DDD (Dica Do DAR) – análises etnográficas

05/09/2010

O DDD desta semana traz dois estudo etnográficos. O primeiro, “Da cracolândia aos nóias: percursos etnográficos no bairro da Luz“,  de Heitor Frúgoli Jr, professor do departamento de antropologia – USP, e Enrico Spaggiari, doutorando em antropologia social – USP, foi publicado na  Ponto Urbe (revista do núcleo de antropologia urbana da USP).  O artigo, resultado do acompanhamento do trabalho do Centro de convivência É de Lei, é indicado a todos os interessados em crack, cracolândia e RD.

Já o segundo se trata de uma análise netnográfica. Isso mesmo, o estudo é uma etnografia psiconáutica da internet, especialmente de uma comunidade virtual, a Enteógenos sem dogmas (orkut.com). Assim, “Alquimistas do êxtase”, apresentado por Iago Pereira como monografia de conclusão do curso de Ciências Sociais da UFMG, debruça-se sobre o movimento psicodélico na contracultura e na psiconáutica tomando como objeto de estudo o espaço de convivência social supracitado. 

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Angeli diz fumar maconha diariamente e defende legalização

13/08/2010

Em entrevista à revista Trip, o cartunista Angeli abordou a questão das drogas, violência e outras questões interessantes, que podem ser conferidas abaixo. O texto completo está disponível aqui.

Angeli

Ele não é de oposição nem de situação. É contra a politicagem e o politicamente correto
icone postado
09.08.2010 | Texto por Fernando Luna Fotos Nelson Mello

Angeli encontra Bob Cuspe em Paris, 1986

Angeli encontra Bob Cuspe em Paris, 1986

Voltando à sua presidência, e o casamento gay?
Sou a favor, tenho amigos gays, são pessoas que merecem casar, adotar filhos… Não quero mais ser dirigido por um bando de velhas corocas de direita.

E quanto à taxação de grandes riquezas…
Tenho problema com grandes riquezas, tem que taxar sim. Tem gente que construiu tudo em cima de um objetivo muito vazio, que é o enriquecimento próprio. Tudo que é muito pode ser dividido. Sou um proletário, né?

Legalização das drogas?
Fiz até charge sobre isso, quando uns traficantes queimaram uns ônibus lá no Rio. Era uma cena de anarquia, ônibus pegando fogo e tal… Aí um cara falava: “Como você pode ser a favor da legalização? Está querendo que a gente viva numa anarquia?”… A gente já vive na anarquia, só que é anarquia de direita. Traficantes são de direita, querem que as coisas continuem assim para sempre, é o negócio.

Quando experimentou maconha?
Tinha uns 12 anos. Um primo tinha uma baganinha… Lembro que experimentei e ficava olhando no espelho pra ver se minha cara mudava ou entortava… Não entortou. Acho que é por isso que fumo diariamente até hoje… Leia o resto deste post »


Três meses após a morte de Glauco, especialista analisa o futuro do daime

13/06/2010

Folha Online

FABIO ANDRIGHETTO
da Livraria da Folha

Três meses atrás, na madrugada do dia 12 de março, o cartunista Glauco Vilas Boas, 53, e seu filho Raoni, 25, foram mortos em Osasco pelo estudante Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24.

Beatriz Labate pesquisa o uso de substâncias psicoativas nas religiões
Beatriz Labate pesquisa o uso da ayahuasca em rituais religiosos

A morte de Glauco, líder da igreja daimista Céu de Maria, causou comoção nacional e atraiu a atenção da opinião pública para a prática religiosa.

Na ocasião, a antropóloga Beatriz Labate, pesquisadora associada do instituto de psicologia médica da Universidade de Heidelberg e do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (Neip), esclareceu o uso da ayahuasca em rituais religiosos.

Há pouco tempo, ignorando o direito constitucional à liberdade de crença religiosa, o deputado federal Paes de Lira do PTC (Partido Trabalhista Cristão), de São Paulo, tentou suspender e a resolução n.º 1 do Conad (Conselho Nacional de Politicas sobre Drogas), de janeiro de 2010, o mais importante regulador do uso da ayahuasca no Brasil.

O congressista, que assumiu o mandato no lugar de Clodovil e defende a criação de uma lei que impossibilite o casamento entre homossexuais, referiu-se ao assassinato de Glauco como a “matança de Osasco”. Nesse clima de caça às bruxas, a Livraria da Folha entrou em contato com a especialista. Em nova entrevista, Labate avaliou o andamento do caso e o futuro do Santo Daime no Brasil.

