ATIVIDADE DE FORMAÇÃO – Consumo de substâncias psicoativas, uma visão antropológica

27/10/2010

com Maurício Fiore, bacharel em Ciências Sociais e mestre em Antropologia Social pela pela USP. Publicou diversos trabalhos sobre o tema, entre os quais se destaca sua dissertação de mestrado, publicada no livro Uso de “drogas”: controvérsias médicas e debate público (Mercado de Letras/Fapesp, 2006). Atualmente é doutorando em Ciências Sociais na UNICAMP e pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento).

dia 28/10 , às 19:30

na PUC- SP (ponto de encontro: Pátio do Centro Acadêmico Benevides Paixão – de lá rumaremos para uma sala/ para chegar lá entre na Comfil pela Rua Monte Alegre, 971, a entrade é ao lado da banca, e desça a escada/ se estiver perdido ligue para 9272 1918)

Recomendamos a leitura do artigo: Consumo de substâncias psicoativas: sujeitos, substâncias e eventos – Maurício Fiore, disponível para dowload em: http://coletivodar.files.wordpress.com/2009/07/artigo-mauricio-fiore-ram.pdf

Os mais animados podem ler também artigo de Fiore no livro Drogas e cultura, do NEIP, disponível em: http://coletivodar.files.wordpress.com/2009/07/drogas_e_cultura.pdf

Coletivo Desentorpecendo A Razão (DAR)

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@coletivodar

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Mais um capítulo do debate sobre maconha medicinal na Folha de S.Paulo

27/09/2010

Depois do Neip enviar uma nota ao jornal Folha de S.Paulo refutando parte da posição de Rafael Guimarães dos Santos, publicada em resposta a polêmica entre neurocientistas e o fundamentalista Ronaldo Laranjeira, agora o próprio Rafael escreveu ao jornal esclarecendo alguns pontos:

“Em artigo recentemente publicado na Folha de São Paulo (Tendências/Debates, 22/09), me expressei mal em vários pontos. Errei ao escrever: “Também causa estranhamento que este grupo de cientistas [Signatários da Carta], que pretendia iluminar o debate com Laranjeira e Marques, tenha ignorado as evidências fornecidas por dados científicos”; o correto teria sido dizer: “não há ainda suficientes estudos clínicos controlados realizados sobre a maconha”. E, em seguida, esclarecer ao leitor leigo que os estudos clínicos controlados são ideais, porém não são a única maneira de se verificar a eficácia terapêutica ou aplicação promissora de uma substância, lembrando também que nem todos os medicamentos atualmente consumidos passam por testes clínicos para seus diversos usos. Existem outros critérios científicos de observação, e esses são especialmente válidos no caso de uma droga proibida, pois devido à situação de ilegalidade é quase impossível realizar estudos clínicos controlados com a maconha in natura. Neste sentido, os Signatários da Carta também estão corretos ao afirmar que existe “evidência científica” de que a maconha tem potenciais terapêuticos para o tratamento da dependência, e que existem evidências antigas do uso medicinal da maconha para o tratamento da asma.

Outro ponto que ficou pouco claro em meu texto diz respeito à maconha medicinal fumada. A inalação da fumaça, como se sabe, pode ser prejudicial à saúde. Mas, faltou esclarecer que em muitos lugares onde o uso medicinal da maconha é aprovado, se enfatiza o uso oral ou sublingual; embora também exista o uso fumado da maconha medicinal, esta prescinde da fumaça e a inalação não é recomendação médica em nenhum lugar.

Por fim, considerando que este embate entre cientistas ocorre num jornal de grande circulação e dentro de um contexto político específico, gostaria de deixar clara minha posição neste importante debate público: é imperativa a realização de mais pesquisas na área; as atuais políticas proibicionistas impedem o avanço da pesquisa cientifica; é fundamental que seja criada uma agência brasileira para estudos e regulamentação dos potenciais terapêuticos da maconha; o uso medicinal e não-medicinal da maconha e de seus derivados deve ser legalizado; são absolutamente injustas as alegações de Laranjeira e Marques de que o grupo dos Signatários da Carta é “anti-científico” e representa um “lobby da maconha”.

