Novo livro de Henrique Carneiro

18/10/2010

Nesta terça a noite, o historiador antiproibicionista Henrique Carneiro lança seu novo livro em São Paulo (convite para o evento aqui).

‘A abstinência também é um excesso’

Marina Lemle , Comunidade Segura

ENTREVISTA / Henrique Carneiro

henrique_carneiro.jpgO ideal de uma sociedade abstêmia de bebidas alcoólicas e outras substâncias psicoativas não é só irrealizável como indesejável, já que pressupõe uma tutela estatal sobre o direito de livre escolha, os estilos de vida e as práticas corporais.

A afirmação é do professor de História Moderna da USP, Henrique Carneiro, autor de “Bebida, abstinência e temperança na história antiga e moderna”, da Editora Senac – São Paulo, que será lançado dia 19 de outubro, na Livraria da Vila, em São Paulo.

No livro, assim como nesta entrevista ao Comunidade Segura, Carneiro aborda o significado da bebida, seus efeitos, sua relação com o divino e com a história das sociedades e discute a questão da abstinência, do excesso e da temperança, que resultaram na procura de um ponto de equilíbrio e moderação por meio de normas, regras, leis, pedagogias e etiquetas sobre como beber adequadamente.

Doutor em História Social e membro do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (Neip), Carneiro também é autor da “Pequena enciclopédia da história das drogas e bebidas e de Comida e Sociedade: uma história da alimentação”, da editora Campus, e de “Filtros, mezinhas e triacas: as drogas no mundo moderno”, ”A Igreja, a medicina e o amor: prédicas moralistas da época moderna em Portugal e no Brasil”, “Amores e sonhos da flora” e “Afrodisíacos e alucinógenos na botânica e na farmácia”, todos da Xamã Editora. Junto com o historiador Renato Pinto Venancio, ele é organizador de “Álcool e Drogas na História do Brasil”, da editora Amameda, e com Beatriz Caiuby Labate, Sandra Goulart, Maurício Fiore e Edward MacRae – seus colegas pesquisadores do Neip – de “Drogas e Cultura: Novas Perspectivas”, da Edufba.

Qual o principal objetivo do livro “Bebida, abstinência e temperança na história antiga e moderna”?

O principal objetivo do livro é inventariar um conjunto de atitudes sobre o bom e o mau beber ao longo da história ocidental e tentar recuperar noções de virtudes éticas, como a da temperança, como instrumentos úteis para a autogestão das condutas de ingestões, não só de bebidas, como também de alimentos, num sentido de evitar os riscos vinculados a usos problemáticos, abusivos ou compulsivos e buscar uma ética da autorresponsabilidade em relação aos padrões de consumo. Leia o resto deste post »


18 anos do massacre do Carandiru

02/10/2010

2 de outubro de 1992. Após uma briga entre presos, supostamente iniciada em um jogo de futebol, uma rebelião estoura como costumam estourar as rebeliões: uma pequena faísca tira debaixo do tapete anos e anos de maus tratos, injustiças e agressões dessa que é a maior das agressões, a prisão. Mais de 300 policiais, a maioria sem identificação, liderados pelo asqueroso Coronel Ubiratan Guimarães – respaldado pelo então governador Luis Antonio Fleury Filho e seu secretário Pedro de Franco Campos – invadem a Casa de Detenção para “conter” os rebelados. Ao menos 111 são mortos (cifras não oficiais apontam para ao menos 200), sob o silêncio sorridente de São Paulo, como cantou Caetano. A perícia concluiu que ao menos 70% dos tiros foram na cabeça ou no tórax, nada muito diferente do que continua sendo feito todos os dias nas periferias, rebeladas ou não. Só um policial foi condenado, o cel. Ubiratan, a 632 anos de prisão. No ano seguinte ele foi eleito deputado.

Cenário retratado pelos Racionais MC’s, em Diário de um detento:

“Dois ladrões considerados passaram a discutir.
Mas não imaginavam o que estaria por vir.
Traficantes, homicidas, estelionatários.
Uma maioria de moleque primário.
Era a brecha que o sistema queria.
Avise o IML, chegou o grande dia.
Depende do sim ou não de um só homem.
Que prefere ser neutro pelo telefone.
Ratatatá, caviar e champanhe.
Fleury foi almoçar, que se foda a minha mãe!
Cachorros assassinos, gás lacrimogêneo…
quem mata mais ladrão ganha medalha de prêmio!
O ser humano é descartável no Brasil.
Como modess usado ou bombril.
Cadeia? Claro que o sistema não quis.
Esconde o que a novela não diz.
Ratatatá! sangue jorra como água.
Do ouvido, da boca e nariz.
O Senhor é meu pastor…
perdoe o que seu filho fez.
Morreu de bruços no salmo 23,
sem padre, sem repórter.
sem arma, sem socorro.
Vai pegar HIV na boca do cachorro.
Cadáveres no poço, no pátio interno.
Adolf Hitler sorri no inferno!
O Robocop do governo é frio, não sente pena.
Só ódio e ri como a hiena.
Rátátátá, Fleury e sua gangue
vão nadar numa piscina de sangue.”

