DDD (Dica do DAR) – Cartão do usuário e cartilha “Cultiva teus direitos”

07/11/2010

Recentemente duas iniciativas de difusão de informação sobre direitos do usuário de drogas e sobre auto-cultivo de maconha começaram a ser distribuídas. A ONG Psicotropicus, do Rio de Janeiro, lançou o Cartão do usuário de drogas, sob o bordão: “abra este cartão mas não abra mão dos seus direitos”, o folheto contém oito orientações de como portar diante da polícia em caso de abordagem no momento do consumo ou do porte de drogas ilícitas. Uma reportagem sobre o projeto pode ser lida no portal Comunidade Segura, e o download dele pode ser feito aqui.

Já a cartilha do Growroom pode ser encontrada para download aqui . 5 mil cópias foram impressas e já estão sendo distribuídas em eventos antiproibicionistas.


DDD (Dica Do DAR) – Seminário Internacional “Usos e Usuários de Álcool e outras Drogas na Contemporaneidade

31/10/2010

SEMINÁRIO INTERNACIONAL “USOS E USUÁRIOS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS NA CONTEMPORANEIDADE

O Núcleo de Estudos Avançados do Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas/CETAD, Serviço da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, foi criado com o propósito de fornecer ao Governo Brasileiro informações amplas e diversificadas que possam contribuir para o debate político e, desse modo, na elaboração da política brasileira voltada às drogas e aos seus usos.

Para isso, o Núcleo de Estudos Avançados (NEA-CETAD) organiza o SEMINÁRIO INTERNACIONAL “USOS E USUÁRIOS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS NA CONTEMPORANEIDADE”, no período de 03 a 06 de novembro do corrente ano, durante o qual serão abordados os aspectos clínicos, socioculturais e urbanos, leis, violência, tão importantes para a compreensão desse fenômeno no mundo.

Abertura do evento – PALÁCIO DA REITORIA, Av. Miguel Calmon, s/n, Canela, no dia 03 de novembro às 19 horas.

Demais atividades – FIESTA BAHIA HOTEL, Av. Antônio Carlos Magalhães, n. 711, Pituba, de 04 a 06 de novembro de 2010.

VAGAS LIMITADAS, MEDIANTE O PREENCHIMENTO E ENVIO DA FICHA DE INSCRIÇÃO.

Inscrições e outras informações: Andrea Leão e Christina Vieira
muneca@uol.com.br / leão-andrea@uol.com.br

Telefones de contato: (71)3336 5341 - (71)3336 3322 – (71)3336 0466

foldercetad[1]

Leia o resto deste post »


DDD (Dica Do DAR) – filmes sobre drogas na Mostra de Cinema de São Paulo

24/10/2010

Entre os dias 22 de outubro e 3 de novembro está rolando em São Paulo um dos mais importantes festivais de cinema da América Latina, a Mostra Internacional de São Paulo. São 467 filmes de muitos países, e entre eles destacamos alguns que dizem respeito à temática das drogas (clicando nos títulos é possível ter acesso aos horários e locais onde eles serão exibidos).

O documentário Os dois escobares, produzido pela ESPN filmes, é sensacional. Traça um paralelo entre as trajetórias do zagueiro Andrés Escobar – assassinado após marcar um gol contra na Copa do Mundo 1994 -, do grande traficante Pablo Escobar e da própria Colômbia, através de muitas imagens de época e entrevistas com diversos personagens importantes, como o “número 2″, a irmã e o primo de Pablo, o ex-presidente Cesar Gaviria, e jogadores companheiros de Andrés como Valderrama e Asprilla. O docuemntário peca por contextualizar apenas a escalada do chamado cartel de Medellin (veja texto do DAR sobre a utilização do termo cartel), ignorando o processo paraelelo e distinto pelo qual passou o “cartel” de Cali: enquanto Escobar buscou a penetração direta na política e depois atos espetaculares como assassinatos de ministros e políticos, os irmãos Rodriguez Orejuela empreenderam uma política de penetração estatal via corrupção muito mais efeitva, e que marca o Estado colombiano até hoje. Além disso, o filme também toma a proibição das drogas como natural e inquestionável, deixando apenas que suas imagens impactantes mostrem o terrível impacto que ela traz sobre países inteiros, como é o caso da ainda devastada Colômbia. No entanto, é uma obra indispensável não só para os fãs de futebol (que verão lindos gols e muito da sujeira na qual o esporte sempre esteve envolvido) mas para qualquer um interessado em conhecer as nuances da história política latino-americana, que propicia que uma figura como Pablo Escobar tenha se tornado praticamente uma figura mística para muitos pobres colombianos.

