A Resposta da Califórnia

08/11/2010

Mario Vargas Llosa

O Estado de S.Paulo, 07/11/2010
Os eleitores do Estado da Califórnia rejeitaram na terça-feira a legalização do cultivo e do consumo da maconha por 53% dos votos a 47%, uma decisão que considero muito equivocada. A legalização teria sido um passo importante na busca de uma solução eficaz para o problema da delinquência vinculada ao narcotráfico que, segundo o que acaba de ser anunciado oficialmente, já causou este ano o impressionante total de 10.035 mortes no México.

Esta solução passa pela descriminalização das drogas, ideia que há pouco tempo era inaceitável para a maior parte de uma opinião pública convencida de que a repressão policial aos produtores, vendedores e usuários de entorpecentes seria o único meio legítimo de pôr fim a semelhante praga.

A realidade revelou o quanto esta ideia é ilusória, à medida que todos os estudos indicavam que, apesar das astronômicas somas investidas e da gigantesca mobilização de efetivos para combatê-las, o mercado das drogas continuou a crescer. Ele se estendeu por todo o mundo, criando cartéis mafiosos de imenso poder econômico e militar que – como vemos no México desde que o presidente Felipe Calderón decidiu enfrentar os chefes traficantes e suas gangues de mercenários – pode combater em pé de igualdade, graças ao seu poderio, com os Estados nos quais conseguiram se infiltrar por meio da corrupção e do terror.

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México maconha e toupeiras

22/10/2010

Helena Ortiz (conheçam o blog dela!)

O que pensarão os nossos pósteros ao verem uma foto como essa? Poderão compreender que o México, que em 2010 ainda tinha 23 milhões de habitantes em estado de fome crônica, queimasse 134 toneladas de uma planta que valia, por baixo, o equivalente a 560 milhões de reais?

 

Isso me lembra Fahrenheit 451, o filme de Truffaut baseado no romance de Ray Bradbury em que opiniões próprias eram proibidas e para isso queimavam-se os livros – tudo controlado pela televisão. Mas as pessoas resistem ao decorar livros inteiros.
Houve outros momentos de controle de leitura (e idéias) ao longo da história. Sempre há alguém querendo impor o pensamento único. Leia o resto deste post »

Intelectuais mexicanos defendem legalização, e apontam que Proposta 19 pode pôr fim à guerra às drogas no México

10/09/2010

Vitória da Proposta 19 na Califórnia pode acabar com guerra às drogas no México

“O debate aqui não está colocado em termos do uso pessoal de drogas mas preferencialmente que a legalização pode fazer algo para diminuir o pesadelo mexicano de violência e crime”

Héctor Aguilar Camín e Jorge G. Castañeda , 5 de setembro de 2010, Washington Post

À esquerda, o ex-ministro Castañeda, a seu lado, o historiador e escritor Aguilar Camín

Tradução Coletivo DAR

CIDADE DO MÉXICO – No dia 2 de novembro os californianos vão votar a Proposta 19, decidindo se querem legalizar produção, venda e consumo de maconha. Se a iniciativa for aprovada, não será significativa apenas para a Califórnia, isso pode, a longo prazo, oferecer ao México uma promessa de saída para a custosa guerra às drogas.

Os custos dessa guerra às drogas há muito atingiram níveis intoleráveis: mais de 28 mil de nossos cidadãos morreram desde 2006; gastos já passaram dos 10 bilhões de dólares; um terrível dano para a imagem do México se consolidou; direitos humanos são violados pelas forças de segurança governamental; e há ainda mais crime. Numa recente pesquisa de opinião do Reforma, diário da Cidade do México, 67% dos mexicanos disseram que estes custos são inaceitáveis, enquanto 59% disseram que os cartéis de drogas estão vencendo a guerra.

Nós acreditamos que em algum tempo o México pode legalizar a maconha e talvez outras drogas. Mas por enquanto, a discussão dessa possibilidade não avança pois o problema de drogas de nosso país e o problema de drogas dos Estados Unidos estão intrinsecamente conectados: o que nosso país produz, os estadunidenses consomem. Como resultado, o debate sobre a legalização inevitavelmente aponta para que o México deva esperar até que os Estados Unidos estejam dispostos e aptos a fazer o mesmo.