Cartas na mesa – “O dispositivo das drogas”

19/09/2010

“Me contem, me contem aonde eles se escondem?
atrás de leis que não favorecem vocês
então por que não resolvem de uma vez:
ponham as cartas na mesa e discutam essas leis” Planet Hemp

A seção Cartas na mesa é composta por opiniões de leitores e membros do DAR acerca das drogas, de seus efeitos político-sociais e de sua proibição, e também de suas experiências pessoais e relatos sobre a forma com que se relacionam com elas. Vale tudo, em qualquer formato e tamanho, desde que você não esteja aqui para reforçar o proibicionismo! Caso queira ter seu desabafo desentorpecido publicado, envie seu texto para coletivodar@gmail.com  e ponha as cartas na mesa para falar sobre drogas com o enfoque que quiser.

Desta vez trazemos um artigo apresentado noIII Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência e Profissão por Rodrigo Alencar, mestrando do Programa de Psicologia Social da PUC-SP e membro do DAR .Ele nos traz uma lúcida e interessante contextualização do atual status proibicionista e do conceito de dispositivo para analisar não só um dispositivo das drogas como também diferentes formas de se atuar nesta forma de resistência chamada antiproibicionismo. Rodrigo aponta, por exemplo, que “a guerra contra às drogas é um pretexto político, não somente para monopolizar substâncias que circulam por um mercado, mas pela manutenção do permanente estado de vulnerabilidade mantido por incursões policiais às comunidades e pela nebulosidade das leis que criminalizam o tráfico, garantindo um significativo número de pessoas de classes mais baixas encarceradas”.

O DISPOSITIVO DAS DROGAS: UMA ANÁLISE SOBRE O USO MEDICINAL DE CANNABIS, SUA INSTITUCIONALIZAÇÃO E MOVIMENTOS SOCIAIS NO EXERCÍCIO DA RESISTÊNCIA.

Rodrigo Alencar

Este artigo tem como proposta provocar reflexões acerca de determinados processos que visam regulamentar o uso medicinal de cannabis, para articular estas reflexões me utilizo do conceito de dispositivo (FOUCAULT, 1988) (AGAMBEN, 2006) (DELEUZE, 2005), e com a leitura feita por Joanildo Burity (ano) acerca de movimentos pautados na identidade, além das discussões acerca do conceito de identidade utilizado na política nas aulas sobre “adolescência: condição paradigmática do sujeito”, ministradas pela profª Drª Miriam Debieux Rosa.

Para pensarmos tais questões, iniciemos pelo conceito de dispositivo:

O conceito de dispositivo tal como nos apropriamos foi lançado por Michel Foucault em sua obra “A história da sexualidade I: a vontade de saber”(1988), seguidamente trabalhado por Gilles Deleuze (2005) e recentemente por Giorgio Agambem (2009). Foucault constrói um conceito de dispositivo em um processo de análise da história da sexualidade, pensando os poderes que nos atravessam quando falamos, agimos, questionamos ou nos atentamos no que diz respeito ao sexo. A partir de então, compreende-se a sexualidade como um “dispositivo histórico, não à realidade subterrânea que aparece com dificuldade. Mas a grande rede da superfície em que a estimulação dos corpos, a intensificação dos prazeres, a incitação ao discurso, a formação dos conhecimentos, o reforço dos controles e das resistências, encadeiam-se uns aos outros, segundo algumas grandes estratégias de saber e de poder.”(FOUCAULT 1988:100).