Andrés Escobar marca o gol contra que lhe custaria a vida

Outro documentário bastante interessante é William S Burroughs: Um Retrato Íntimo , filme sem grandes inovações formais mas que vale pela história desse escritor, pilar de sustentação do chamado movimento beat, ao lado de Allen Ginsberg e Jack Kerouac. Homossexual, amante das drogas e das armas, Burroughs tem uma história de vida marcada pela contestação aos modelos impostos pela sociedade estadunidense do pós-guerra, e também por dramas pessoais e familiares (numa brincadeira idiota, ele assassinou sua mulher, por exemplo). O documentário traz entrevistas de figuras ligadas ao escritor, como os cantores Patti Smith e Iggy Pop, e imagens de arquivo dele com Ginsberg e com outros grandes nomes da cultura pop, como Keith Richards, Kurt Kobain, The Clash e uma série de outros por ele influenciados.

Burroughs (esquerda) e Kerouac

Partindo para a ficção, provavelmente a melhor obra que trata do tema nesta mostra é Dias Violentos, filme que pode ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pela Geórgia. Dirigido por Levan Koguashvili, o filme mostra com muita felicidade as imensas dificuldades na qual um usuário de heroína está envolvido enquanto este comércio é regido pela ilegalidade: acossado por policiais corruptos e pela inconstância do mercado, o protagonista nos traz a angústia de uma dependência regida pela falta de escrúpulos deste senhor da ilegalidade (e da política), o dinheiro.

Voltando aos documentários, mais dois títulos tratam da temática e prometem ser interessantes: 2012, tempo de mudança , de João Amorim, que busca inserir o uso de psicodélicos dentro de perspectivas mais amplas de transformação de mentalidade, e o suíço Além deste lugar, que mostra uma viagem de bicicleta entre um velho hippie e seu filho.


DDD (Dica Do DAR) – Rage Against The Machine against the machine!

10/10/2010

“It has to start somewhere, it has to start some time,
What better place than here? What better time than now?
Ah, hell, can’t stop us now”
- Rage Against the Machine, Guerilla Radio

O DDD desta vez vai da uma dica de algo que já aconteceu. Um relato sobre o show do Rage Against the Machine no SWU e algumas dicas de vídeos e músicas da banda que não deixou a luta morrer durante os últimos anos.

Neste sábado, 10 de outubro, a banda californiana Rage Against the Machine se apresentou em Itu, no Festival Starts With You, o SWU. Foi um encontro, que, nas palavras de Zack de la Rocha, vocalista da banda, “took far too long to happen” [demorou demais para acontecer]. Afinal, pela primeira vez o Rage pisava na América do Sul para gritar suas canções anticapitalistas.
Infelizmente, o encontro não aconteceu num festival também anticapitalista, que reunisse bandas de todo o mundo, talvez na Escola Nacional Florestan Fernandes do MST, mas no hipócrita SWU. Com um discurso verde vazio, ares grandiosos de merchandising e marketing, o evento cobrou entradas caríssimas e tentou vender um ambientalismo tão preocupado com o verde quanto a equipe de propaganda da Heineken, uma das principais patrocinadoras do evento.