A Proposta 19 muda esse cálculo. Para o México, a Califórnia é quase a parte que corresponde ao todo: o comércio com o maior estado da União é enorme, um número imenso de californianos é de origem mexicana e uma proporção muito grande de turistas estadunidenses no México vêm da Califórnia. A aprovação da Proposta 19 iria sacudir os termos do debate sobre políticas de drogas: se a Califórnia legaliza a maconha, será viável para o nosso país continuar caçando chefes de drogas em Tijuana? Ainda fará sentido haver tiroteios estilo Velho Oeste para deter a maconha mexicana de cruzar a fronteira quando, ali do outro lado, o 7-Eleven local vende maconha?

A perspectiva da Califórnia legalizar a maconha coincide com o crescimento do debate sobre a legalização no México. Neste verão, nossa revista Nexos perguntou a seis dos principais candidatos presidenciais se com a Califórnia legalizando a maconha o México deveria seguir o exemplo. Quatro deles disseram que sim, mesmo que com ressalvas. E no mês passado, em um fórum público dirigido pelo Presidente Felipe Calderón,um de nós perguntou se não era tempo dessa discussão ser levada a sério. A resposta de Calderón foi de cabeça aberta e encorajadora: “É um debate fundamental”, ele disse, “vocês têm que analisar com cuidado os prós e os contras e os argumentos chaves dos dois lados”. Essas observações geraram grande repercussão, e mais tarde, naquele mesmo dia, Calderón retrocedeu, insistindo ser veementemente contra qualquer forma de legalização. Mesmo assim, seus comentários ajudaram a estimular o debate nacionalmente. Leia o resto deste post »


México: legalizar as drogas?

09/09/2010

Atormentado por índices de violência cada vez maiores, o México é retrato claro não só dos efeitos do proibicionismo como também da insuficiência da descriminalização do porte de drogas para consumo pessoal.  Isto já foi feito por lá, e os grupos comerciantes de drogas seguem penetrando todas as esferas estatais, a violência só aumenta e o Estado reprime muito, e mal. Cada vez mais vozes no país se levantam pela legalização, o texto abaixo é do historiador Victor Orozco, publicado no site Sin Permiso.



México: ¿legalizar las drogas?

Víctor Orozco · · · · · 05/09/10

El pasado miércoles, en la Universidad Autónoma de Ciudad Juárez, se organizó un panel para debatir acerca de esta única pregunta. Invitado a participar en el evento comencé por cuestionar porque estamos ahora poniendo el tema en la agenda política. La respuesta parece obvia, pero es indispensable establecerla toda vez que es la premisa de la cual necesariamente partimos: los mexicanos estamos cogidos en una guerra (o como se le llame a este infierno), en la cual estamos perdiendo decenas de miles de vidas, sufriendo masivas emigraciones forzadas, arrojando en un pozo sin fondo incalculables riquezas y en el cual también se están hundiendo cientos de miles de negocios. Lo peor quizá es la imposibilidad de la convivencia pacífica, en la medida que se avanza hacia la desintegración de una sociedad organizada bajo reglas morales y jurídicas. Mirándolas muy lejanas a nuestro entorno, antaño siempre nos causaron asombro las matanzas interétnicas en otras zonas del planeta.  Hoy, somos testigos de masacres cotidianas en buena parte del país. La última, de los setenta y dos emigrantes centro y sudamericanos indefensos, horroriza no sólo por la brutalidad, sino porque existen pruebas de la complicidad o participación de cuerpos oficiales.

El gobierno, las iglesias –ciertamente no todas en el mismo grado- las escuelas y en general cada una de las instancias en donde se forma la conciencia personal o se educa para respetar la ley, son un fracaso. Al presidente de la República no se le ocurre otra cosa para explicarlo que salir con el bobo lugar común de que los jóvenes se han alejado de Dios como si con ello agregara algo a la eterna quejumbre de los administradores del culto religioso. No. Quien se ha alejado de los jóvenes es la sociedad, confinando a la mayoría en la pobreza y la desesperanza. No hay trabajo, no hay escuelas, no hay oportunidades: esta es la realidad para millones. Al menos una de las caras de la realidad. La otra, es la puerta que abre la delincuencia, principalmente la derivada del narcotráfico. Es la entrada a un espacio de terror, enajenación y abdicación de la voluntad, paradójicamente ofrecido como la única opción a la insuperable condición de perdedores, de marginales en un mundo ajeno, patrimonio de unos cuantos dueños.