Aqui temos uma série de elementos combinados que são lançados por Foucault como “estratégias de saber e de poder” ( Idem: 1988: 100), intensificação dos prazeres, incitação ao discurso, formação dos conhecimentos e reforços de controle e resistências são elementos que compõe esta rede que Foucault chama de dispositivo. Desde às descrições feita por Foucault em A História da Sexualidade (1988) até seu debate sobre o tema publicado em A Microfísica do Poder (2007), não possibilita a nosso ver, uma aplicação do conceito com o rigor que julgamos necessário para pensar as questões expostas acima. Portanto é através do texto “O que é um dispositivo?” de Giorgio Agamben (2006) é que temos uma melhor visualização do que podemos chamar de dispositivo.

Agamben define dispositivo como elemento indissociável de governabilidade e compondo a ideia de rede articulada entre elementos heterogêneos há o resgate da palavra oikonomia (economia), palavra em latim que corresponde a um “conjunto de práxis, de saberes, de medidas, de instituições cujo objetivo é gerir, governar, controlar e orientar, num sentido que se supõe útil, os gestos e os pensamentos dos homens” (2006: 39). Desta forma, tal oikonomia são saberes e práticas que realizam a gestão de dispositivos de sexualidade, das drogas, das exposições midiáticas e etc.

Tais dispositivos se atravessam e por certas passagens até mesmo se emaranham, assim como afirmado por Deleuze em seu texto “o que é um dispositivo?”. Dadas tais considerações, reconhecemos que para que possamos falar com mais propriedade sobre um dispositivo das drogas, nos situemos historicamente quanto à montagem deste dispositivo e suas implicações.

Pensar o fenômeno das drogas em nossa sociedade não é tarefa simples. Portanto é necessário lembrar que o uso, abuso e dependência de drogas é disparado como problema social e de saúde pública ao longo do séc. XX. Porém, se retornarmos à Grécia antiga, podemos encontrar registros do uso excessivo de álcool como responsável por experiências de “tentação ou de loucura divina” (CARNEIRO, 2008:67). Isto não necessariamente nos revela a existência de um elemento chamado droga já nesta época, mas sim a uma atenção quanto aos excessos e as alterações de consciência. Leia o resto deste post »


DDD (Dica do DAR) – Chicho Sanchez Ferlosio e a marijuana

08/08/2010

“Dicen que la patria es
un fusil y una bandera.
Mi patria son mis hermanos
que están labrando la tierra”

Canción de soldados

Nascido em 1940, o espanhol José Antonio Sánchez Ferlosio se tornou mais conhecido como Chicho Sánchez Ferlosio. Poeta, escritor, cantor e compositor, nunca fez questão de se alinhar a cultura oficial, tendo poucas de suas canções gravadas por ele mesmo, e lançado somente um disco, no período em que estava exilado por questionar a ditadura franquista. Compõs diversas canções que contestavam a ditadura nos anos 60, algumas delas de forma anônima, como Gallo rojo, gallo negro e La paloma de la paz.

Inicialmente militante de partidos comunistas, Ferlosio aproximou-se cada vez mais do anarquismo em sua trajetória, e ao morrer (em 2003) era grande crítico da globalização e das intervenções estadunidenses no Iraque e no Afeganistão. Suas canções foram gravadas por diversos intérpretes famosos, como Joaquín Sabina, Amancio Prada, Quilapayún e Soledad Bravo, e por muitos anos foram tocadas por ele nas noites de Madrid.


Em mais um capítulo da longa relação entre os ideais antiproibicionistas e o pensamento progressista e libertário, o DDD desta semana indica o seguinte vídeo, no qual Ferlosio mostra ao documentarisa Fernando Trueba sua plantação de cânhamo, e comenta sobre o absurdo da proibição e da demonização desta planta. O trecho faz parte do comentário “Mientras el cuerpo aguante” (Enquanto o corpo aguente), de 1982.

Como um chorinho, indicamos também a belíssima canção Milonga del moro judio, do uruguaio Jorge Drexler, composta a partir de versos de Ferlosio e também um áudio de próprio Ferlosio cantando Gallo negro, gallo rojo, música que opunha o vermelho da anarquia ao preto fascista e se tornou um hino do movimento antifranquista, comparável em simbologia e importância ao que a Internacional representa para os comunistas ou “A las barricadas” para os anarquistas da Guerra Civil Espanhola de 1936. Para acompanhar as letras destas canções, clica nos nomes delas neste parágrafo. O vídeo em que Ferlosio comenta sobre a maconha infelizmente não está legendado.


DDD (Dica Do DAR) – escritora nigeriana debate os perigos da “história única”

18/04/2010

Chimamanda Adichie é uma jovem escritora nigeriana. No vídeo que indicamos como DDD desta semana, ela parte de sua experiência de garota de classe média estudando nos Estados Unidos para refletir sobre os perigos das diferentes histórias de povos e culturas serem reduzidas a um só discurso pelo poder.

