Legalizar e regulamentar a maconha – e todas as drogas ilícitas

25/10/2010

Contribuição do Coletivo DAR ao debate sobre maconha realizado pela Folha de S.Paulo no dia 21/10/2010

Organizado horizontalmente e sem ligação com empresas e partidos políticos, o Coletivo Desentorpecendo A Razão (DAR) parte da análise de Maria Lúcia Karam, que sustenta que somente uma razão entorpecida pode conviver com a arbitrária e injustificável proibição de algumas drogas trazendo tantos efeitos políticos e sociais nefastos. Mesmo que seu uso a priori não seja um problema em si, uso abusivo de drogas lícitas e ilícitas pode trazer sérios problemas. No entanto, a proibição das drogas não somente não lida com essa questão (22,8% dos adultos brasileiros já usaram drogas ilícitas, e seguirão usando, nos EUA esse número é de quase 50%) como traz em si efeitos ainda mais danosos para a sociedade.

É a proibição das drogas a responsável por esse mercado de alta demanda ser regulado pela violência do crime, e também é ela quem dá ao Estado legitimidade de perseguir, encarcerar e assassinar seletivamente setores pobres da população. Ela ainda aumenta a corrupção na polícia, no legislativo e no judiciário, e impede um tratamento que não seja pautado pela religiosidade ou pela abstinência seja oferecido pelo Estado. Impede também a pesquisa científica séria, que pode não só melhor mesurar os efeitos negativos das substâncias como estudar seus já comprovados potenciais positivos.

Felizmente, o entendimento de que o proibicionismo é um fracasso e um problema muito maior que o abuso de drogas caminha para se tornar hegemônico nacional e internacionalmente. Recentemente México, Argentina e República Tcheca descriminalizaram porte de drogas para consumo pessoal, se juntando a uma série de países europeus que já procederam de maneira semelhante, sem que suas sociedades fossem conduzidas à barbárie. Mesmo nos EUA, grande difusor da proibição, 14 estados já permitem a maconha medicinal, e agora em novembro a Califórnia vota legalização completa desta substância.

O momento é portanto de debater alternativas, de encarar propositivamente o fracasso da Guerra às drogas. Leia o resto deste post »


Wagner Moura: ‘Eu sou a favor da legalização das drogas, a começar pela maconha”

19/10/2010

Provavelmente o fato de representar um personagem que traz em si toda a irracionalidade e a violência que os setores dominantes de nossa sociedade impõem através da polícia aos dominados fez com que Wagner Moura tomasse ainda mais consciência da necessidade de mudanças políticas no Brasil. Ele chegou inclusive a se submeter a todo o treinamento desumano e desumanizador ao qual são submetidos os oficiais do Bope. Como já havia feito no programa Roda Viva (veja aqui), o ator defende a legalização das drogas, por entender os efeitos políticos e sociais que sua hipócrita proibição trazem. Confira abaixo matéria publicada no site da Psicotropicus

SAO PAULO – O ator da Rede Globo, e protagonista do filme Tropa de Elite 2, Wagner Moura, participou na última quarta-feira (13) de um debate em São Paulo , no Teatro Bombril, onde o filme foi exibido seguido de uma conversa entre cineastas, jornalistas e o público.

Wagner falou sobre o filme, sobre a identificação com o personagem, o “famoso” Capitão Nascimento, e tocou em um assunto abordado no filme e muito discutido nos dias de hoje: a liberação e a legalização das drogas.

“A política de repressão não tem funcionado. Eu vejo a questão das drogas como uma questão de saúde pública. Eu sou a favor da legalização das drogas, a começar pela evidente necessidade da legalização da maconha, e digo isso como cidadão, de forma quase irresponsável porque não sou nenhum especialista em drogas, acho que isso deve ser visto por pessoas muito mais gabaritadas do que eu. O que eu constato é que a repressão é ineficaz, só gera mais morte e tiroteio, e tem muito mais gente morrendo na guerra do tráfico, do ilícito, do que propriamente usando a droga”, declarou o ator. Leia o resto deste post »

Entrevista exclusiva com diretor do filme Cortina de fumaça

14/09/2010

Produzido de forma totalmente independente, o documentário Cortina de fumaça foi selecionado para o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, e terá sua primeira exibição pública no dia 24, à meia noite. O DAR conversou com exclusivdade com Rodrigo Mac Niven, diretor deste filme que têm muito o que dizer.

