DDD (Dica Do DAR) – filmes sobre drogas na Mostra de Cinema de São Paulo

24/10/2010

Entre os dias 22 de outubro e 3 de novembro está rolando em São Paulo um dos mais importantes festivais de cinema da América Latina, a Mostra Internacional de São Paulo. São 467 filmes de muitos países, e entre eles destacamos alguns que dizem respeito à temática das drogas (clicando nos títulos é possível ter acesso aos horários e locais onde eles serão exibidos).

O documentário Os dois escobares, produzido pela ESPN filmes, é sensacional. Traça um paralelo entre as trajetórias do zagueiro Andrés Escobar – assassinado após marcar um gol contra na Copa do Mundo 1994 -, do grande traficante Pablo Escobar e da própria Colômbia, através de muitas imagens de época e entrevistas com diversos personagens importantes, como o “número 2″, a irmã e o primo de Pablo, o ex-presidente Cesar Gaviria, e jogadores companheiros de Andrés como Valderrama e Asprilla. O docuemntário peca por contextualizar apenas a escalada do chamado cartel de Medellin (veja texto do DAR sobre a utilização do termo cartel), ignorando o processo paraelelo e distinto pelo qual passou o “cartel” de Cali: enquanto Escobar buscou a penetração direta na política e depois atos espetaculares como assassinatos de ministros e políticos, os irmãos Rodriguez Orejuela empreenderam uma política de penetração estatal via corrupção muito mais efeitva, e que marca o Estado colombiano até hoje. Além disso, o filme também toma a proibição das drogas como natural e inquestionável, deixando apenas que suas imagens impactantes mostrem o terrível impacto que ela traz sobre países inteiros, como é o caso da ainda devastada Colômbia. No entanto, é uma obra indispensável não só para os fãs de futebol (que verão lindos gols e muito da sujeira na qual o esporte sempre esteve envolvido) mas para qualquer um interessado em conhecer as nuances da história política latino-americana, que propicia que uma figura como Pablo Escobar tenha se tornado praticamente uma figura mística para muitos pobres colombianos.

Andrés Escobar marca o gol contra que lhe custaria a vida

Outro documentário bastante interessante é William S Burroughs: Um Retrato Íntimo , filme sem grandes inovações formais mas que vale pela história desse escritor, pilar de sustentação do chamado movimento beat, ao lado de Allen Ginsberg e Jack Kerouac. Homossexual, amante das drogas e das armas, Burroughs tem uma história de vida marcada pela contestação aos modelos impostos pela sociedade estadunidense do pós-guerra, e também por dramas pessoais e familiares (numa brincadeira idiota, ele assassinou sua mulher, por exemplo). O documentário traz entrevistas de figuras ligadas ao escritor, como os cantores Patti Smith e Iggy Pop, e imagens de arquivo dele com Ginsberg e com outros grandes nomes da cultura pop, como Keith Richards, Kurt Kobain, The Clash e uma série de outros por ele influenciados.

Burroughs (esquerda) e Kerouac

Partindo para a ficção, provavelmente a melhor obra que trata do tema nesta mostra é Dias Violentos, filme que pode ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pela Geórgia. Dirigido por Levan Koguashvili, o filme mostra com muita felicidade as imensas dificuldades na qual um usuário de heroína está envolvido enquanto este comércio é regido pela ilegalidade: acossado por policiais corruptos e pela inconstância do mercado, o protagonista nos traz a angústia de uma dependência regida pela falta de escrúpulos deste senhor da ilegalidade (e da política), o dinheiro.

Voltando aos documentários, mais dois títulos tratam da temática e prometem ser interessantes: 2012, tempo de mudança , de João Amorim, que busca inserir o uso de psicodélicos dentro de perspectivas mais amplas de transformação de mentalidade, e o suíço Além deste lugar, que mostra uma viagem de bicicleta entre um velho hippie e seu filho.


Wagner Moura: ‘Eu sou a favor da legalização das drogas, a começar pela maconha”

19/10/2010

Provavelmente o fato de representar um personagem que traz em si toda a irracionalidade e a violência que os setores dominantes de nossa sociedade impõem através da polícia aos dominados fez com que Wagner Moura tomasse ainda mais consciência da necessidade de mudanças políticas no Brasil. Ele chegou inclusive a se submeter a todo o treinamento desumano e desumanizador ao qual são submetidos os oficiais do Bope. Como já havia feito no programa Roda Viva (veja aqui), o ator defende a legalização das drogas, por entender os efeitos políticos e sociais que sua hipócrita proibição trazem. Confira abaixo matéria publicada no site da Psicotropicus

SAO PAULO – O ator da Rede Globo, e protagonista do filme Tropa de Elite 2, Wagner Moura, participou na última quarta-feira (13) de um debate em São Paulo , no Teatro Bombril, onde o filme foi exibido seguido de uma conversa entre cineastas, jornalistas e o público.