Lembrando de seus primeiros contatos com sua colega de quarto estadunidense na universidade, que a encarava do alto de sua “piedade paternalista bem intencionada”, Chimamanda reflete sobre a visão deste grande país chamado África, na visão criada e alimentada pelo Ocidente através dos séculos. “Depois de ter passado vários anos nos EUA como uma africana, entendi que se eu não tivesse crescido na Nigéria, se tudo qu eu soubesse da África fosse de imagens populares, eu tabém pensaria que África é um lugar de lindas paisagens e animais, e pessoas incompreensiveis, lutando guerras sem sentido, morrendo de pobreza e aids, incapazes de falar por si mesmas e esperando ser salvas por simpáticos estrangeiros brancos”.

A escritora vai além, e identifica essa concepção que, nas palavras de Rudyard Kipling, encara os africanos como “metade diabos, metade crianças”, no seio do poder. Cita o termo “nkali’, que pode ser traduzido como “maior que o outro”, como base desse pressuposto que leva o poder a impor e definir a história alheia, reduzindo-a e filtrando-a de suas especificidades e desejos próprios. “Poder é a habilidade não só de contar a historia de uma outra pessoa, mas de tornar essa historia definitiva”.

Indicamos o vídeo, de 18 minutos, não só para uma reflexão sobre colonização e ideologia, mas também como provocação para uma nada difícil transição deste tipo de perigo para a realidade das nossas nigérias encravadas nos morros e periferias brasileiros e latino-americanos. Confira o vídeo clicando aqui.


Cultura pra DAR: Os Beatles e as drogas

14/04/2010

Mudamos de sítio, clique no link abaixo para ler “Os Beatles e as drogas” no novo domínio:

http://coletivodar.org/cultura-pra-dar-os-beatles-e-as-drogas_1270

 


Exclusivo: texto de Henrique Carneiro sobre alternativas ao proibicionismo

10/03/2010

Henrique Carneiro é doutor em História pela USP e membro do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). Estuda a questão das drogas e atua contra a proibição desde seus tempos de militância estudantil, nos anos 1980. É sem dúvida um dos maiores especialistas no assunto, tendo publicado, entre outras obras, os livros Álcool e drogas na história do Brasil e Pequena Enciclopédia da história das drogas e bebidas. Animado por conta dos debates de alternativas ao proibicionismo realizados com o Coletivo DAR e também preocupado com os interesses envolvidos atualmente nesta questão, Henrique elaborou um texto explorando sua visão não só sobre a necessidade da legalização como de que maneira acredita que isto deve ser feito. O resultado pode ser conferido abaixo, ou em documento na nossa seção de arquivos.

Em “Legalização e controle estatal de todas as drogas para a constituição de um fundo social para a saúde pública” o historiador discute os três circuitos de circulação das drogas psicoativas em nossa sociedade: o das substâncias ilicitas, o das lícitas de uso recreacional e das lícitas de uso terapêutico. Ele discute os diferentes tratamentos dados hoje a essas substâncias, mostrando inclusive como a divisão entre estes campos só ocorreu recentemente.

“Pretendo, neste texto, defender um regime mais “equalizador” em relação aos três tipos de substâncias mencionadas e, ao mesmo tempo que antiproibicionista, mais severo em relação a interdição da publicidade e da facilidade do acesso. Como “substâncias essenciais” devem ser objeto de um tipo de emprendimento que não permita a intensificação do estímulo contínuo ao consumo e, consequentemente, lucros sempre crescentes, inerentes ao interesse privado. Defendo assim, a criação de um “fundo social” constituído com o faturamento de um mercado legalizado e estatizado de produção de drogas psicoativas em geral, tanto as ilícitas como as legais” afirma o texto.

Antes de apresentarmos a versão completa, que segue abaixo, agradecemos imensamente ao historiador, por nos ceder o texto e principalmente pela constante disposição e abertura a colaborar com o debate antiproibicionista.

Legalização e controle estatal de todas as drogas para a constituição de um fundo social para a saúde pública

Henrique Carneiro

Uma política sobre drogas deve abranger os três circuitos de circulação das drogas psicoativas existentes na sociedade contemporânea: o das substâncias ilícitas, o das lícitas de uso recreacional e o das lícitas de uso terapêutico.