Com slogans sobre pequenas ações geram grandes mudanças, eles esqueceram o papel das grandes poluidoras e da ação coletiva. Por 250,00 R$ a entrada mais barata, somado ao estacionamento extorsivo que variava de R$ 50,00 até 150,00 R$ o dia, ficou caro ver Zack de la Rocha e Tom Morello. Até para os fãs mais obstinados. Isso sem contar que até às 20h de sábado a polícia tinha feito mais de 70 apreensões de drogas no show: liberdade para o verde? Nem pensar!
Mas o show do Rage compensou todas as merdas: demora pra chegar, tudo caro, aperto. Quando uma sirene anunciou a entrada da banda e a estrela vermelha do socialismo subiu no telão, instalou-se o frenesi. De um aperto tremendo o público começou a se mexer, pular correr, gritar. Finalmente tinhamos o RATM no Brasil.
As músicas levantaram todos que estavam no SWU e rodinhas rolaram soltas. Uma ocupação indevida da área premium levou o show a parar. Os seguranças agiram com a truculência de sempre para proteger os privilégios do VIP mas o fato é que muita gente conseguiu assistir o show de pertinho.
E  foi uma bela apresentação, cheia de energia. Apesar da Globo e sua afiliada o Multishow terem cortado o espetáculo na metade para quem tava de fora (alguém dúvida que por causa das mensagens de esquerda e pela estrela vermelha?). Outro ponto baixo foi a falha no som durante uma das músicas, causando imensa tristeza e raiva nos fãs, que cantavam “SWU, vai tomar no cu”. Na verdade, SWU também pode ser substituído por Globo, Serra, Veja, Dilma etc. Sobrou para todo mundo na hora em que os fãs resolveram se manifestar junto coma banda.
Houve dedicatória de músicas ao MST (ême-ése-ti), a People of The Sun (veja abaixo). E a dedicatória não fica só no simbólico já que banda doará parte do cachê para o movimento.

E o Rage é uma daquelas bandas que são essenciais. No grande marasmo do careta rock indie, de bandas mais preocupadas com a conta bancária e o sapato que usarão nos shows do que com a barbárie da sociedade capitalista, eles definitivamente destoam. Ficaram ao lado dos zapatistas no México, participam de manifestações, onde cantam suas músicas “à capella” (veja abaixo).

Surgiram em 1991, pouco depois da queda do muro de Berlim e mostraram que a luta ainda existe e é necessária. Mantiveram, apesar de estar em grandes gravadoras, uma postura rebelde e anti-sistêmica que se revela nas letras e nos clipes. Influenciaram uma geração inteira a pensar mais além. Quem com seus 20 e poucos anos não passou a adolescência ouvindo RATM e questionando os rumos do mundo. E quantos de nós não fazem isso até hoje?

Ainda bem que tem o Rage.

E pra quem quiser saber mais, tem esse ótimo documentário na íntegra:

Mais sobre RATM:

A banda apoia o boicote da lei racista aprovada no estado do Arizona, que bandas a artistas articularam para apoiar as iniciativas de combate a lei.

A banda tambem apoia o Axis of Justice, iniciativa do Tom Morello e Serj Tanklan que agrupa artistas e fans em prol das lutas por justica social.
Veja  também o site do grupo.


DDD (Dica Do DAR) – Clarice Lispector

03/10/2010

“Porque quem entende desorganiza. Há alguma coisa em nós que desorganizaria tudo – uma coisa que entende. Essa coisa que fica muda diante do homem sem o gorro e sem os sapatos, e para tê-los ele roubou e matou; e fica muda diante do S. Jorge de ouro e diamantes. Essa alguma coisa muita séria em mim fica ainda mais séria diante do homem metralhado. Essa alguma coisa é o assassino em mim? Não, é o desespero em nós.”

Existem versões (ou seriam indícios?) de que a escritora Clarice Lispector teve já suas experiências com LSD e estados de consciência alterada. Muitos vêem em sua obra A paixão segundo G.H. algo como a transcrição literária perfeita de uma daquelas ondas de ácido em que você toma contato com o “infinito em todas as coisas”, como diria Wilian Blake. Comprovada ou não a faceta psiconáutica da autora, seu talento e importância são inegáveis e impossíveis de serem medidos. Lembrando ainda dos massacres que nossa polícia e nossa justiça fizeram e seguem fazendo nos Carandirus ainda de pé em nossas periferias, o DDD desta semana indica o bonito texto que Lispector escreveu sobre a morte de um bandido carioca, o Mineirinho, assasinado com 13 tiros pela polícia. Uma ótima reflexão sobre morte e vida, essas irmãs cada vez mais severinas.

Leia abaixo a íntegra do texto “Mineirinho”, de Clarice Lispector (crônica de 1978, publicada no livro “Para não esquecer”, Editora Siciliano).

“É, suponho que é em mim, como um dos representantes de nós, que devo procurar por que esta doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. A cozinheira se fechou um pouco, vendo-me talvez como a justiça que se vinga. Com alguma raiva de mim, que estava mexendo na sua alma, respondeu fria: ‘O que eu sinto não serve para se dizer. Quem não sabe que Mineirinho era criminoso? Mas tenho certeza de que ele se salvou e já entrou no Céu.’ Respondi-lhe que ‘mais do que muita gente que não matou’.

