhadas pelo Brasil afora, sempre houve (houve?) lugar garantido para as pessoas que usam álcool e outras drogas.
Mas não é do livro de Carrano que eu gostaria de falar, e sim de outro lançado em 1993. Em “Ala fechada”, Caho Lopes descreve sua passagem por uma clínica especializada no tratamento de pessoas que usam drogas, em Porto Alegre. A história, ocorrida em 1992, quando o autor tinha 28 anos, rendeu não apenas o livro, mas uma série de reportagens para a televisão, algumas das quais podem ser encontradas ainda hoje no YouTube (basta que se escreva o nome do autor). Mas não chegou a virar filme como o livro de Carrano, cuja versão cinematográfica foi idealizada por Kátia Lund, com o nome de “Bixo de Sete Cabeças”.
Em “Ala fechada”, o pesadelo manicomial é descrito a partir das especificidades das pessoas que usam drogas. Maus tratos, tortura, cárcere privado, uso indiscriminado de fármacos. Qualquer tipo de questionamento com respeito ao modelo de recuperação era identificado como “sintoma”, como “manipulação”. Remédios eram utilizados como forma de castigo, e não como parte um processo terapêutico. Do lado de fora, os familiares eram induzidos a pensar que estavam fazendo o melhor pelo seu filho. Logo nas primeiras páginas, vemos o dono da clínica explicar ao pai de Klaus (personagem de Caho), que o tratamento dura em média dois anos. Sem visitas.
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Em 1989, eu passei por este mesmo lugar batizado no livro com o nome de “Jirinovski”, ainda que no relato de Caho ele não se situe no mesmo endereço do lugar em que fui internado; é que pouco tempo depois de eu ter passado por lá (três anos antes da passagem de Caho), ocorreu um motim que resultou na interdição do prédio. No livro, a Jirinovski fica em um bairro chamado “Campo Novo”, numa chácara localizada “em média uns trinta e cinco minutos de Petrópolis” (LOPES, 1997, p. 31); já eu, fiquei em uma casa situada num bairro próximo ao centro de Porto Alegre, a não mais de 15 minutos de Petrópolis, se muito[1].
No livro de Caho, o referido motim emerge em meio às reminiscências matutinas do personagem que encarna o dono da clínica. Lembra do dia em que recebeu um telefonema de um dos seguranças informando que os internos tinham sequestrado uma estagiária, e mantinham-se isolados no andar de cima. Ao chegar, o Dr. Edgar[2] percebe que os “rebeldes” entraram em contato com a imprensa. De uma das janelas do prédio, voltada para a calçada, em frente às câmaras de televisão, um interno chamado Afonso mantém um caco de vidro encostado no pescoço da estagiária. O que segue, o livro descreve assim:
Afonso denunciou, perante toda a mídia e cambada de curiosos ali presentes, os abusos e maus tratos a que eram submetidos. Contou praticamente tudo: pacientes encarcerados por dois, três, até mesmo quatro anos sem sequer se comunicar com a família; das periódicas revistas, feitas até nos orifícios anais, em que procuravam possíveis armas fabricadas pelos pacientes; abusos sexuais por parte de seguranças e chefes de plantão, o escárnio dos psiquiatras para com eles; enfim, tudo o que a clínica sempre manteve entre suas paredes. (LOPES, 1997, p. 33) Leia o resto deste post »
DDD (Dica Do DAR) – Rage Against The Machine against the machine!
10/10/2010
“It has to start somewhere, it has to start some time,
What better place than here? What better time than now?
Ah, hell, can’t stop us now”
- Rage Against the Machine, Guerilla Radio
O DDD desta vez vai da uma dica de algo que já aconteceu. Um relato sobre o show do Rage Against the Machine no SWU e algumas dicas de vídeos e músicas da banda que não deixou a luta morrer durante os últimos anos.
Neste sábado, 10 de outubro, a banda californiana Rage Against the Machine se apresentou em Itu, no Festival Starts With You, o SWU. Foi um encontro, que, nas palavras de Zack de la Rocha, vocalista da banda, “took far too long to happen” [demorou demais para acontecer]. Afinal, pela primeira vez o Rage pisava na América do Sul para gritar suas canções anticapitalistas.
Infelizmente, o encontro não aconteceu num festival também anticapitalista, que reunisse bandas de todo o mundo, talvez na Escola Nacional Florestan Fernandes do MST, mas no hipócrita SWU. Com um discurso verde vazio, ares grandiosos de merchandising e marketing, o evento cobrou entradas caríssimas e tentou vender um ambientalismo tão preocupado com o verde quanto a equipe de propaganda da Heineken, uma das principais patrocinadoras do evento.