    DAR – Pra começar gostaríamos que contasse um pouco de sua trajetória e de onde surgiu a ideia para fazer o documentário.
    RODRIGO MAC NIVEN: Sou jornalista, também fiz cinema e sempre fui ligado ao audiovisual. Ainda na faculdade de jornalismo já trabalhava em produtoras como cinegrafista, editor e finalizador de programas de TV. Há 5 anos abri minha própria produtora para poder desenvolver livremente projetos que me interessam. A idéia de fazer o documentário surgiu, lá no início, da leitura de um livro do jornalista Denis Russo; MACONHA, de uma coleção da Superinteressante. Me surpreendi com a leitura e comecei a pesquisar mais sobre o assunto. Fui fundo e não parei mais. Posso dizer que nesse caso, a maconha foi a porta de entrada para entender a complexa questão das drogas em todos os seus aspectos.

    DAR – Como foi o processo de produção, captação de recursos, etc?

    MAC NIVEN: Não houve qualquer captação de recursos. O documentário é resultado direto da minha inquietação. Fiz toda a produção de uma forma muito livre. Entrei em contato diretamente com todos os entrevistados. Claro que tive ajuda de muita gente, não se faz nada sozinho. Mas as viagens pra fora do Brasil fiz totalmente só. Eu e minha câmera. Eu queria conversar pessoalmente com essas pessoas.


    DAR – Por que a escolha do título? Acredita que este debate ainda não é feito de forma aberta no Brasil?


    MAC NIVEN: O título é explicado ao longo do filme. Prefiro que as pessoas assistam para pescar a mensagem. Acredito que o debate é raso porque as pessoas estão desinformadas. Elas não receberam e não recebem informação honesta e científica sobre esse tema. As discussões se perdem na superfície moralista das questões… aí não se consegue andar.


    DAR – Na divulgação vocês utilizam a frase “vocês precisam ouvir o que eles têm para dizer”, o que de importante você acredita que seu filme tem para dizer?


    MAC NIVEN: O filme é uma coletânea de depoimentos que contam parte de uma história muito complicada e polêmica que é a política de drogas. Essa história é reveladora, pelo menos foi pra mim. Acredito que também será para muita gente. Digo reveladora porque coloca na mesa de discussão fatos e argumentos pouco conhecidos pelo grande público, em geral preconceituoso e desinformado. Leia o resto deste post »


México: legalizar as drogas?

09/09/2010

Atormentado por índices de violência cada vez maiores, o México é retrato claro não só dos efeitos do proibicionismo como também da insuficiência da descriminalização do porte de drogas para consumo pessoal.  Isto já foi feito por lá, e os grupos comerciantes de drogas seguem penetrando todas as esferas estatais, a violência só aumenta e o Estado reprime muito, e mal. Cada vez mais vozes no país se levantam pela legalização, o texto abaixo é do historiador Victor Orozco, publicado no site Sin Permiso.



México: ¿legalizar las drogas?

Víctor Orozco · · · · · 05/09/10

El pasado miércoles, en la Universidad Autónoma de Ciudad Juárez, se organizó un panel para debatir acerca de esta única pregunta. Invitado a participar en el evento comencé por cuestionar porque estamos ahora poniendo el tema en la agenda política. La respuesta parece obvia, pero es indispensable establecerla toda vez que es la premisa de la cual necesariamente partimos: los mexicanos estamos cogidos en una guerra (o como se le llame a este infierno), en la cual estamos perdiendo decenas de miles de vidas, sufriendo masivas emigraciones forzadas, arrojando en un pozo sin fondo incalculables riquezas y en el cual también se están hundiendo cientos de miles de negocios. Lo peor quizá es la imposibilidad de la convivencia pacífica, en la medida que se avanza hacia la desintegración de una sociedad organizada bajo reglas morales y jurídicas. Mirándolas muy lejanas a nuestro entorno, antaño siempre nos causaron asombro las matanzas interétnicas en otras zonas del planeta.  Hoy, somos testigos de masacres cotidianas en buena parte del país. La última, de los setenta y dos emigrantes centro y sudamericanos indefensos, horroriza no sólo por la brutalidad, sino porque existen pruebas de la complicidad o participación de cuerpos oficiales.