Por que? No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim.

Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me fez ouvir o primeiro tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina – porquê eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.

Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais. Para que minha casa funcione, exijo de mim como primeiro dever que eu seja sonsa, que eu não exerça a minha revolta e o meu amor, guardados. Se eu não for sonsa, minha casa estremece. Eu devo ter esquecido que embaixo da casa está o terreno, o chão onde nova casa poderia ser erguida. Enquanto isso dormimos e falsamente nos salvamos. Até que treze tiros nos acordem, e com horror digo tarde demais – vinte e oito anos depois que Mineirinho nasceu – que ao homem acuado, que a esse não nos matem. Porque sei que ele é o meu erro. Leia o resto deste post »


DDD (Dica Do DAR) – solidariedade ao Real Parque e eventos importantes nesta semana

26/09/2010

A Dica do DAR desta semana começa conclamando os leitores paulistanos a ajudarem como puderem os desabrigados do incêndio acontecido na última sexta-feira na favela Real Parque, zona sul de Sampa. São cerca de 1300 pessoas que necessitam do máximo de ajuda possível. Clicando aqui você pode saber como proceder.

Durante esta semana teremos eventos muito interessantes, que trazem debates profundos e fundamentais. Na USP acontecerá o Seminário Internacional Guerra e História, com incontáveis mesas e acadêmicos de peso presentes, do dia 28 ao dia 30. A programação completa pode ser vista aqui.

Já na PUC, o Centro Acadêmico Benevides Paixão organiza a Semana contra a criminalização da pobreza, que debaterá questões prementes como PCC, historiografia das favelas e drogas e criminalização da pobreza, esta com presença do DAR. Confira abaixo programação completa e cartaz.

2ª Feira – 27/09
19h: projeção do filme “Notícias de uma Guerra Particular”, de João Moreira Salles no CA Benevides Paixão

4ª Feira – 29/09
10h: debate – historiografia da periferia de SP, com Daniel Hirata (sociólogo) e Carlos Filadelfo (antropólogo) – sala 333 (prédio novo)
19h: debate – o PCC, com Fábio Mallart (jornalista) e Leonardo Massud (jurista) – sala 10CA (comfil)
5ª Feira – 30/09
19h: debate – drogas e criminalização da pobreza, com Júlio Delmanto (coletivo DAR) e Givanildo Manoel (Tribunal Popular) – auditório da APROPUC, rua Bartira, 407

6ª Feira – 01/10

19h: projeção do filme “Dançando com o Diabo”, de Jon Blair + Festa no CA Benevides Paixão

Por fim, indicamos um interessantíssimo evento cultural que ocorrerá no Parque da Juventude, antigo Carandiru. Organizado pelo Grupo Trecho, o projeto Ausências irá criar a partir da prisão, também debatendo questões políticas e sociais que estão por trás da alternativa penal cada vez mais abrangente em nossa sociedade. Confira abaixo programação e cartaz.

.intervenções no parque.
memória e prisão

02.out no parque da juventude [antigo carandiru]

programação

14h. intervenções do grupo do trecho retomam nos espaços do parque o lugar da prisão.

15h30. [conversa pública] linhas de fuga: a mémoria, a cidade e a prisão.

convidados

adalton marques. Possui graduação em Sociologia e Política pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (2006), mestrado em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (2010) e cursa graduação em Filosofia pela mesma instituição. Atualmente é pesquisador do Hybris (Grupo de Estudo e Pesquisa em Relações de Poder, Conflitos e Socialidades) e do NADIR (Núcleo de Antropologia do Direito), ambos núcleos de pesquisa do Departamento de Antropologia da USP. Pesquisa prisioneiros, “comandos” prisionais e sistema penitenciário.

jacqueline lima. Antropóloga em formação pela UFSCAR, pesquisa mulheres de detentos nos presídios do estado de São Paulo.

julia mello neiva. Advogada formada pela PUC-SP, especialista em direitos humanos pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e mestra (LL.M) em human rights fellow pela Law School da Columbia University-NY. É atualmente a coordenadora do Programa de Justiça da Conectas Direitos Humanos e tem atuado no combate e prevenção da tortura em unidades prisionais de adultos e jovens, combate à discriminação de gênero e de raça e promoção do acesso à justiça a grupos vulneráveis.