Livraria – Como você vê o projeto do deputado Paes de Lira? Isso pode prejudicar as atividades religiosas no Brasil?

Beatriz Labate - O deputado representa um tipo de pensamento que sempre esteve presente no debate público sobre a ayahuasca, mas que foi, digamos assim, a vertente que perdeu até agora. Este tipo de visão se funda num duplo entendimento: por um lado, as “drogas” são más, e devem ser duramente banidas; por outro, o caráter religioso destes grupos não é autêntico, são simples fachadas para o consumo de drogas. Este tipo de discurso geralmente é um mish mash de bibliografia biomédica ultrapassada e descontextualizada com discurso de fundo puritano, somado a uma certa inspiração exaltada de combate militar e messiânico do Mal, “em nome da vida” e da “restauração da ordem pública”. Este tipo de visão sobre as drogas é recorrente, para não dizer predominante. Leia o resto deste post »


Câmara discute se chá do Santo Daime pode ser usado para fins religiosos

25/05/2010

R7

A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara discute nesta segunda-feira (24) o uso do chá do Santo Daime – também conhecido como ayahuasca. Um projeto do deputado Paes de Lira (PTC-SP) propõe sustar a resolução do Conad (Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas) que permitiu o uso para fins religiosos.

O autor argumenta que o uso, mesmo que religioso, de uma droga deve ser vetado quando provoca prejuízos à saúde.

“Ante aparente conflito de normas constitucionais – direito amplo à religião e vedação do uso e comércio de drogas – deve-se adotar o seguinte raciocínio: qual delas é de interesse da sociedade, da coletividade. O princípio deste raciocínio é a supremacia do interesse público sobre o privado”, diz o deputado em seu projeto.

Lira lembra que a ayahuasca provoca alucinações, hipertensão, taquicardia, náuseas, vômitos e diarreia.

Para discutir o assunto, a Câmara convidou, entre outros, o secretário Nacional de Políticas sobre Drogas, general Paulo Uchôa; o presidente da Federação Nacional da Ayahuasca, Emiliano Linhares; e o presidente do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, Flávio da Silva. A audiência está marcada para às 15h.

Antes de ir para votação em plenário, o projeto de Lira será analisado pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Rituais do Daime escondem uso de drogas

Presidente da Federação Nacional da Ayahuasca admite que uso de drogas está disseminado em rituais do Daime e defende repressão

Severino Motta, iG Brasília | 24/05/2010 20:05

O presidente da Federação Nacional da Ayahuasca – mais conhecida como Santo Daime -, Emiliano Dias Linhares, disse nesta segunda-feira, em audiência pública na Câmara dos Deputados, que o uso de drogas como a maconha e a cocaína estão presentes em diversos templos religiosos. Segundo ele, caso não exista uma forte repressão, a proposta do deputado Paes de Lira (PTC-SP), que quer proibir o chá, ganhará força e a religião fundada no início do século 20 pode acabar. Leia o resto deste post »


Pesquisas testam potencial benefício da ayahuasca contra depressão e dependência

26/04/2010
Cristina Almeida,
Especial para UOL Ciência e Saúde

Cepa da alma. Este é o significado etimológico do nome dado à bebida obtida da fervura das plantas Banisteriopsis caapi e Psychotria viridis, a ayahuasca, ou hoasca, também conhecida como chá do Santo Daime. Permitida apenas em cerimônias religiosas, o composto tem sido alvo de pesquisas e pode vir a ser útil para o tratamento da depressão e até da dependência química.

O psiquiatra Jaime Hallak, professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) – Ribeirão Preto afirma que, apesar desse grande potencial, o que existe de concreto no momento são estudos preliminares que evidenciam alguns benefícios à saúde. “Os modelos experimentais com animais e os relatos esporádicos com humanos sugerem indicações como antidepressivo e ansiolítico”.

Hallak coordena pesquisas que investigam os princípios ativos da ayahuasca, além dos seus eventuais usos clínicos. Parte desses trabalhos prevê a observação de neuroimagens funcionais para identificar as áreas cerebrais estimuladas pela substância. Leia o resto deste post »


Pesquisadores do NEIP discutem drogas e cultura durante lançamento de livro

12/04/2010

Esta é a segunda parte do relato sobre o lançamento do livro Drogas e Cultura: novas perspectivas, lançado dia 23 de março em São Paulo. O debate de alto nível foi composto por alguns dos autores do livro e outros convidados, que expuseram as reflexões de quem há muito se debruça sobre o tema de maneira alternativa ao proibicionismo que parece não só querer impedir o livre decidir sobre nossos corpos como também barrar a reflexão descolada de preconceitos e mistificações. Confiram o relato do DAR, presente no evento.