El gobierno, las iglesias –ciertamente no todas en el mismo grado- las escuelas y en general cada una de las instancias en donde se forma la conciencia personal o se educa para respetar la ley, son un fracaso. Al presidente de la República no se le ocurre otra cosa para explicarlo que salir con el bobo lugar común de que los jóvenes se han alejado de Dios como si con ello agregara algo a la eterna quejumbre de los administradores del culto religioso. No. Quien se ha alejado de los jóvenes es la sociedad, confinando a la mayoría en la pobreza y la desesperanza. No hay trabajo, no hay escuelas, no hay oportunidades: esta es la realidad para millones. Al menos una de las caras de la realidad. La otra, es la puerta que abre la delincuencia, principalmente la derivada del narcotráfico. Es la entrada a un espacio de terror, enajenación y abdicación de la voluntad, paradójicamente ofrecido como la única opción a la insuperable condición de perdedores, de marginales en un mundo ajeno, patrimonio de unos cuantos dueños.

Los otros dueños son los jefes del mercado de estupefacientes. Cambian seguido, porque también se mueren seguido, pero siempre hay quien los releve y tome la estafeta. Por eso, suenan vacías y hasta ridículas las proclamas de triunfos que hacen los voceros del gobierno cuando las policías, el ejército o la marina eliminan a alguno de ellos. Cómo también han sido intrascendentes las quemas o destrucciones de plantío tras plantío de mariguana o depósitos de goma o polvos de heroína. Al parejo de las drogas deshechas, de los cientos o miles de armas, aéreo naves, vehículos incautados, han crecido los números de narco adictos y de asesinatos, entre ellos los de miles de inocentes sin ninguna conexión con actividades ilícitas.

Estas son las poderosas e ineludibles razones por las cuales ahora se ha puesto en el tapete de las discusiones el tema de la legalización de las drogas. Su prohibición y el combate frontal con quienes las comercializan aparentemente han conducido al desastre en el que nos encontramos. Por allí no hay salida. Expongo a continuación algunas de las razones esgrimidas por quienes están plenamente convencidos de que la legalización sería un camino plausible de solución:

-       Disminuiría la violencia en las calles y la desintegración del tejido social. Ambos, se encuentran directamente ligados a la disputa por las plazas y el dominio de las rutas hacia los grandes centros de consumo, sobre todo a Estados Unidos,

-       Se cegaría una de las grandes fuentes de corrupción, derivada de la alianza entre narcotraficantes y agentes del gobierno, desde los altos funcionarios hasta los policías municipales,

-       Se reduciría dramáticamente el precio de las drogas y con ello la acumulación de riqueza por los capos de la droga,

-       Se vigilaría la calidad de las sustancias, evitando el 80% de las muertes por consumo, originadas en los agregados artificiales a la droga original,

-       Se dejarían de malgastar cientos de miles de millones de dólares en una lucha que carece de sentido y a la cual es imposible ponerle fin,

-       Se podrían instrumentar campañas de prevención y disuasión del consumo mucho más efectivas. El éxito alcanzado en la reducción sustancial del tabaquismo, es una muestra de ello.

-       Se acabaría con uno de los pretextos de los gobiernos para hinchar a los cuerpos militares y atropellar a los derechos humanos, Leia o resto deste post »


Presidentes do México e da Colômbia dizem que legalização deve ser internacional

02/09/2010

Santos y Calderón: La legalización de drogas debe ser internacionalLos presidente de Colombia y de México dijeron que la posible legalización de la marihuana en California activará el debate internacional

Miércoles, 25 de agosto de 2010 a las 10:03
Calderón dice que la legalización de las drogas atraería a traficantes de Afganistán y Pakistán (Notimex).
Calderón dice que la legalización de las drogas atraería a traficantes de Afganistán y Pakistán (Notimex).
Lo más importante
  • Juan Manuel Santos y Felipe Calderón no están de acuerdo con legalizar el comercio de las drogas
  • Ambos coinciden en que la legalización no funcionará a menos de que se discuta a nivel global

Yo, en lugar de tener aquí criminales de Apatzinigan, por ejemplo, voy a tener criminales de Pakistán y de Afganistán y de todo el mundo porque México se convertiría en un paraíso
Felipe Calderón, presidente de México

// (CNNMéxico) — El referendo sobre la legalización de la marihuana que se llevará a cabo en noviembre en California, obligará a discutir el tema a nivel global, coincidieron los presidentes de México, Felipe Calderón, y de Colombia, Juan Manuel Santos, en entrevistas concedidas por separado a W Radio.