karina biondi. Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (2005), mestrado em Antropologia Social pela Universidade Federal de São Carlos (2009) e é doutoranda em Antropologia Social na Universidade Federal de São Carlos. Atua principalmente nos seguintes temas: PCC, prisioneiros, micropolítica, dinâmicas criminais.

luiz alberto mendes. De passagem intensa pelo sistema prisional, o escritor é autor de três livros, seu Memórias de um Sobrevivente, lançado em 2001 pela Companhia das Letras; Tesão e Prazer: Memórias Eróticas de um Prisioneiro, lançado em 2004 pela editora Geração e Às Cegas, também lançado pela editora Companhia das Letras em 2005. É também colunista da revista Trip.

18h. hip hop Ca.Ge.Be. [cada gênio do beco]
Formado na zona norte da capital de SP por Cezar Sotaque, Shirley Casa Verde e Dj Paulinho.

hip hop H2P – a confirmar
Formado por Alexandre Simões, André Simões, Leandro e Eduardo Ribeiro (www.h2p.com.br)


DDD (Dica Do DAR) – 40 anos da morte de Jimi Hendrix

19/09/2010

No último dia 18 completaram-se 40 anos da morte de um dos maiores ícones da contracultura, o guitarrista James Marshal Hendrix. Marcando a data, indicamos o download de Jimi Hendrix – A film about, documentário de1973 com aparições ao vivo de Hendrix e depoimentos de Eric Clapton, Lou Reed, Mick Jagger e outros. O Torrent pode ser encontrado aqui.

Indicamos também dois interessantes textos sobre vida e obra do artista. O primeiro é “Uma fender na mão e muita psicodelia na cabeça”, do site Na mira do groove, detalhado texto permeado por alguns vídeos. E abaixo colamos “Uma história da vida de Jimi Hendrix” (do site Do prórpio bolso), de Mário Pacheco, no qual ele conta por exemplo: “A imagem que ficou de Jimi como um super-drogado é mais um dos falsos mitos que nasceram nos anos inquietos da década de 60. A imprensa em geral queria fazer de Hendrix um espantalho para ‘tragédia das drogas’. Os decretadores oficiais de overdoses, pressionaram o médico que o autopsiou para contar uma história de dose excessiva de heroína. O médico não cedeu. ‘Hendrix não tinha marcas nos braços ou em qualquer outra parte do corpo. O remédio que o matou está à venda em qualquer farmácia’”.

Uma história da vida de Jimi Hendrix
(Mário Pacheco)

Além de atordoar as platéias, Hendrix parecia cada vez mais atordoado pelo mundo absurdo em que se locomovia. Excursionando pela Suécia, em janeiro de 1968, Hendrix brigou com os companheiros do Experience, particularmente Noel Redding, quebrando todo o quarto do Hotel Opelan, em Gotemburgo e o caso foi parar na polícia. No dia 4 de janeiro, noticiou-se que ele havia sido detido pela polícia por 12 horas, depois de “danificar seu quarto de hotel”. Fotografias mostravam Jimi de cabeça abaixada, escoltado por dois policiais. Seu passaporte foi apreendido e Jimi passou a noite na cadeia. Mencionou-se que ele estava bêbado. Quando acordou, Jimi se desculpou e para aliviar a barra, concordou em pagar os estragos ($475 libras). Os jornais diziam que ele “estava tocando bateria no quarto, e então quebrou as janelas, espelhos e cadeiras”. Durante a noite, hóspedes e funcionários do hotel ouviram gritos vindos do seu quarto. A polícia afirma que só prendeu Hendrix depois que três de seus colegas tentaram acalmá-lo. Leia o resto deste post »


DDD (Dica Do DAR) – Semana de Resistência Osama Bin Reggae‏

12/09/2010
A Democracia é o Terror!!!

Venham participar da semana de Resistência Osama Bin Reggae!  Esse ano, teremos como pano de fundo da semana a questão da democracia na nossa sociedade, apontando as suas contradições e denuciando a barbárie que se realiza cotidianamente sob o seu nariz.

Dizem que o sistema democratico não é perfeito, mas é o melhor dos sistemas…o melhor pra quem, cara-pálida? É assim que queremos viver? Com essa justiça, com essa política? Nos relacionando pela mercadoria e nos realizando enquanto mercadoria?