Com slogans sobre pequenas ações geram grandes mudanças, eles esqueceram o papel das grandes poluidoras e da ação coletiva. Por 250,00 R$ a entrada mais barata, somado ao estacionamento extorsivo que variava de R$ 50,00 até 150,00 R$ o dia, ficou caro ver Zack de la Rocha e Tom Morello. Até para os fãs mais obstinados. Isso sem contar que até às 20h de sábado a polícia tinha feito mais de 70 apreensões de drogas no show: liberdade para o verde? Nem pensar!
Mas o show do Rage compensou todas as merdas: demora pra chegar, tudo caro, aperto. Quando uma sirene anunciou a entrada da banda e a estrela vermelha do socialismo subiu no telão, instalou-se o frenesi. De um aperto tremendo o público começou a se mexer, pular correr, gritar. Finalmente tinhamos o RATM no Brasil.
As músicas levantaram todos que estavam no SWU e rodinhas rolaram soltas. Uma ocupação indevida da área premium levou o show a parar. Os seguranças agiram com a truculência de sempre para proteger os privilégios do VIP mas o fato é que muita gente conseguiu assistir o show de pertinho.
E foi uma bela apresentação, cheia de energia. Apesar da Globo e sua afiliada o Multishow terem cortado o espetáculo na metade para quem tava de fora (alguém dúvida que por causa das mensagens de esquerda e pela estrela vermelha?). Outro ponto baixo foi a falha no som durante uma das músicas, causando imensa tristeza e raiva nos fãs, que cantavam “SWU, vai tomar no cu”. Na verdade, SWU também pode ser substituído por Globo, Serra, Veja, Dilma etc. Sobrou para todo mundo na hora em que os fãs resolveram se manifestar junto coma banda.
Houve dedicatória de músicas ao MST (ême-ése-ti), a People of The Sun (veja abaixo). E a dedicatória não fica só no simbólico já que banda doará parte do cachê para o movimento.
E o Rage é uma daquelas bandas que são essenciais. No grande marasmo do careta rock indie, de bandas mais preocupadas com a conta bancária e o sapato que usarão nos shows do que com a barbárie da sociedade capitalista, eles definitivamente destoam. Ficaram ao lado dos zapatistas no México, participam de manifestações, onde cantam suas músicas “à capella” (veja abaixo).
Surgiram em 1991, pouco depois da queda do muro de Berlim e mostraram que a luta ainda existe e é necessária. Mantiveram, apesar de estar em grandes gravadoras, uma postura rebelde e anti-sistêmica que se revela nas letras e nos clipes. Influenciaram uma geração inteira a pensar mais além. Quem com seus 20 e poucos anos não passou a adolescência ouvindo RATM e questionando os rumos do mundo. E quantos de nós não fazem isso até hoje?
Ainda bem que tem o Rage.
E pra quem quiser saber mais, tem esse ótimo documentário na íntegra:
Mais sobre RATM:
A banda tambem apoia o Axis of Justice, iniciativa do Tom Morello e Serj Tanklan que agrupa artistas e fans em prol das lutas por justica social.
Veja também o site do grupo.
Pesquisa aponta liderança do SIM em plebiscito pela legalização da maconha na Califórnia
05/10/2010
2 de novembro é a data de uma eleição que pode de fato mudar algo sobre políticas de drogas. Diferente do segundo turno no Brasil, onde dois candidatos proibicionistas se enfrentam, o plebiscito que decidirá sobre a aprovação ou não da Proposta 19 na Califórnia pode ter impactos nas políticas de drogas do mundo inteiro. A Proposta 19 legaliza produção, venda e consumo de maconha para maiores de 21 anos no estado, o que geraria 1,4 bilhão de dólares em impostos.
Segundo pesquisa divulgada no último dia 26 de setembro, 49% das pessoas pretende votar sim, enquanto 42% opta por enquanto pelo não. No começo de julho o SIM perdia por quatro pontos percentuais.
8 entre 10 entrevistados já tinham ouvido falar da proposta e se mostram interessados no resultado do plebiscito. 60% dos democratas disseram aprovar a 19, contra apenas 27% de republicanos.
