Dia latino-americano e caribenho pela legalização do aborto

28/09/2010

Como já comentamos em um texto anterior (veja aqui), existe grande afinidade entre a luta das mulheres por direito a seus corpos e o antiproibicionismo. Hoje, dia 28, é o Dia Latino-americano e caribenho pela legalização do aborto. O DAR está junto nessa: “As mulheres decidem, a sociedade respeita, o Estado garante e a Igreja não intervém”!


De massas e misses

13/05/2010

Helena Ortiz

Desculpem se insisto. Há tanta coisa sobre as quais escrever. Os lançamentos dos livros de meus amigos Augusto Sérgio Bastos e Lina Tâmega Peixoto, a poesia mesma, o cotidiano, as relações humanas, mas eis que algumas coisas mostram que cada geração precisa descobrir a roda. E que os jornais não aproveitam em nada o potencial educativo que têm.

É que O Globo publicou no domingo, na Revista (a mesma que apresentou matéria sobre o cultivo caseiro de maconha), duas páginas sobre a realização do concurso Miss Marijuana promovida pelo site Hempadão.Ora, o site, que é engraçado, bem feito e informativo, tem muitas coisas interessantes, mas vai que o Globo se interessa exatamente pelo que tem de mais atrasado, machista e conservador, que é justamente o velho e batido concurso de miss. Trata-se de um tema sobre o qual já escrevi, que é a posição secundária das mulheres na luta pela legalização. Elas só aparecem para dar uma conotação sexual e subserviente à questão, ou seja, concurso de miss.

Entende-se que a moçada, em dia com os hormônios, se dedique ao evento, mas que o Globo, o jornal, dê visibilidade a isso, é desgastante. Na mesma edição, página 38, caderno de ciência e saúde, publica matéria sob o título BRASIL PODE GANHAR AGÊNCIA SOBRE USO MÉDICO DA MACONHA. Ai a matéria é séria. O tema será discutido num simpósio internacional sobre Drogas Psicotrópicas nos dias 17 e 18 de maio em São Paulo, certamente por homens. Leia o resto deste post »


Feminismo e anti-proibicionismo – um diálogo necessário na luta contra as opressões

07/03/2010

Coletivo DAR, março de 2010

Nesta segunda-feira, o dia 8 de março completa cem anos de celebração do Dia Internacional da Mulher, dia de luta por uma sociedade livre das opressões de gênero. Como explica a socióloga Maria Lygia Quartim de Moraes, em sua tese de livre-docência 20 anos de feminismo, “O feminismo, enquanto conjunto de valores e representações sobre a mulher, é uma ideologia contemporânea que animou com bandeiras de luta e plataformas políticas uma fração importante do movimento popular” e parte de duas premissas consensuais: “(1) as mulheres, além de sofrerem outras formas de exploração, são oprimidas enquanto tais, isto é, enquanto representantes do sexo feminino; (2) a opressão da mulher antecede o capitalismo e persiste no socialismo, demonstrando uma especificidade que só poderá ser superada através da militância das mulheres”.

Como militantes do movimento anti-proibicionista, que busca alternativas à atual política de guerra às drogas – responsável pela inaceitável intromissão do Estado na esfera privada dos cidadãos e instrumento de corrupção, violência e criminalização da pobreza – vemos na luta das mulheres por liberdade muitos pontos de confluência, o que levanta cada vez mais a necessidade de articulação entre os diferentes setores que atuam no combate às opressões específicas. As lutas das mulheres por direito ao próprio corpo, pelo fim da hipocrisia que separa público do privado, pela não hierarquização das lutas e contra a militarização e a criminalização da pobreza são irmãs da bandeira do anti-proibicionismo das drogas. Assim como questionar a arbitrária ilicitude de algumas drogas é tarefa não só dos usuários destas substâncias, as bandeiras levantadas pelas feministas devem ser empunhadas por todos que buscam uma sociedade mais justa e igualitária.


Feminismo e anti-proibicionismo são lutas políticas contra um status quo sustentado por interesses econômicos e valores morais milenares que, infelizmente, ainda balizam nossa estrutura social para muito além do que se pode ver na aparência. E são esses interesses e valores um importante pilar de sustentação das desigualdades que oprimem pobres, mulheres, homossexuais, negros, imigrantes e indígenas. Todo comportamento que destoa da ideologia dominante é tachado a priori como ameaçador ao sistema, mesmo que este depois apresente ferramentas de incorporá-lo.