Nunca nos venderam tanto a sensação de liberdade; nunca fomos tão vigiados, reprimidos e violentados. Um discurso homogênico não consegue se sustentar por tanto tempo em cima de tantas diferenças… O terror não está contra nós…está ao nosso lado.

vamo ae! mta gente boa pra trocar idéia!

Segunda, 13 set
18h00 debate Guerra Contra a Democracia:
nem Obama nem Osama
20h30 Longa: Uma Onda no Ar
Terça, 14 set
17h Longa: Memórias del Saqueio
19h00 debate Copa do Mundo 2014:
FIFA contra a Rapa
22h45 Som no Aquário: Doutores indianos
Zine
Quarta, 15 set
18h Som no Aquário: XEMALAMI
Unidade
19h30 debate Guerrilhas no ar:
a experiência das Rádios Livres
Quinta, 16 set
17h Curtas: Levante sua Voz
London Pirate Frequences
Longas: Piratas do Rock
O Pesadelo de Darwin
Noite do Vinil: Feira de Trocas
Sexta, 17 set.    FESTA
A partir da 23h: Bateria Gaviões da Fiel Rua São Jorge
Familia Gold Black
Zafenate
Ambulantes
Guerreiros de Sião
Força da Paz
&
Rádio Vitrola, Abracadabra Sistema de Som e Quilombo Hi-fi
com a presença de: Família Gold Black, Rádio Muda, Coletivo Radioativo, Gaviões da Rua São Jorge, Frente Anarquista Zabalaza da África do Sul,  Rádio Várzea,  MULP (movimento de urbanização e legalização do Pantanal), Movimento Passe Livre, Rádio Luta, Autônomos FC. Ambulantes, Zafenate, , Guerreiros de Sião, Força da Paz, Doutores Indianos, XEMALAMI, Zine, Quilombo Hi-fi, Unidade, Radio Vitrola e Abracadabra Sistema de Som

DDD (Dica Do DAR) – análises etnográficas

05/09/2010

O DDD desta semana traz dois estudo etnográficos. O primeiro, “Da cracolândia aos nóias: percursos etnográficos no bairro da Luz“,  de Heitor Frúgoli Jr, professor do departamento de antropologia – USP, e Enrico Spaggiari, doutorando em antropologia social – USP, foi publicado na  Ponto Urbe (revista do núcleo de antropologia urbana da USP).  O artigo, resultado do acompanhamento do trabalho do Centro de convivência É de Lei, é indicado a todos os interessados em crack, cracolândia e RD.

Já o segundo se trata de uma análise netnográfica. Isso mesmo, o estudo é uma etnografia psiconáutica da internet, especialmente de uma comunidade virtual, a Enteógenos sem dogmas (orkut.com). Assim, “Alquimistas do êxtase”, apresentado por Iago Pereira como monografia de conclusão do curso de Ciências Sociais da UFMG, debruça-se sobre o movimento psicodélico na contracultura e na psiconáutica tomando como objeto de estudo o espaço de convivência social supracitado. 

Leia o resto deste post »


DDD (Dica Do DAR) – semana quente

22/08/2010

O DDD de hoje é um post sobre a semana que começa agora dia 23 e sobre a estréia de um filme. Semana importante, que promete repercussões.

1-) Cortina de Fumaça coloca em discussão a política de drogas proibicionista. A partir da perspectiva de dar atenção às consequências político-sociais do proibicionismo, o jornalista Rodrigo Mac Niven faz entrevistas nacionais e internacionais com médicos, pesquisadores, líderes políciais, representantes de movimentos civis.

Mais info: http://cortinadefumaca.com


2-) O Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM promove anualmente um Seminário Internacional, que tem como objetivo difundir conhecimentos cientificos-criminais interdisciplinares. O público do Seminário Internacional do IBCCRIM é composto por advogados, defensores públicos, promotores, magistrados, delegados, sociólogos, psicólogos, assistentes sociais, estudantes e profissionais do Direito.
A programação do Seminário deste ano traz para falar no tema de política sobre drogas Fernando Henrique Cardoso, em uma audiência pública, e Ethan Nedelmann em uma atividade para inscritos.