Si California aprueba la legalización del consumo de la marihuana, ¿cómo se le explicará a “un indígena de una montaña que produce marihuana que es ilegal” cuando en Estados Unidos es legal consumirla?, reflexionó Santos.

El nuevo presidente de Colombia insistió en que el tema de la legalización de ciertas drogas no sólo debe ser debatido en Estados Unidos o México, sino a nivel internacional: “El argumento es válido, es bueno que eso se debata y yo también estoy de acuerdo con eso, pero es una utopía mientras el mundo entero no entre dentro de esa línea”, dijo el mandatario colombiano.

“El narcotráfico no es una lucha de México o Colombia, es lucha del mundo entero”, agregó Santos, presidente del segundo país productor de la hoja de coca detrás de Perú, él mismo recordó.

Calderón coincidió con Santos: “Si esto no se plantea internacionalmente es un absurdo plantearlo de manera aislada”, dijo el presidente de México.

“Yo, en lugar de tener aquí criminales de Apatzingán, por ejemplo, voy a tener criminales de Pakistán y de Afganistán y de todo el mundo porque México se convertiría en un paraíso”, para trasladar drogas a Estados Unidos.

Eso sucedería porque el precio de las drogas no lo determina el mercado mexicano, sino el estadounidense, aclaró Calderón.

La postura personal de ambos presidentes sobre la legalización del comercio de drogas es la misma, y la dejaron clara durante las entrevistas: no están de acuerdo, sin embargo, aceptan que el tema se debe discutir.

El presidente Calderón emprendió una estrategia contra el narcotráfico en diciembre de 2006, y desde entonces, 28,000 personas han muerto como consecuencia según las cifras del gobierno federal.


Drogas: cresce o movimento antiproibicionista

19/08/2010

ENTREVISTA / Maurício Fiore

Comunidade Segura

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Depois de décadas de pouco ou nulo questionamento à atual política de drogas, cujo eixo é o proibicionismo e a repressão às substâncias psicoativas ilegais, começa a se estruturar no Brasil um movimento antiproibicionista alimentado pela pesquisa científica vinda da Academia e pelo ativismo a favor dos direitos humanos originado nas organizações da sociedade civil.

Para falar sobre o tema, o Comunidade Segura entrevistou Maurício Fiore, que dedica sua carreira à pesquisa sobre consumo de drogas e sobre o debate público das substâncias psicoativas.

Fiore é cientista social e antropólogo e faz parte do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (Neip), que acaba de publicar o livro “Drogas e cultura: novas perspectivas”, no qual Fiore é autor do ensaio “Prazer e risco: uma discussão a respeito dos saberes médicos sobre o uso de drogas”.

Nesta entrevista, Fiore fala sobre os efeitos do estagnação do debate, da monopolização do tema por parte da área médica e explica como esta situação começa a mudar graças à geração de conhecimento tanto no âmbito das ciências naturais, como no das ciências sociais.

Existe no mundo e no Brasil um movimento antiproibicionista consolidado?

Não sei se podemos dizer que já está consolidado, mas acredito que esse movimento existe e está tomando forma em nosso país. Em países desenvolvidos já está mais sólido e tem, inclusive, um apoio financeiro maior de fundações e de grandes nomes, como o de George Soros, entre outros.

Na última conferência mundial da ONU sobre o tema, cujo objetivo era rediscutir a atual política de drogas, houve um debate muito grande…

Eu não estive presente nessa conferência, mas, pelo que sei, as pessoas se articularam para protestar contra o proibicionismo. No entanto, o movimento não teve o impacto desejado e não tem força política suficiente para causar impacto nas convenções da ONU e ainda depende muito dos próprios Estados. Creio que o movimento cresce. Ainda falta que se consolide, mas eu sou otimista.

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Diretor da ONG Psicotropicus fala sobre polêmicas no debate sobre drogas e políticas necessárias para avançar na questão

17/08/2010

Site Caros Amigos

Por Júlio Delmanto

Organizada pela ONG argentina Intercâmbios em parceria com a carioca Psicotropicus, acontece nos dias 26 e 27 de agosto, no Rio de Janeiro, a II Conferência Latino-americana sobre Políticas de Drogas. Com objetivo de “promover um debate social informado com o objetivo de impulsionar políticas não-punitivas, fundadas em evidências científicas, para responder de forma eficaz aos diversos problemas associados à droga” e “gerar um intercâmbio em nível regional a fim de atualizar o mapa sobre o uso de drogas, problemas, políticas e intervenções”, o evento terá a participação de importantes nomes da política e do ativismo antiproibicionista do Brasil e do continente.