Apesar de realizado há algum tempinho, é importante registrar que o lançamento do livro Drogas e Cultura: Novas perspectivas, do NEIP e do MinC, não foi marcado apenas pela mesa de abertura na qual FHC defendeu a realização da Marcha ou pelo coquetelzinho do final ou pela apresentação de música do grupo Músicos Reino do Sol. No meio de tudo isso, não podemos deixar de destacar o mais importante, em matéria de conteúdo: a mesa com o pessoal do NEIP e convidados.

Mediada por Maurício Fiore, a mesa contou com Sandra Goulart, Henrique Carneiro, Maurides Ribeiro, Edward McRae e Gê Maruqes, que apresentaram diversos pontos de vista antiproibicionistas. Realizado no clamor das manifestações de ataque a Ayahuasca que tomaram por gancho a trágica morte do cartunista Glauco, o debate contou com inúmeras referências ao assunto, como já logo no início, quando Fiore apontou que “a mesma revista que hoje culpa o daime por todas as questões, colocou em sua capa anos atrás que pessoas cometem crimes e não armas, num momento de tentativa de controle sobre armas”. Não é preciso pensar muito para que se VEJA a má fé e a contradição, já que agora não são pessoas que podem cometer crime utilizando-se do daime, e sim é o próprio o culpado por tudo.

Dai-me luz

Sandra Goulart foi a primeira a falar, e fez uma excelente explicação das origens das religiões ayahuasqueiras, além de um mapeamento de suas práticas atuais. Seu surgimento ocorreu através do contato de seringueiros e grupos indígenas ribeirinhos influenciados por longo período de evangelização. Esse intercambio cultural na Amazônia gerou a religião, que tem tradição 200 ou 300 anos e conta com componentes amazônicos, andinos, cristãos e espíritas. O enfoque varia segundo a região.

Segundo Sandra, a primeira religião ayahuasqueira é o daime, criada pelo Mestre Irineu em 1930 – o termo serve tanto pro culto quanto para a bebida. “Dai-me” é um pedido: “dai-me amor, dai-me luz”. Depois surgem cisões, como a Barquinha e a União do Vegetal (UDV, toodas expressando desenvolvimentos particulares dum mesmo conjunto de crenças e práticas. Leia o resto deste post »


Um adeus ao mestre

22/03/2010

Por Coletivo DAR

Glauco Villas-Boas, 53, foi assassinado dia 12 de maço,  junto com seu filho Raoni, de 25 anos, em circunstâncias ainda não plenamente compreensíveis para todos nós. Ele deixa um enorme vácuo na produção de tirinhas e na produção de cultura neste país. Um vácuo ainda maior, incomensurável, fica dentro das pessoas que o conheciam de perto, seus familiares, amigos, colegas de profissão e a mulher e filhos, e também, mãe e irmãos de Raoni. A esses dedicamos todo nosso sentimento.

As dimensões da tragédia são grandes. É difícil encontrar justificativas físicas, metafísicas ou de qualquer ordem possível para mortes estúpidas, provocadas por armas de fogo de fácil acesso, e que só servem para aumentar nossa indignação e tristeza.

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DDD (Dica Do DAR) – desentorpecendo o debate sobre Ayahuasca

21/03/2010

Com a morte de Glauco e Raoni, a razão entorpecida aflora através de sua principal divulgadora: a grande mídia. Comprando sem discussão a versão da defesa de Carlos Eduardo, que optou por culpar o daime pelo crime (ignorando convenientemente os graves problemas mentais que este sofria), levanta-se no momento um debate que inclusive questiona a recente regulamentação da ayahuasca para fins religiosos (vide capa da Veja deste fim de semana).

Por conta deste clima, o DDD desta semana tenta trazer elementos mais qualificados para o debate, através da indicação de dois textos disponíveis no site do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). O primeiro é A construção de fronteiras religiosas através do consumo de um psicoativo: as religiões da ayahuasca e o tema das drogas , de Sandra Goulart, no qual a autora aponta as origens da utilização da ayahuasca e traça uma diferenciação entre os principais grupos que a utilizam de maneira ritualística no Brasil hoje. Uma reflexão duplamente importante, tanto para entendermos as raízes deste uso quanto para não cairmos no discurso preconceito e generalizante, como se “o daime” ou a ayahuasca fossem um fenômeno homogêneo, algo parecido com o que se faz com a utilização do termo “drogas”, como se heroína, cocaína e café pudessem ter o mesmo tratamento conceitual.