Mais info: http://ibccrim.org.br/seminario/2010/seminario.php
Alamedas Santos 1437, Hotel Tivoli Mofarrej, proximo a estação Trianon Masp de Metrô.

Dia 24, 19h – Audiência Pública (aberta)
Repressão das drogas e o mundo contemporâneo – Fernando Henrique Cardoso

Dia 25, 10h40 – Mesa principal (atividade somente para inscritos)
Política de Drogas – Ethan Nedelmann


3-) No Rio de Janeiro nesta quinta e sexta-feira acontece a II Conferência Latinoamericana e I Conferência Brasileira sobre Politica de Drogas. Vale muito a pena visitar o site e conferir a programação. Destaque para a grande presença de participantes da América Latina.

Mais info: http://conferenciadrogas.com/
de 26 e 27 agosto


DDD (Dica Do DAR) – músicas buena onda

15/08/2010

O DDD desta semana é musical. Para além do debate político dos efeitos sociais e econômicos do proibicionismo das drogas, não podemos deixar de sempre lembrar como a experiência de estados alterados de consciência tem sido historicamente buscada pela humanidade, e pode ser ampliadora de horizontes, relaxante, criativa, reveladora… ou simplesmente divertida. É o que se chama de uso recreativo das drogas, sejam lícitas ou ainda não.

No caso da arte isso não é diferente, e a música é um dos campos em que esta ligação é mais explícita, seja na influência destas experiências na produção das músicas ou na simples recepção do público, que pode navegar de forma diferenciada no som, dependendo do nível de abertura de suas portas da percepção. O DDD desta semana indica três coletâneas de músicas relativas à maconha, e uma lista de 50 discos de rock psicodélico.

Primeiramente indicamos as duas coletâneas do Hempadão, site referência em cultura canábica. O volume um pode ser baixado aqui, e o dois aqui. Se neste temos nomes de peso como Mv Bill, Gil, S.O.J.A. , Planet Hemp e o gênio Peter Tosh, o volume um não fica atrá, e tem desde Mc Catra ao hippão Ventania – sem falar na música composta pela própria galera do Hempadão, a excelente “Se liga secretário”.

Outro disco indicado é a coletânea “Música para fumar Yerba”, que traz Raíces y cultura, Morodo e outros, mas na qual destacamos “No nos quieren”, de Mefe. “Ellos levantan imperios/ellos a costa de esclavos/A nosotros nos basta con el mechero/sentarnos al sofá y fumar marihuana”…O download é neste link (atenção que o arquivo tem senha, contida no próprio link).

Por fim, pra não dizer que só falamos de flores, confiram o especial “Uma viagem pelo rock psicodélico em 50 discos”, do site Viagem a cores. Como aponta a introdução, “A idéia desta lista é resumir a grande transformação que o rock atravessou entre 1966 e 1970. Da psicodelia; do uso de drogas como maconha e LSD como principais fontes de criatividade; do momento mágico chamado Woodstock; até da chegada do Heavy Metal pelas mãos do trio Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple, fato esse que soterrou a alegre psicodelia para mostrar que os anos 70 seriam muito mais sombrios”. Confira clicando aqui.


DDD (Dica do DAR) – Chicho Sanchez Ferlosio e a marijuana

08/08/2010

“Dicen que la patria es
un fusil y una bandera.
Mi patria son mis hermanos
que están labrando la tierra”

Canción de soldados

Nascido em 1940, o espanhol José Antonio Sánchez Ferlosio se tornou mais conhecido como Chicho Sánchez Ferlosio. Poeta, escritor, cantor e compositor, nunca fez questão de se alinhar a cultura oficial, tendo poucas de suas canções gravadas por ele mesmo, e lançado somente um disco, no período em que estava exilado por questionar a ditadura franquista. Compõs diversas canções que contestavam a ditadura nos anos 60, algumas delas de forma anônima, como Gallo rojo, gallo negro e La paloma de la paz.

Inicialmente militante de partidos comunistas, Ferlosio aproximou-se cada vez mais do anarquismo em sua trajetória, e ao morrer (em 2003) era grande crítico da globalização e das intervenções estadunidenses no Iraque e no Afeganistão. Suas canções foram gravadas por diversos intérpretes famosos, como Joaquín Sabina, Amancio Prada, Quilapayún e Soledad Bravo, e por muitos anos foram tocadas por ele nas noites de Madrid.