Além do evento latino-americano, acontecerão em paralelo a I Conferência Brasileira sobre Políticas de drogas e diversas reuniões satélites temáticas. Estão confirmadas as presenças dos ministros José Temporão (Saúde), Paulo Vanucchi (Direitos Humanos) e Luiz Paulo Teles Barreto (Justiça), além do ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, do representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime Bo Mathiesen e do estadunidense Ethan Nadelmann, membro da Drug Policy Alliance.

A Caros Amigos conversou com Luiz Paulo Guanabara, diretor da ONG Psicotropicus, Centro Brasileiro de Políticas de Drogas, organização precursora deste debate no país.

Caros Amigos – Em primeiro lugar, gostaria que você avaliasse a atual conjuntura do debate sobre drogas no Brasil e na América Latina. É possível dizermos que estamos num momento em que o proibicionismo se encontra em xeque? Por quê?
O debate sobre drogas no Brasil e na América Latina foi retirado da marginalidade há poucos anos, mas ainda existe muito preconceito, muita ignorância. Basta ver o que pseudo-especialistas disseram recentemente sobre uso medicinal da cannabis – negando o valor medicinal da planta. Vivemos num regime proibicionista de “guerra às drogas”, onde as informações que circulam têm de ser ponderadas. O que eles disseram é tão mentiroso que até a direção da Sociedade Brasileira Neurologistas contestou. Como se costuma dizer, “na guerra, a primeira baixa é a verdade”.
Fazendo uma metáfora com o jogo de xadrez, podemos dizer que o proibicionismo tem levado xeques, mas o rei tem escapado com facilidade. No entanto a crise mundial possivelmente ajudará a afrouxar as raízes profundamente fincadas da proibição de drogas. E tudo depende muito de mudanças na política de drogas estadunidense. Algum dia será dado um xeque mate.

Internacionalmente o enfoque da Redução de Danos tem ganhado mais peso. Quais vantagens uma política neste sentido tem em relação às atuais, que são puramente repressivas?
A Redução de Danos é uma estratégia de saúde para reduzir danos decorrentes do uso problemático de drogas, indo ao encontro do usuário onde ele se encontra. Ao contrário da maioria das terapias para dependência, a RD não pressupõe que o usuário pare de usar sua droga para ser tratado. Em vez de repressão, a RD propõe uma assistência integral ao usuário, sem preconceito ou discriminação.

O que impede que a RD seja priorizada no Brasil?
O regime proibicionista tem medo da RD, confunde uma abordagem de saúde publica comprovadamente eficaz com legalização de drogas. É preciso deixar claro que são coisas diferentes. Hoje em dia um agente de saúde que atenda a usuários de drogas e não conheça os fundamentos da RD está desatualizado e provavelmente não realizará um bom trabalho. A melhor resposta a sua pergunta seria outra pergunta: O que impede que a saúde seja priorizada no Brasil? Leia o resto deste post »


Angeli diz fumar maconha diariamente e defende legalização

13/08/2010

Em entrevista à revista Trip, o cartunista Angeli abordou a questão das drogas, violência e outras questões interessantes, que podem ser conferidas abaixo. O texto completo está disponível aqui.

Angeli

Ele não é de oposição nem de situação. É contra a politicagem e o politicamente correto
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09.08.2010 | Texto por Fernando Luna Fotos Nelson Mello

Angeli encontra Bob Cuspe em Paris, 1986

Angeli encontra Bob Cuspe em Paris, 1986

Voltando à sua presidência, e o casamento gay?
Sou a favor, tenho amigos gays, são pessoas que merecem casar, adotar filhos… Não quero mais ser dirigido por um bando de velhas corocas de direita.

E quanto à taxação de grandes riquezas…
Tenho problema com grandes riquezas, tem que taxar sim. Tem gente que construiu tudo em cima de um objetivo muito vazio, que é o enriquecimento próprio. Tudo que é muito pode ser dividido. Sou um proletário, né?

Legalização das drogas?
Fiz até charge sobre isso, quando uns traficantes queimaram uns ônibus lá no Rio. Era uma cena de anarquia, ônibus pegando fogo e tal… Aí um cara falava: “Como você pode ser a favor da legalização? Está querendo que a gente viva numa anarquia?”… A gente já vive na anarquia, só que é anarquia de direita. Traficantes são de direita, querem que as coisas continuem assim para sempre, é o negócio.