Há uma intrigante diferença de gênero também: enquanto no caso dos homens o SIM vence (54% contra 38%), no caso das mulheres há uma vitória do NÃO por dois pontos percentuais (46% contra 44%). Os jovens são os principais apoiadores: na faixa das pessoas com menos de 40 anos o placar é 59% favoráveis ao SIM contra 33% do NÃO; já no caso dos maiores de 65 anos, a oposição a proposta vence (53% a 36%).
A pesquisa também faz um recorte racial, apontando vitória do SIM nas três categorias apresentadas: 50 a 42 no caso dos “brancos não-hispânicos”, 46 a 43 nos “latinos” e 47 a 44 nos “afro-americanos, asiáticos-americanos e americanos nativos”.
Grupo de teatro promove debate sobre prisão nas ruínas do Carandiru
03/10/20102 de outubro de 2010, 18 anos do massacre do Carandiru.
Da Casa de Detenção sobraram uma muralha e ruínas do que seriam solitárias (antônimo do “sonho dentro de um sonho”, de Alan Poe, são o espaço da brutalidade dentro da brutalidade) do Carandiru II, jamais construído, mas certamente existente. O presídio que chegou a ser o maior da América Latina foi desativado e demolido, virou parque, Parque da Juventude. Mas é fundamental que não esqueçamos o que aconteceu ali, como bem disse Julia Neiva, uma das convidadas para a conversa “linhas de fuga: a mémoria, a cidade e a prisão”, realizada pelo Grupo do Trecho neste último sábado, véspera de eleição. Além de Júlia, estiveram presentes os antropólogos Adalton Marques e Karina Biondi, o sobrevivente Luiz Alberto Mendes, o rapper Pixote e o grupo Ca.Ge.Be.
Atualmente trabalhando na penitenciária feminina do Butantã, Km19,5 da Raposo Tavares, o Grupo do Trecho disputa espaço com empresas interessadas em trabalho escravo das presas e um sistema prisional desinteressado por qualquer coisa que possa humanizar essa vingança desumana chamada prisão. Buscam, vejam só vocês, “criar a partir da prisão”. Antes da conversa, apresentaram um pouco desta caminhada, numa intervenção encenada nas ruínas do antigo presídio mas construída sobre as vivíssimas ruínas de um país que tem a terceira população carcerária do planeta. Leia o resto deste post »
Vídeos do evento DROGAS E ELEIÇÃO 2010, organizado pelo DAR
29/09/2010No dia 14/09 o DAR reuniu candidatos com propostas de alternativas à atual política de drogas para um debate na Faculdade de Direito da USP. Confira abaixo os vídeos do evento, divididos em 9 partes.
Dia latino-americano e caribenho pela legalização do aborto
28/09/2010Como já comentamos em um texto anterior (veja aqui), existe grande afinidade entre a luta das mulheres por direito a seus corpos e o antiproibicionismo. Hoje, dia 28, é o Dia Latino-americano e caribenho pela legalização do aborto. O DAR está junto nessa: “As mulheres decidem, a sociedade respeita, o Estado garante e a Igreja não intervém”!
DDD (Dica Do DAR) – solidariedade ao Real Parque e eventos importantes nesta semana
26/09/2010A Dica do DAR desta semana começa conclamando os leitores paulistanos a ajudarem como puderem os desabrigados do incêndio acontecido na última sexta-feira na favela Real Parque, zona sul de Sampa. São cerca de 1300 pessoas que necessitam do máximo de ajuda possível. Clicando aqui você pode saber como proceder.
Durante esta semana teremos eventos muito interessantes, que trazem debates profundos e fundamentais. Na USP acontecerá o Seminário Internacional Guerra e História, com incontáveis mesas e acadêmicos de peso presentes, do dia 28 ao dia 30. A programação completa pode ser vista aqui.
Já na PUC, o Centro Acadêmico Benevides Paixão organiza a Semana contra a criminalização da pobreza, que debaterá questões prementes como PCC, historiografia das favelas e drogas e criminalização da pobreza, esta com presença do DAR. Confira abaixo programação completa e cartaz.