A divisão estrita entre estes três campos é recente e sempre vem se alterando. O álcool já foi remédio, tornou-se droga proibida e voltou a ser substância de uso lícito controlado. Outras, como os derivados da Cannabis, que por milênios fizeram parte de inúmeras farmacopéias, foram objeto de uma proscrição oficial no século XX, a ponto de a ONU querer “erradicar” essa planta, assim como outras tais como a coca e a papoula produtora de ópio. Hoje a Cannabis, entretanto, tem uso medicinal reconhecido em muitos estados norte-americanos e em outros países.

Qual a fronteira conceitual estrita, no entanto, que separa essas drogas? LSD, DMT ou MDMA, não possuem usos terapêuticos? O que é recreacional e o que é terapêutico? Esse último campo deve estar submetido apenas a monopólios de especialistas ou deve também abranger um amplo uso de técnicas de auto-cura? Leia o resto deste post »


Comemoração do Dia Internacional da Mulher completa 100 anos

05/03/2010

Brasil de Fato

Dafne Melo, da Redação

Por muito tempo acreditou-se que a escolha do 8 de março para ser o Dia Internacional das Mulheres foi devido à um incêndio em uma fábrica têxtil nos Estados Unidos que vitimou cerca de 150 trabalhadoras que organizavam uma greve contra às más condições de trabalho. Até mesmo militantes do movimento feminista aceitavam essa explicação. Desde a década de 1970, entretanto, novas pesquisas nessa área têm apontado que a escolha da data está ligada à história da Revolução Russa. “De fato houve esse incêndio nos EUA, um acontecimento trágico para o movimento sindical e feminista na época, mas o incêndio sequer teria ocorrido nessa data”, explica Tatau Godinho, militante da Marcha Mundial de Mulheres.

Ela explica que hoje se tem comprovado pelos documentos que a orientação para se realizar as comemorações e manifestações internacionais se deu em 1910, numa resolução da Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, na Rússia, e que não havia uma indicação de data fixa para a comemoração. A reivindicação central seria o direito ao voto para as mulheres. Até a década de 1920 do século passado, as feministas realizaram as lutas em diferentes datas em seus países. Somente em 1922, após a Conferência Internacional das Mulheres Comunistas é que foi sugerida a data do 8 de março. Leia o resto deste post »


A Guerra Química – A pouco contada história de como o governo dos EUA envenenou o álcool durante os anos de Proibição com consequências mortais

01/03/2010

Por Deborah Blum

Traduzido pelo Coletivo DAR de Slate

Era véspera de natal de 1926, as ruas cintilavam de neve e luzes, quando o homem com medo de Papai Noel cambaleou para dentro do pronto socorro do Hospital Bellevue em Nova Iorque. Ele estava soluçando de medo: Papai Noel, ele continuava a dizer às enfermeiras, estava atrás dele com um bastão de beisebol.

Antes que a equipe do hospital desse conta do quão doente ele estava – a alucinação induzida pelo álcool era só um sintoma – ele morreu. O mesmo aconteceu com outro festejador natalino. E outro. Conforme a noite de natal chegava, a equipe do hospital contou mais de 60 pessoas passando muito mal e oito pessoas mortas devido a ingestão de álcool. Nos próximos dois dias, mais 23 pessoas morreram na cidade por estarem comemorando a data.

Os médicos estavam acostumados ao envenenamento por álcool naquela época, uma rotina na era da Proibição. Os whiskies e supostos gins contrabandeados muitas vezes faziam as pessoas passarem mal. As bebidas produzidas em destilarias escondidas frequentemente vinham contaminadas com metais e outras impurezas. Mas esse caso repentino era diferente. Os investigadores logo se deram conta de que as mortes eram cortesia do governo dos EUA.

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sobre a proibição das drogas

26/07/2009

Semana passada rolou a primeira atividade de formação do Coletivo DAR, foi um espaço aberto a todos os interessados no assunto. O tema da atividade foi o histórico da proibição das drogas, a exposição foi feita com base nos textos “Um pouco sobre a história das drogas e de sua proibição, ou como o crime
sem vítima se tornou uma questão de estado
”, “Necessidades humanas e proibicionismo” e “Os discursos da política de drogas brasileira”.

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Atividade

13/07/2009

O coletivo antiproibicionista DAR – Desentorpecendo A Razão, convida todos a participarem da atividade/conversa/debate sobre História da proibição das drogas, nesta quinta (16) às 19 horas.

Será na Rua Silveira Martins, número 147, proximo ao Metrô Sé (sair da catraca pela saída do poupatempo).


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