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DDD (Dica Do DAR) – Dia Internacional da Mulher

07/03/2010

O DDD dessa semana aproveita o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, para indicar dois vídeos que têm como tema a luta por uma sociedade livre das opressões de gênero. O primeiro é um registro do “Ajoelhaço” realizado no Sarau do Binho, na periferia de São Paulo, no ano passado; o segundo é o vídeo feito pela Marcha Mundial das Mulheres em convite para sua Terceira Ação Internacional – Mulheres em Marcha até todas sejamos livres. O DDD recomenda também o site do Núcelo de Estudos de Gênero Pagu, da Unicamp – ali é possível se aprofundar mais nos debates, por exemplo com as edições completas dos importantes Cadernos Pagu. O anti-proibicionismo marcha lado a lado com a luta por uma sociedade sem opressões de nenhuma espécie!

Ajoelhaço:

Mulheres em Marcha:


Comemoração do Dia Internacional da Mulher completa 100 anos

05/03/2010

Brasil de Fato

Dafne Melo, da Redação

Por muito tempo acreditou-se que a escolha do 8 de março para ser o Dia Internacional das Mulheres foi devido à um incêndio em uma fábrica têxtil nos Estados Unidos que vitimou cerca de 150 trabalhadoras que organizavam uma greve contra às más condições de trabalho. Até mesmo militantes do movimento feminista aceitavam essa explicação. Desde a década de 1970, entretanto, novas pesquisas nessa área têm apontado que a escolha da data está ligada à história da Revolução Russa. “De fato houve esse incêndio nos EUA, um acontecimento trágico para o movimento sindical e feminista na época, mas o incêndio sequer teria ocorrido nessa data”, explica Tatau Godinho, militante da Marcha Mundial de Mulheres.

Ela explica que hoje se tem comprovado pelos documentos que a orientação para se realizar as comemorações e manifestações internacionais se deu em 1910, numa resolução da Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, na Rússia, e que não havia uma indicação de data fixa para a comemoração. A reivindicação central seria o direito ao voto para as mulheres. Até a década de 1920 do século passado, as feministas realizaram as lutas em diferentes datas em seus países. Somente em 1922, após a Conferência Internacional das Mulheres Comunistas é que foi sugerida a data do 8 de março. Leia o resto deste post »


Liberdade para todas as fêmeas, sejam canábicas ou humanas

04/03/2010

Mulher e Maconha 

Por Helena Ortiz*, para o Growroom

O tema sempre foi polêmico, mas silencioso. Agora, no entanto, ganha as ruas, ou pelo menos as páginas dos jornais. A luta pela legalização está nas manchetes, nas enquetes, nas discussões, nas roda de fumo e mesmo nas que ele passa longe. Ficou até fashion depois da circulação da Revista do Globo abordando o plantio de maconha em casa sob o título Agricultura de subsistência.

Se o tema é polêmico, melhor não perder o ímpeto. E por isso me reporto à a questão levantada por uma pessoa da platéia (um homem) no evento (sim, amigos, evento) promovido pelo Jornal O Globo na Oi Futuro, no Flamengo, em dezembro. Tratava da pouca participação (ou da ausência dela) das mulheres no movimento.

O tema não é novo. As mulheres são preteridas em qualquer movimento, oficial ou alternativo. Não que elas não fumem, plantem ou tenham argumentos interessantes, apenas não aparecem. Quando aparecem, muitas vezes são expostas como mais um objeto de desejo (e porque não dizer, consumo!?), ao lado de plantas vigorosas ou berlotas suculentas, como no site Garotas 420, em concursos de Miss Maconha.
Do “Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir, para cá, o movimento feminista arrefeceu. As mulheres, conquistados os direitos básicos, como o do voto e do divórcio, hoje em dia pensam que tudo sempre foi assim e se preocupam em conservar seus divinos corpos com a magia da indústria, isto é, cirurgia plástica e cosmética. Leia o resto deste post »


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