Em mais um capítulo da longa relação entre os ideais antiproibicionistas e o pensamento progressista e libertário, o DDD desta semana indica o seguinte vídeo, no qual Ferlosio mostra ao documentarisa Fernando Trueba sua plantação de cânhamo, e comenta sobre o absurdo da proibição e da demonização desta planta. O trecho faz parte do comentário “Mientras el cuerpo aguante” (Enquanto o corpo aguente), de 1982.

Como um chorinho, indicamos também a belíssima canção Milonga del moro judio, do uruguaio Jorge Drexler, composta a partir de versos de Ferlosio e também um áudio de próprio Ferlosio cantando Gallo negro, gallo rojo, música que opunha o vermelho da anarquia ao preto fascista e se tornou um hino do movimento antifranquista, comparável em simbologia e importância ao que a Internacional representa para os comunistas ou “A las barricadas” para os anarquistas da Guerra Civil Espanhola de 1936. Para acompanhar as letras destas canções, clica nos nomes delas neste parágrafo. O vídeo em que Ferlosio comenta sobre a maconha infelizmente não está legendado.


DDD (Dica Do DAR) – A polícia me parou. E agora?

01/08/2010

No DDD de hoje, vamos mostrar uma cartilha publicada pelo Ministério da Justiça, com apoio da Secretaria Especial de Direitos Humanos.

Ela fala sobre o que é permitido e o que não é numa abordagem policial.
Claro que a cartilha explica de maneira muito simples e direta, e a realidade normalmente nao funciona na de maneira ideal. Além dos diversos problemas que sabemos que ocorrem de abuso de autoridade, a cidadania por parte do “abordado” também é muito inconstante. A postura “voce sabe com quem está falando?” é algo comum. O que pretende alguem que mantém esta postura? Reproduzir o abuso de autoridade?

No Growroom, o maior portal de usuários de cannabis no Brasil, acontece a construção coletiva de uma cartilha para defender a cidadania e o Direito nos casos de abordagens policiais, tratando de modo específico a partir de experiências relatadas pelos usuários.

Para montar imprima e dobre onde tem uma linha branca.
Baixe, compartilhe e use o arquivo abaixo.

A polícia me parou. E agora?


DDD (Dica Do DAR) – Maria Lúcia Karam fala em debate no RJ

25/07/2010

O DAR recomenda nesta semana atenção à fala da juíza aposentada Maria Lucia Karam na mesa que tratava da guerra às drogas ocorrida no Fórum Social Urbano, realizado no Rio de Janeiro, no mês de março.


DDD (Dica Do DAR) – liberdade ainda que tardia

18/07/2010

Depois de duas semanas preso sob a acusação de tráfico de drogas, Pedro, baixista da banda Ponto de Equilíbrio, foi solto na semana passada. A Justiça acolheu a alegação da defesa, de que os pés de maconha encontrados na casa de Pedro eram para consumo pessoal. Sua prisão não é menos absurda do que a dos 86 mil detentos por crimes relacionados à droga no Brasil, mas mostra como nem mesmo a atual lei proibicionista, que prevê a hipócrita e mal definida diferenciação entre traficantes e usuários, é seguida de fato.

O DDD desta semana indica duas músicas relacionados a este momento difícil na vida de Pedro mas importante para a luta antiproibicionista, por trazer à tona o debate sobre a irracionalidade de nossa atual lei, e também por mostrar a maneira tosca como ela é cumprida. Esperamos que o debate não se esgote na demanda por liberdadade para o cultivo de maconha para consumo pessoal, bandeira muito importante mas absolutamente insuficiente para lidar com os profundos impactos do proibicionismo das drogas.

A primeira música indicada é Por cultivar marijuana, da banda argentina de reggae Resistencia Suburbana, e conta a história de um usuário medicinal de maconha preso por conta deste seu hábito, que não se relacionava de maneira alguma com o chamado “crime organizado”. A semelhança existe tanto com o caso de Pedro quanto de José Godoy, também recentemente libertado. Indicamos a seguir Santa kaya, música do disco novo do Ponto de Equilíbrio, que conta um pouco da arbitrariedade da proibição da maconha e clama pela liberação de seus usos medicinal e cerimonial. Seguem os dois vídeos, as letras podem ser conferidas clicando nos nomes das músicas acima.


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.