Quando experimentou maconha?
Tinha uns 12 anos. Um primo tinha uma baganinha… Lembro que experimentei e ficava olhando no espelho pra ver se minha cara mudava ou entortava… Não entortou. Acho que é por isso que fumo diariamente até hoje… Leia o resto deste post »


Proposta para a Colômbia – Paz, reconciliação e legalização das drogas

09/08/2010

Paz, reconciliação e legalização das drogas

“Neste momento em que se acumularam todas as condições para apertarmos o passo, todos os partidos políticos e movimentos sociais deveríamos nos centrar sobre estes dois temas: paz democrática e legalização da droga”

Fernando Dorado, Alai

Tradução Coletivo DAR

A jogada calculada do presidente Uribe de levar a OEA a denúncia da suposta conivência do governo da Venezuela com a presença da guerrilha em seu território mostra como atuou este governo nos útlimos oito anos, e nos serve de lição para não proceder desta maneira.

Uribe traçou para si uma meta até 2019. Seu sonho era consolidar uma nação com uma formação fazendeira-clerical-colonial mas “moderna”. A ordem dos submissos e a paz dos cemitérios. Queria estar na história como o grande “reformador” do século XXI. E… o quis fazer a qualquer preço. Mas era impossível atingir seu objetivo. Sua visão é retrógrada, reacionária, de tipo medieval. A vida já fazia democracia e paz. Uribe, por mais que trabalhe e se esforce, vai na contramão, não mais.

Por isso, teve que sustentar seu projeto na base de shows midiáticos. “Falsos positivos” de todas as classes e tamanhos para tapar delitos e crimes cometidos desde o governo. No entanto, de nada serviria. Depois de 7 de agosto, já sem sua “aura messiânica”, Uribe mão poderá montar outro “falso positivo” maior que o anterior. A fórmula se esgotou e, então, vão estar dadas as condições para que toda a verdade apareça.

Nós, democratas colombianos, devemos avaliar com humildade nossa ação política. Somos parte da mesma sociedade que produziu indivíduos como Álvaro Uribe Vélez e José Obdulio Gaviria. Algo deles devemos ter em nosso inconsciente coletivo. Não existe vacina contra a “racionalidade social histórica”. O único que serve para superar as limitações estruturais é ser absolutamente consciente delas. Saber o que somos, explicarmos por que somos assim, é o primeiro passo para superá-las.

Estratégia sem tática, tática sem visão de longo prazo

A mentalidade excludente da oligarquia latifundiária – herdeira dos encomenderos espanhóis que protagonizaram a conquista e colonização da Nova Granada – nos imprimiu um selo de intolerância, de extremissmo e violência, que nos faz balançar ciclicamente entre fundamentalismo e oportunismo. Leia o resto deste post »


Só legalização da cocaína separa drogas da violência

08/08/2010

Folha de S. Paulo

ENTREVISTA TOM FEILING

Só legalização da cocaína separa drogas da violência

ESCRITOR INGLÊS LANÇA LIVRO NOS EUA COM HISTÓRICO DA DROGA, CUJO CONSUMO, SEGUNDO DIZ, VOLTA A CRESCER ENTRE OS JOVENS

VAGUINALDO MARINHEIRO
DE LONDRES

Tom Feiling, um documentarista e escritor de 42 anos, quer convencer o mundo de que o consumo de todas as drogas deve ser livre.”Só há uma forma de evitar milhares de mortes provocados pelo tráfico: a legalização da droga, principalmente a cocaína”, diz o britânico, que acaba de ter o seu livro “Cocaine Nation: How the White Trade Took Over the World” publicado nos EUA.
Feiling faz um amplo e detalhado histórico da cocaína, desde o tempo em que era consumida pelos andinos antes da chegada dos espanhóis até os dias de hoje, quando, afirma, está voltando à moda entre os jovens.O escritor morou um ano na Colômbia e pretende voltar para lá. Por essa razão, pediu que não fosse publicada uma foto sua. “A Colômbia é um lugar maravilhoso.
Mas pode ser perigoso para alguém como eu que escreveu sobre o tráfico e sobre as ligações entre governantes e os paramilitares”, afirma.

Folha – Por que decidiu escrever um livro sobre cocaína?