Wagner falou sobre o filme, sobre a identificação com o personagem, o “famoso” Capitão Nascimento, e tocou em um assunto abordado no filme e muito discutido nos dias de hoje: a liberação e a legalização das drogas.

“A política de repressão não tem funcionado. Eu vejo a questão das drogas como uma questão de saúde pública. Eu sou a favor da legalização das drogas, a começar pela evidente necessidade da legalização da maconha, e digo isso como cidadão, de forma quase irresponsável porque não sou nenhum especialista em drogas, acho que isso deve ser visto por pessoas muito mais gabaritadas do que eu. O que eu constato é que a repressão é ineficaz, só gera mais morte e tiroteio, e tem muito mais gente morrendo na guerra do tráfico, do ilícito, do que propriamente usando a droga”, declarou o ator. Leia o resto deste post »

Cartaz do documentário Cortina de Fumaça

19/09/2010

Veja também entrevista exclusiva com Rodrigo Mac Niven, diretor do filme, clicando aqui.


Entrevista exclusiva com diretor do filme Cortina de fumaça

14/09/2010

Produzido de forma totalmente independente, o documentário Cortina de fumaça foi selecionado para o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, e terá sua primeira exibição pública no dia 24, à meia noite. O DAR conversou com exclusivdade com Rodrigo Mac Niven, diretor deste filme que têm muito o que dizer.

    DAR – Pra começar gostaríamos que contasse um pouco de sua trajetória e de onde surgiu a ideia para fazer o documentário.
    RODRIGO MAC NIVEN: Sou jornalista, também fiz cinema e sempre fui ligado ao audiovisual. Ainda na faculdade de jornalismo já trabalhava em produtoras como cinegrafista, editor e finalizador de programas de TV. Há 5 anos abri minha própria produtora para poder desenvolver livremente projetos que me interessam. A idéia de fazer o documentário surgiu, lá no início, da leitura de um livro do jornalista Denis Russo; MACONHA, de uma coleção da Superinteressante. Me surpreendi com a leitura e comecei a pesquisar mais sobre o assunto. Fui fundo e não parei mais. Posso dizer que nesse caso, a maconha foi a porta de entrada para entender a complexa questão das drogas em todos os seus aspectos.

    DAR – Como foi o processo de produção, captação de recursos, etc?

    MAC NIVEN: Não houve qualquer captação de recursos. O documentário é resultado direto da minha inquietação. Fiz toda a produção de uma forma muito livre. Entrei em contato diretamente com todos os entrevistados. Claro que tive ajuda de muita gente, não se faz nada sozinho. Mas as viagens pra fora do Brasil fiz totalmente só. Eu e minha câmera. Eu queria conversar pessoalmente com essas pessoas.


    DAR – Por que a escolha do título? Acredita que este debate ainda não é feito de forma aberta no Brasil?


    MAC NIVEN: O título é explicado ao longo do filme. Prefiro que as pessoas assistam para pescar a mensagem. Acredito que o debate é raso porque as pessoas estão desinformadas. Elas não receberam e não recebem informação honesta e científica sobre esse tema. As discussões se perdem na superfície moralista das questões… aí não se consegue andar.


    DAR – Na divulgação vocês utilizam a frase “vocês precisam ouvir o que eles têm para dizer”, o que de importante você acredita que seu filme tem para dizer?


    MAC NIVEN: O filme é uma coletânea de depoimentos que contam parte de uma história muito complicada e polêmica que é a política de drogas. Essa história é reveladora, pelo menos foi pra mim. Acredito que também será para muita gente. Digo reveladora porque coloca na mesa de discussão fatos e argumentos pouco conhecidos pelo grande público, em geral preconceituoso e desinformado. Leia o resto deste post »


Maconha em filme o torna proibido para menores

09/01/2010

O Estado de São Paulo, 09/01/10

Censura a filme provoca polêmica

Cena com uso de maconha leva o romântico Simplesmente Complicado a ser proibido para menores de 17 anos nos EUA

Brooks Barnes

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É ridículo. A classificação do filme, restringindo a idade do público, levantou poeira em Hollywood e os blogs de cinema acusam a MPAA de estar desconectada da realidade. O lobby da maconha também se irritou. “É uma decisão absurda, baseada em conceitos culturais obsoletos”, disse Allen St. Pierre, diretor executivo da Organização Nacional para reforma das leis sobre a maconha. A Universal Pictures e Steve Martin solicitaram, sem sucesso, que o filme fosse classificado como PG-13 (proibido para menores de 13 anos). Os grupos conservadores, contudo, viram-se na curiosa posição de aplaudir o sistema de classificação, em vez de condená-lo. Dan Isett, diretor de políticas públicas do Parents Television Council (Conselho de pais que avalia os programas de TV e monitora os filmes a serem lançados), disse que Simplesmente Complicado é um raro exemplo de classificação corretamente feita pela Associação. Leia o resto deste post »

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