Los otros dueños son los jefes del mercado de estupefacientes. Cambian seguido, porque también se mueren seguido, pero siempre hay quien los releve y tome la estafeta. Por eso, suenan vacías y hasta ridículas las proclamas de triunfos que hacen los voceros del gobierno cuando las policías, el ejército o la marina eliminan a alguno de ellos. Cómo también han sido intrascendentes las quemas o destrucciones de plantío tras plantío de mariguana o depósitos de goma o polvos de heroína. Al parejo de las drogas deshechas, de los cientos o miles de armas, aéreo naves, vehículos incautados, han crecido los números de narco adictos y de asesinatos, entre ellos los de miles de inocentes sin ninguna conexión con actividades ilícitas.

Estas son las poderosas e ineludibles razones por las cuales ahora se ha puesto en el tapete de las discusiones el tema de la legalización de las drogas. Su prohibición y el combate frontal con quienes las comercializan aparentemente han conducido al desastre en el que nos encontramos. Por allí no hay salida. Expongo a continuación algunas de las razones esgrimidas por quienes están plenamente convencidos de que la legalización sería un camino plausible de solución:

-       Disminuiría la violencia en las calles y la desintegración del tejido social. Ambos, se encuentran directamente ligados a la disputa por las plazas y el dominio de las rutas hacia los grandes centros de consumo, sobre todo a Estados Unidos,

-       Se cegaría una de las grandes fuentes de corrupción, derivada de la alianza entre narcotraficantes y agentes del gobierno, desde los altos funcionarios hasta los policías municipales,

-       Se reduciría dramáticamente el precio de las drogas y con ello la acumulación de riqueza por los capos de la droga,

-       Se vigilaría la calidad de las sustancias, evitando el 80% de las muertes por consumo, originadas en los agregados artificiales a la droga original,

-       Se dejarían de malgastar cientos de miles de millones de dólares en una lucha que carece de sentido y a la cual es imposible ponerle fin,

-       Se podrían instrumentar campañas de prevención y disuasión del consumo mucho más efectivas. El éxito alcanzado en la reducción sustancial del tabaquismo, es una muestra de ello.

-       Se acabaría con uno de los pretextos de los gobiernos para hinchar a los cuerpos militares y atropellar a los derechos humanos, Leia o resto deste post »


Presidentes do México e da Colômbia dizem que legalização deve ser internacional

02/09/2010

Santos y Calderón: La legalización de drogas debe ser internacionalLos presidente de Colombia y de México dijeron que la posible legalización de la marihuana en California activará el debate internacional

Miércoles, 25 de agosto de 2010 a las 10:03
Calderón dice que la legalización de las drogas atraería a traficantes de Afganistán y Pakistán (Notimex).
Calderón dice que la legalización de las drogas atraería a traficantes de Afganistán y Pakistán (Notimex).
Lo más importante
  • Juan Manuel Santos y Felipe Calderón no están de acuerdo con legalizar el comercio de las drogas
  • Ambos coinciden en que la legalización no funcionará a menos de que se discuta a nivel global

Yo, en lugar de tener aquí criminales de Apatzinigan, por ejemplo, voy a tener criminales de Pakistán y de Afganistán y de todo el mundo porque México se convertiría en un paraíso
Felipe Calderón, presidente de México

// (CNNMéxico) — El referendo sobre la legalización de la marihuana que se llevará a cabo en noviembre en California, obligará a discutir el tema a nivel global, coincidieron los presidentes de México, Felipe Calderón, y de Colombia, Juan Manuel Santos, en entrevistas concedidas por separado a W Radio.

Si California aprueba la legalización del consumo de la marihuana, ¿cómo se le explicará a “un indígena de una montaña que produce marihuana que es ilegal” cuando en Estados Unidos es legal consumirla?, reflexionó Santos.

El nuevo presidente de Colombia insistió en que el tema de la legalización de ciertas drogas no sólo debe ser debatido en Estados Unidos o México, sino a nivel internacional: “El argumento es válido, es bueno que eso se debata y yo también estoy de acuerdo con eso, pero es una utopía mientras el mundo entero no entre dentro de esa línea”, dijo el mandatario colombiano.

“El narcotráfico no es una lucha de México o Colombia, es lucha del mundo entero”, agregó Santos, presidente del segundo país productor de la hoja de coca detrás de Perú, él mismo recordó.

Calderón coincidió con Santos: “Si esto no se plantea internacionalmente es un absurdo plantearlo de manera aislada”, dijo el presidente de México.