A segunda indicação é Considerações sobre o tratamento da dependência por meio da ayahuasca , escrito por  Beatriz Labate em conjunto com Rafael Guimarães dos Santos, Brian Anderson, Marcelo Mercante e Paulo César Ribeiro Barbosa. Uma interessante contribuição apontando uma potencialidade pouco conhecida e explorada da ayahuasca, a sua possível utilização para o tratamento da dependência de substâncias psicoativas, ou seja, suas propriedades terapêuticas, para além das religiosas.  Leia o resto deste post »


Ayahuasca: Matéria na Folha de São Paulo

21/03/2010

Com a morte de Glauco e Raoni, o debate sobre ayahuasca se acendeu – obviamente perpassado por preconceitos e oportunismos de toda espécie (vide capa da Veja deste fim de semana). Abaixo, matéria da Folha de São Paulo, publicada neste domingo (21 de março).

A viagem

Autora de “Fumaça Negra”, musicóloga Margaret de Wys diz que os médicos não acreditam que tenha se curado com hoasca; feito de cipó e arbusto, chá alucinógeno lança altas doses de serotonina no sistema nervoso central

A hoasca confere status de realidade às experiências interiores

MARCELO LEITE
COLUNISTA DA FOLHA

O poder da ayahuasca sobre a vida de uma pessoa pode ser devastador -em geral, para o bem. A americana Margaret de Wys que o diga. Depois do contato com a bebida alucinógena originária da Amazônia, conhecida no Brasil como hoasca, sua carreira de compositora sofreu um baque e o casamento acabou, mas ela se curou de um câncer de mama.
O tumor havia sido diagnosticado em 1999. Com simpatia pelo xamanismo, De Wys (pronuncia-se “di uaiz”), rumou para a Guatemala. Queria buscar uma cura entre os participantes de uma cerimônia maia de caráter ecumênico, com curandeiros de vários países. Ali encontrou o equatoriano Carlos e, por suas mãos, a hoasca. Leia o resto deste post »


Nota de repúdio às notícias veiculadas pelas Revistas Veja e Isto É sobre a Ayahuasca

20/02/2010

Nota do NEIP, disponível no site da Bia Labate

Nós, pesquisadores do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos – NEIP (www.neip.info), com apoio dos abaixo-assinados, manifestamos nosso repúdio ao recente processo de desqualificação das religiões ayahuasqueiras brasileiras – em suas múltiplas tradições e vertentes –, que tem se dado através da veiculação de matérias obscurantistas e indutoras de juízos equivocados e preconceituosos. Referimo-nos à nota “Liberado” da Revista Veja (ed. 2150, 3/02/2010, não assinada) e à matéria “As Encruzilhadas do Daime” da Revista Isto É (ed. 2100, 5/02/2010, de Hélio Gomes). Reafirmamos:

- O direito à liberdade religiosa e ao pluralismo religioso estão previstos na Constituição Federal do Brasil; Leia o resto deste post »


Notas sobre a pseudo-reportagem de capa da revista Isto É sobre a ayahuasca

12/02/2010
Por Beatriz Caiuby Labate
   
Recentemente, a Revista Istoé publicou a reportagem “As Encruzilhadas do Daime” (ed. 2100, 5/02/2010), assinada por Hélio Gomes, que, não obstante tente disfarçar sua agenda oculta, visa criar um quadro de medo e alarmismo com relação às religiões ayahuasqueiras brasileiras. A ayahuasca é composta pelo cipó Banisteriopsis caapi e pelas folhas do arbusto Psychotria viridis. As principais religiões que a utilizam são o Santo Daime e a União do Vegetal (UDV), que nasceram no norte do país nas décadas de 30 e 60, e se expandiram para os centros urbanos a partir da década de 70, e para o exterior a partir dos anos 80. Há também outras vertentes urbanas mais recentes. Este tipo de abordagem desonesta e preconceituosa em nada contribui para o a discussão sobre o uso de substâncias psicoativas, além de violar frontalmente o respeito à liberdade religiosa. Eis a série de imprecisões e equívocos da “reportagem”: Leia o resto deste post »

Uma crítica farmacológica e biomédica à reportagem As Encruzilhadas do Daime

07/02/2010

Escrito especialmente para o site bialabate.net (1)

Por Rafael Guimarães dos Santos (2)

- “A DMT atua nos sistemas cerebrais reguladores da produção e absorção, pelos neurônios, de serotonina, dopamina e noradrenalina”. Embora existam estudos demonstrando que a DMT pode atuar nos sistemas dopaminérgico, colinérgico, adrenérgico e noradrenérgico (Haubrich & Wang, 1977; Waldmeier & Maître, 1977; Jenner et al., 1978, 1980; Pierce & Peroutka, 1989, citado em Riba, 2003; ver também Barker et al., 1981), a DMT parece atuar principalmente no sistema serotoninérgico (ver Riba, 2003, para uma revisão);