Rafael Guimarães dos Santos, Doutorando em Farmacologia pela Universidade Autônoma de Barcelona e Pesquisador do NEIP (www.neip.info)”


Drogas: cresce o movimento antiproibicionista

19/08/2010

ENTREVISTA / Maurício Fiore

Comunidade Segura

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Depois de décadas de pouco ou nulo questionamento à atual política de drogas, cujo eixo é o proibicionismo e a repressão às substâncias psicoativas ilegais, começa a se estruturar no Brasil um movimento antiproibicionista alimentado pela pesquisa científica vinda da Academia e pelo ativismo a favor dos direitos humanos originado nas organizações da sociedade civil.

Para falar sobre o tema, o Comunidade Segura entrevistou Maurício Fiore, que dedica sua carreira à pesquisa sobre consumo de drogas e sobre o debate público das substâncias psicoativas.

Fiore é cientista social e antropólogo e faz parte do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (Neip), que acaba de publicar o livro “Drogas e cultura: novas perspectivas”, no qual Fiore é autor do ensaio “Prazer e risco: uma discussão a respeito dos saberes médicos sobre o uso de drogas”.

Nesta entrevista, Fiore fala sobre os efeitos do estagnação do debate, da monopolização do tema por parte da área médica e explica como esta situação começa a mudar graças à geração de conhecimento tanto no âmbito das ciências naturais, como no das ciências sociais.

Existe no mundo e no Brasil um movimento antiproibicionista consolidado?

Não sei se podemos dizer que já está consolidado, mas acredito que esse movimento existe e está tomando forma em nosso país. Em países desenvolvidos já está mais sólido e tem, inclusive, um apoio financeiro maior de fundações e de grandes nomes, como o de George Soros, entre outros.

Na última conferência mundial da ONU sobre o tema, cujo objetivo era rediscutir a atual política de drogas, houve um debate muito grande…

Eu não estive presente nessa conferência, mas, pelo que sei, as pessoas se articularam para protestar contra o proibicionismo. No entanto, o movimento não teve o impacto desejado e não tem força política suficiente para causar impacto nas convenções da ONU e ainda depende muito dos próprios Estados. Creio que o movimento cresce. Ainda falta que se consolide, mas eu sou otimista.

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Pesquisadores do NEIP discutem drogas e cultura durante lançamento de livro

12/04/2010

Esta é a segunda parte do relato sobre o lançamento do livro Drogas e Cultura: novas perspectivas, lançado dia 23 de março em São Paulo. O debate de alto nível foi composto por alguns dos autores do livro e outros convidados, que expuseram as reflexões de quem há muito se debruça sobre o tema de maneira alternativa ao proibicionismo que parece não só querer impedir o livre decidir sobre nossos corpos como também barrar a reflexão descolada de preconceitos e mistificações. Confiram o relato do DAR, presente no evento.

Apesar de realizado há algum tempinho, é importante registrar que o lançamento do livro Drogas e Cultura: Novas perspectivas, do NEIP e do MinC, não foi marcado apenas pela mesa de abertura na qual FHC defendeu a realização da Marcha ou pelo coquetelzinho do final ou pela apresentação de música do grupo Músicos Reino do Sol. No meio de tudo isso, não podemos deixar de destacar o mais importante, em matéria de conteúdo: a mesa com o pessoal do NEIP e convidados.

Mediada por Maurício Fiore, a mesa contou com Sandra Goulart, Henrique Carneiro, Maurides Ribeiro, Edward McRae e Gê Maruqes, que apresentaram diversos pontos de vista antiproibicionistas. Realizado no clamor das manifestações de ataque a Ayahuasca que tomaram por gancho a trágica morte do cartunista Glauco, o debate contou com inúmeras referências ao assunto, como já logo no início, quando Fiore apontou que “a mesma revista que hoje culpa o daime por todas as questões, colocou em sua capa anos atrás que pessoas cometem crimes e não armas, num momento de tentativa de controle sobre armas”. Não é preciso pensar muito para que se VEJA a má fé e a contradição, já que agora não são pessoas que podem cometer crime utilizando-se do daime, e sim é o próprio o culpado por tudo.