Tom Feiling – Vivi um ano na Colômbia e quando voltei para Londres percebi que a cocaína estava voltando à moda entre os jovens. Achei que era o momento de revigorar a discussão. Há muitos livros sobre o tema, mas eles partem de um ponto de vista norte-americano. Tentei fazer algo mais amplo, com vários lados da questão.

Você diz que a guerra às drogas, conduzida pelo EUA, não dá bons resultados. Há muitas prisões, mas o consumo e a violência não caem. Por que a legalização total das drogas seria a solução do problema?


Há uma visão mais progressista que acredita que não devemos criminalizar a posse de drogas. Se uma pessoa tiver com um grama de cocaína, ela não deve ser presa. Mas muitos que apoiam essa ideia continuam a defender a perseguição às pessoas que venderam esse um grama, até chegar aos grandes produtores. O que gera a violência é a criminalização da produção e distribuição da droga, não seu consumo. A única forma de acabar com a violência é tirar a produção e distribuição das drogas das mãos de criminosos, e passar o processo para os governos ou para a iniciativa privada, com supervisão de uma agência governamental. Leia o resto deste post »


O Jogo dos Sete Erros: campanha “Crack Nem Pensar” da RBS vai aumentar a violência no RS e em SC

06/08/2010

Blog Pensar não dói

Eu não duvido das boas intenções do Grupo RBS em promover uma campanha contra o crack, mas discordo frontalmente das diretrizes desta campanha específica. Sua fundamentação teórica é inadequada e suas propostas serão contraproducentes, isto é, vão aumentar a violência, a corrupção e outros problemas relacionados ao tráfico de drogas ao invés de ajudar a reduzi-los.

Primeiro erro: sugerir não pensar

A campanha começa errando pelo próprio nome: “Crack Nem Pensar” remete ao oposto do que se deve fazer, que é pensar muito bem sobre a questão do crack. E a primeira pergunta que eu sempre faço quando debato sobre a questão das drogas é:

- Se as drogas são assim tão ruins como se diz, então é fácil a sociedade oferecer algo melhor e mais atraente para os jovens que as utilizam ou comercializam, certo?

Se a resposta for “claro, é óbvio que é fácil oferecer uma boa alternativa em relação a algo tão ruim”, então ofereçam, ora bolas! Os resultados virão sozinhos: como todo mundo escolhe o que acha que é melhor para si, ninguém vai querer usar ou vender drogas se tiver alternativas melhores disponíveis.

Se a resposta for “não é bem assim”, então fica evidente que tem alguma coisa muito errada com o discurso demonizador das drogas. Ou as drogas não são tão ruins assim, ou as alternativas disponíveis para os jovens, do ponto de vista deles, são piores que usar ou vender drogas.

Você acha que não é assim? Então pense:

- Será mesmo que os jovens abusam de drogas porque são tão burros que gostam de fazer mal a si mesmos, ou porque são tão mal informados que não sabem que as drogas fazem mal?

- Será mesmo que os jovens vendem drogas e se arriscam a ser presos ou a morrer em confrontos entre quadrilhas ou contra a polícia porque são naturalmente maus e criminosos?

- Ou será mais provável que os jovens que abusam de drogas ou comercializam drogas não sejam nem burros e mal informados, nem maus e criminosos, mas tenham uma visão de mundo completamente diferente da visão de mundo de quem pretende forçá-los a não consumir nem comercializar drogas?

Sem entender e respeitar a visão de mundo, as necessidades e a dignidade de quem ingressa no mundo das drogas não existe a menor possibilidade de encontrar uma solução digna e razoável para os problemas agravados pelas drogas. (Repetindo: agravados e não gerados. O abuso e o comércio de drogas são conseqüências de problemas anteriores, não causas de problemas. Estes fenômenos apenas agravam problemas preexistentes.)

Crack: Vamos Pensar – chega de repetir clichês sem questionar.

Segundo erro: apelar para a consciência

Esse é um absurdo de lascar. Quer dizer então que o jovem entra no mundo das drogas – em especial do crackporque não tem consciência que crack faz mal, que vicia, que é perigoso?

Não existe usuário de crack que não saiba que o crack faz mal, que é muito viciante e que para a maioria dos usuários é um caminho sem volta. Podem ter certeza, quase todos eles sabiam disso antes de experimentar o crack pela primeira vez e mesmo assim embarcaram nessa canoa furada. Leia o resto deste post »


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