- “Seu feito é imediato (….) dura de quatro a oito horas”: seu efeito dura de trinta a sessenta minutos para se fazer sentir; uma única dose não dura oito horas, mas sim por volta de quatro horas (Riba et al., 2001); Leia o resto deste post »


Isto é razão entorpecida

07/02/2010

Clique aqui para ler a (péssima) matéria de capa da Revista IstoÉ dessa semana, sobre a regulamentação da ayahuasca e sobre como isso pode “estimular o tráfico”. Materialzinho safado, preconceituoso e burro, um belo exemplo de como a razão entorpecida fomenta a cultura do medo na busca por justificativas que camuflem os males causados não pelas “drogas” mas sim por sua proibição. Abaixo o trecho inicial da reportagem.

A encruzilhada do Daime

O governo legaliza o uso religioso do chá alucinógeno, mas peca ao deixar que mortes ocorram e ao abrir uma brecha jurídica que pode estimular o tráfico

Hélio Gomes

Tudo começou no início do século passado, no coração da Amazônia. Caboclos nordestinos atraídos pela extração da borracha mergulharam na cultura secular dos povos da floresta, inevitavelmente absorvendo muito de sua essência. Logo nasceram as chamadas religiões ayahuasqueiras, grupos em sua maioria cristãos que incorporaram o consumo de um chá alucinógeno utilizado pelos indígenas em seus rituais. Hoje, essas mesmas seitas estão no centro de uma polêmica que envolve questões delicadas e perigosas, como o respeito à liberdade de crença, tráfico de drogas e morte.

No dia 25 de janeiro, em resolução publicada no “Diário Oficial da União”, o governo brasileiro oficializou o uso religioso do chá ayahuasca – também conhecido como daime, hoasca e vegetal. Sem força de lei, o texto, formulado depois de décadas de negociações e estudos realizados pelos órgãos de combate às drogas, define as responsabilidades das religiões institucionalizadas e garante o direito de consumo do alucinógeno a adultos, mulheres grávidas, jovens e até crianças durante os rituais. Por outro lado, ele veta a comercialização e a propaganda do composto feito a partir do cipó mariri e das folhas da erva chacrona, além de sugerir que qualquer tentativa de turismo motivado pelo chá seja coibida.

A decisão do governo repercutiu com força. Políticos como Eduardo Suplicy e Fernando Gabeira, por exemplo, defendem a medida. “A resolução é o reconhecimento de uma religião autenticamente brasileira”, diz Suplicy. Por outro lado, outras vozes levantaram a hipótese de que a liberação do daime poderia abrir o perigosíssimo precedente para a criação de religiões que incorporem drogas como a cocaína e a maconha em seus rituais. E ainda há quem considere o trabalho desenvolvido pela comissão multidisciplinar – composta por médicos, juristas, psicólogos e membros de religiões como Santo Daime, Barquinha e União do Vegetal, entre outros especialistas – do Conad (Conselho Nacional Antidrogas) um exemplo de respeito aos direitos individuais a ser exportado para o mundo. Porém, o noticiário indica outra direção.

No penúltimo final de semana, Alexandre Viana da Silva, 18 anos, morreu afogado em um lago em Ananindeua (PA), depois de tomar o chá em um culto independente. Claro que não é possível afirmar que o alucinógeno levou o rapaz, que não sabia nadar, a enfrentar uma situação de risco sem medir as consequências. Mas a hipótese não pode ser ignorada.


Consumo da Ayahuasca foi regulamentado pelo Conad

04/02/2010

Comunicação Social/MinC

O uso da Ayahuasca foi regulamentado pelo Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad), do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. A resolução autorizando o consumo da bebida em rituais religiosos e vedando sua utilização com fins comerciais, turísticos e terapêuticos foi publicada no Diário Oficial da União dessa terça-feira, 26 de janeiro (Seção 1, páginas 57 a 60).
Obtido por meio da mistura de duas plantas nativas da floresta amazônica – o cipó Banisteriopsis caapi (jagube, mariri) e da folha Psychotria viridis (chacrona, rainha) -, o chá também é conhecido como Santo Daime e Vegetal. O uso da Ayahuasca é uma tradição secular de grupos indígenas da Amazônia brasileira, mais tarde disseminado em rituais religiosos de comunidades localizadas principalmente na Região Norte do país. Leia o resto deste post »


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