2ª Feira – 27/09
19h: projeção do filme “Notícias de uma Guerra Particular”, de João Moreira Salles no CA Benevides Paixão
4ª Feira – 29/09
10h: debate – historiografia da periferia de SP, com Daniel Hirata (sociólogo) e Carlos Filadelfo (antropólogo) – sala 333 (prédio novo)
19h: debate – o PCC, com Fábio Mallart (jornalista) e Leonardo Massud (jurista) – sala 10CA (comfil)
5ª Feira – 30/09
19h: debate – drogas e criminalização da pobreza, com Júlio Delmanto (coletivo DAR) e Givanildo Manoel (Tribunal Popular) – auditório da APROPUC, rua Bartira, 407
6ª Feira – 01/10
19h: projeção do filme “Dançando com o Diabo”, de Jon Blair + Festa no CA Benevides Paixão
Por fim, indicamos um interessantíssimo evento cultural que ocorrerá no Parque da Juventude, antigo Carandiru. Organizado pelo Grupo Trecho, o projeto Ausências irá criar a partir da prisão, também debatendo questões políticas e sociais que estão por trás da alternativa penal cada vez mais abrangente em nossa sociedade. Confira abaixo programação e cartaz.
.intervenções no parque.
memória e prisão
02.out no parque da juventude [antigo carandiru]
programação
14h. intervenções do grupo do trecho retomam nos espaços do parque o lugar da prisão.
15h30. [conversa pública] linhas de fuga: a mémoria, a cidade e a prisão.
convidados
adalton marques. Possui graduação em Sociologia e Política pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (2006), mestrado em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (2010) e cursa graduação em Filosofia pela mesma instituição. Atualmente é pesquisador do Hybris (Grupo de Estudo e Pesquisa em Relações de Poder, Conflitos e Socialidades) e do NADIR (Núcleo de Antropologia do Direito), ambos núcleos de pesquisa do Departamento de Antropologia da USP. Pesquisa prisioneiros, “comandos” prisionais e sistema penitenciário.
jacqueline lima. Antropóloga em formação pela UFSCAR, pesquisa mulheres de detentos nos presídios do estado de São Paulo.
julia mello neiva. Advogada formada pela PUC-SP, especialista em direitos humanos pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e mestra (LL.M) em human rights fellow pela Law School da Columbia University-NY. É atualmente a coordenadora do Programa de Justiça da Conectas Direitos Humanos e tem atuado no combate e prevenção da tortura em unidades prisionais de adultos e jovens, combate à discriminação de gênero e de raça e promoção do acesso à justiça a grupos vulneráveis.
karina biondi. Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (2005), mestrado em Antropologia Social pela Universidade Federal de São Carlos (2009) e é doutoranda em Antropologia Social na Universidade Federal de São Carlos. Atua principalmente nos seguintes temas: PCC, prisioneiros, micropolítica, dinâmicas criminais.
luiz alberto mendes. De passagem intensa pelo sistema prisional, o escritor é autor de três livros, seu Memórias de um Sobrevivente, lançado em 2001 pela Companhia das Letras; Tesão e Prazer: Memórias Eróticas de um Prisioneiro, lançado em 2004 pela editora Geração e Às Cegas, também lançado pela editora Companhia das Letras em 2005. É também colunista da revista Trip.
18h. hip hop Ca.Ge.Be. [cada gênio do beco]
Formado na zona norte da capital de SP por Cezar Sotaque, Shirley Casa Verde e Dj Paulinho.
hip hop H2P – a confirmar
Formado por Alexandre Simões, André Simões, Leandro e Eduardo Ribeiro (www.h2p.com.br)
Cartas na mesa – “O dispositivo das drogas”
19/09/2010“Me contem, me contem aonde eles se escondem?
atrás de leis que não favorecem vocês
então por que não resolvem de uma vez:
ponham as cartas na mesa e discutam essas leis” Planet Hemp
A seção Cartas na mesa é composta por opiniões de leitores e membros do DAR acerca das drogas, de seus efeitos político-sociais e de sua proibição, e também de suas experiências pessoais e relatos sobre a forma com que se relacionam com elas. Vale tudo, em qualquer formato e tamanho, desde que você não esteja aqui para reforçar o proibicionismo! Caso queira ter seu desabafo desentorpecido publicado, envie seu texto para coletivodar@gmail.com e ponha as cartas na mesa para falar sobre drogas com o enfoque que quiser.
Desta vez trazemos um artigo apresentado noIII Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência e Profissão por Rodrigo Alencar, mestrando do Programa de Psicologia Social da PUC-SP e membro do DAR .Ele nos traz uma lúcida e interessante contextualização do atual status proibicionista e do conceito de dispositivo para analisar não só um dispositivo das drogas como também diferentes formas de se atuar nesta forma de resistência chamada antiproibicionismo. Rodrigo aponta, por exemplo, que “a guerra contra às drogas é um pretexto político, não somente para monopolizar substâncias que circulam por um mercado, mas pela manutenção do permanente estado de vulnerabilidade mantido por incursões policiais às comunidades e pela nebulosidade das leis que criminalizam o tráfico, garantindo um significativo número de pessoas de classes mais baixas encarceradas”.