“Yo, en lugar de tener aquí criminales de Apatzingán, por ejemplo, voy a tener criminales de Pakistán y de Afganistán y de todo el mundo porque México se convertiría en un paraíso”, para trasladar drogas a Estados Unidos.

Eso sucedería porque el precio de las drogas no lo determina el mercado mexicano, sino el estadounidense, aclaró Calderón.

La postura personal de ambos presidentes sobre la legalización del comercio de drogas es la misma, y la dejaron clara durante las entrevistas: no están de acuerdo, sin embargo, aceptan que el tema se debe discutir.

El presidente Calderón emprendió una estrategia contra el narcotráfico en diciembre de 2006, y desde entonces, 28,000 personas han muerto como consecuencia según las cifras del gobierno federal.


Após 3.000 mortes em 18 dias, México quer discutir legalização das drogas

07/08/2010

DA ANSA, NA CIDADE DO MÉXICO
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O presidente mexicano, Felipe Calderón, se disse nesta terça-feira que está disposto a discutir a legalização das drogas no país, após tomar conhecimento de que, em apenas 18 dias mais de 3.000 pessoas morreram em crimes ligados ao narcotráfico.

“O debate deve ocorrer havendo pluralidade”, disse Calderón, em resposta à proposta do responsável pela ONG México Unido contra a Delinquência, Eduardo Gallo.

Para Gallo, este seria um “plano B” frente ao fracasso da atual estratégia que, com os novos dados, eleva a 28 mil o número de homicídios nos últimos três anos e meio, ou seja, desde que Calderón assumiu o poder.

“A sociedade nos exige resultados nessa matéria e não pode ser este resultado nem do improviso e nem do azar, tem que ser resultado de um processo ordenado de diagnóstico e planejamento, mas, sobretudo, de um compromisso e uma vontade firme sem os quais é impossível ter sucesso”, complementou o mandatário, admitindo que seu governo não sabe explicar o que “tem feito” na luta contra o crime organizado e o narcotráfico. Leia o resto deste post »


EUA enviarão mais 1.200 soldados para a fronteira com o México

21/07/2010

Atenção para o dado: mais de 25 mil mortes relacionadas à (proibição das) drogas no México, de 2006 para cá

Folha Online

O governo de Barack Obama enviará 1.200 membros da Guarda Nacional dos Estados Unidos para a região da fronteira com o México, para reforçar a segurança na área. De acordo com fontes do governo, a mobilização visa conter o fluxo de imigrantes ilegais, drogas e armas para os EUA.

Os homens adicionais –que serão destacados a partir de 1º de agosto– serão distribuídos por quatro estados. Um total de 524 serão destinados ao Arizona, outros 250 serão enviados para o Texas, 224 irão para a Califórnia e outros 72 para o Estado do Novo México. Mais 130 homens se dedicarão a trabalhos de comando e controle.

A mobilização das tropas adicionais já havia sido anunciada pelo governo de Obama em maio, depois de pedidos das autoridades dos estados fronteiriços com o México e do aumento da violência do narcotráfico no país vizinho. No entanto, nenhum prazo havia sido estabelecido. Leia o resto deste post »


A farsa da guerra contra as drogas

28/04/2010

Rosario Ibarra
Do Rebelión

Há alguns dias, em um fórum, escutei as mães dos jovens massacrados impunemente no bairro popular Villas de Salvárcar, em Ciudad Juárez, e as lágrimas contidas diante dos poderosos caíram dos meus olhos, que já viram muitas atrocidades nesta vida. Mortes impunes. Mortes e, também – de novo –, o flagelo dos desaparecimentos forçados.

Tudo acontece em meio a histórias enganosas, que tentam esconder o verdadeiro caráter da militarização do país. A farsa da versão de uma “guerra contra as drogas”. A maioria dos assassinados não faz parte de uma guerra contra as drogas, contra o tráfico, de enfrentamentos entre militares e traficantes. Na verdade, trata-se de execuções de população civil, de jovens – homens e mulheres – e de pobres.

Essa é a realidade da maioria das mortes denunciadas agora em Ciudad Juárez. Jovens executados pelas mãos de grupos paramilitares (milícias) ou militares uniformizados e usando máscaras negras.

A outra versão enganosa é a dos “arrastões”. Novamente, os comandos com as mesmas características policiais e militares não realizam “detenções”, mas desaparecimentos forçados de pessoas, e isso numa escala muito maior do que sabíamos antes. Leia o resto deste post »


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