Dai-me luz

Sandra Goulart foi a primeira a falar, e fez uma excelente explicação das origens das religiões ayahuasqueiras, além de um mapeamento de suas práticas atuais. Seu surgimento ocorreu através do contato de seringueiros e grupos indígenas ribeirinhos influenciados por longo período de evangelização. Esse intercambio cultural na Amazônia gerou a religião, que tem tradição 200 ou 300 anos e conta com componentes amazônicos, andinos, cristãos e espíritas. O enfoque varia segundo a região.

Segundo Sandra, a primeira religião ayahuasqueira é o daime, criada pelo Mestre Irineu em 1930 – o termo serve tanto pro culto quanto para a bebida. “Dai-me” é um pedido: “dai-me amor, dai-me luz”. Depois surgem cisões, como a Barquinha e a União do Vegetal (UDV, toodas expressando desenvolvimentos particulares dum mesmo conjunto de crenças e práticas. Leia o resto deste post »


Descriminalizar droga une gestão Lula e FHC

24/03/2010

Folha de São Paulo, 24 de março

Em evento em SP, ministro Juca Ferreira (Cultura) e ex-presidente defendem abandono da abordagem proibicionista

Para ministro, o consumo de drogas não pode ser visto só na dimensão farmacológica; tucano defende corrente de opinião acima dos partidos

HÉLIO SCHWARTSMAN
DA EQUIPE DE ARTICULISTAS

Numa rara convergência entre representantes do governo Lula e tucanos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o atual ministro da Cultura, Juca Ferreira (PV), defenderam juntos a descriminalização das drogas. O pretexto foi o lançamento do livro “Drogas e Cultura: Novas Perspectivas”, organizado por Beatriz Labate e outros e financiado pelo MinC.

Tanto FHC quanto Juca Ferreira enfatizaram que a abordagem proibicionista, a “guerra às drogas”, fracassou e que é necessário mudar o paradigma, retirando o problema da alçada penal e adotando uma abordagem que Ferreira chamou ontem de “biopsicossocial”.
A ideia do ministro é que o consumo de drogas, que existe em praticamente todas as sociedades humanas, não pode ser visto de modo estanque ou apenas em sua dimensão farmacológica. Para ele, as drogas devem ser analisadas no contexto cultural em que ocorrem, o qual pode até mesmo modular os efeitos do fármaco nos indivíduos. Para ele, é preciso valorizar o papel das ciências humanas no estudo das drogas. Leia o resto deste post »


Lançamento de livro e Homenagem a Glauco‏

19/03/2010

Convidamos a todos para o lançamento do livro do NEIP (www.neip.info) “Drogas e Cultura: novas perpectivas”, uma publicação do Ministério da Cultura.

O evento contará com mesas redondas, apresentações musicais e uma homenagem a Glauco Villas Boas, líder daimista recentemente assassinado em São Paulo.

Dia: 23 de março (terça-feira)

Horário: das 15:00hs às 20:00hs

Local: Centro Cultural São Paulo – sala Adoniran Barbosa, São Paulo, SP 

Presenças confirmadas: Juca Ferreira – Ministro de Estado da Cultura; ex- presidente Fernando Henrique Cardoso, Carlos Augusto Calil – Secretário Municipal de Cultura de SP; Jorge da Silva –  Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia e do Fórum Viva Rio; co-organizadores do livro: Edward MacRae, Mauricio Fiore, Sandra Goulart, Henrique Carneiro; o pesquisador do NEIP (www.neip.info)Antonio(Gê)Marques

Apresentação com os músicos Solares do Reino do Sol e Degregadados Filhos de Eva da Porta do Sol.


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