O DISPOSITIVO DAS DROGAS: UMA ANÁLISE SOBRE O USO MEDICINAL DE CANNABIS, SUA INSTITUCIONALIZAÇÃO E MOVIMENTOS SOCIAIS NO EXERCÍCIO DA RESISTÊNCIA.
Este artigo tem como proposta provocar reflexões acerca de determinados processos que visam regulamentar o uso medicinal de cannabis, para articular estas reflexões me utilizo do conceito de dispositivo (FOUCAULT, 1988) (AGAMBEN, 2006) (DELEUZE, 2005), e com a leitura feita por Joanildo Burity (ano) acerca de movimentos pautados na identidade, além das discussões acerca do conceito de identidade utilizado na política nas aulas sobre “adolescência: condição paradigmática do sujeito”, ministradas pela profª Drª Miriam Debieux Rosa.
Para pensarmos tais questões, iniciemos pelo conceito de dispositivo:
O conceito de dispositivo tal como nos apropriamos foi lançado por Michel Foucault em sua obra “A história da sexualidade I: a vontade de saber”(1988), seguidamente trabalhado por Gilles Deleuze (2005) e recentemente por Giorgio Agambem (2009). Foucault constrói um conceito de dispositivo em um processo de análise da história da sexualidade, pensando os poderes que nos atravessam quando falamos, agimos, questionamos ou nos atentamos no que diz respeito ao sexo. A partir de então, compreende-se a sexualidade como um “dispositivo histórico, não à realidade subterrânea que aparece com dificuldade. Mas a grande rede da superfície em que a estimulação dos corpos, a intensificação dos prazeres, a incitação ao discurso, a formação dos conhecimentos, o reforço dos controles e das resistências, encadeiam-se uns aos outros, segundo algumas grandes estratégias de saber e de poder.”(FOUCAULT 1988:100).
Aqui temos uma série de elementos combinados que são lançados por Foucault como “estratégias de saber e de poder” ( Idem: 1988: 100), intensificação dos prazeres, incitação ao discurso, formação dos conhecimentos e reforços de controle e resistências são elementos que compõe esta rede que Foucault chama de dispositivo. Desde às descrições feita por Foucault em A História da Sexualidade (1988) até seu debate sobre o tema publicado em A Microfísica do Poder (2007), não possibilita a nosso ver, uma aplicação do conceito com o rigor que julgamos necessário para pensar as questões expostas acima. Portanto é através do texto “O que é um dispositivo?” de Giorgio Agamben (2006) é que temos uma melhor visualização do que podemos chamar de dispositivo.
Agamben define dispositivo como elemento indissociável de governabilidade e compondo a ideia de rede articulada entre elementos heterogêneos há o resgate da palavra oikonomia (economia), palavra em latim que corresponde a um “conjunto de práxis, de saberes, de medidas, de instituições cujo objetivo é gerir, governar, controlar e orientar, num sentido que se supõe útil, os gestos e os pensamentos dos homens” (2006: 39). Desta forma, tal oikonomia são saberes e práticas que realizam a gestão de dispositivos de sexualidade, das drogas, das exposições midiáticas e etc.
Tais dispositivos se atravessam e por certas passagens até mesmo se emaranham, assim como afirmado por Deleuze em seu texto “o que é um dispositivo?”. Dadas tais considerações, reconhecemos que para que possamos falar com mais propriedade sobre um dispositivo das drogas, nos situemos historicamente quanto à montagem deste dispositivo e suas implicações.
Pensar o fenômeno das drogas em nossa sociedade não é tarefa simples. Portanto é necessário lembrar que o uso, abuso e dependência de drogas é disparado como problema social e de saúde pública ao longo do séc. XX. Porém, se retornarmos à Grécia antiga, podemos encontrar registros do uso excessivo de álcool como responsável por experiências de “tentação ou de loucura divina” (CARNEIRO, 2008:67). Isto não necessariamente nos revela a existência de um elemento chamado droga já nesta época, mas sim a uma atenção quanto aos excessos e as alterações de consciência. Leia o resto deste post »
Escrito por coletivodar 







