Mudamos de sítio, clique no link abaixo para ler “Maconha: a ciência da legalização” no novo domínio:
http://coletivodar.org/revista-galileu-maconha-a-ciencia-da-legalizacao_2307
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“Me contem, me contem aonde eles se escondem?
atrás de leis que não favorecem vocês
então por que não resolvem de uma vez:
ponham as cartas na mesa e discutam essas leis” Planet Hemp
O seguinte texto inaugura a seção Cartas na mesa, composta apenas por opiniões de leitores do DAR acerca das drogas, de seus efeitos político-sociais e de sua proibição, e também de suas experiências pessoais e relatos sobre a forma com que se relacionam com elas. Vale tudo, em qualquer formato e tamanho, desde que você não esteja aqui para reforçar o proibicionismo! Caso queira ter seu desabafo desentorpecido publicado, envie seu texto para coletivodar@gmail.com e ponha as cartas na mesa para falar sobre drogas com o enfoque que quiser.
Como Erva Daninha: A resistência da cultura cannabica frente aos verdugos e seus lacaios.
Rafael M. Zanatto, especial para o DAR
É com alivio que inicio minhas explanações sobre a cultura cannabica, depois do baixista Pedro Pedrada, da banda de reggae “Ponto de Equilíbrio” encontrar-se em liberdade. O músico, como vós sabeis, se acompanharam o trabalho informativo do movimento nacional “Marcha da Maconha”, havia sido preso por tráfico de drogas. Em sua casa a policia encontrou dezoito pés de maconha que o músico cultivava para satisfazer os ritos de sua religião. Pedrada, praticante do rastafarianismo, foi encaminhado ao 75º DP de Rio do Ouro, RJ. Sendo enquadrado no artigo nº33, de lá, foi transferido para a Polinter em Neves (São Gonçalo). Os mecanismos de repressão do estado fizeram o que mais se esmeram em fazer: exercer sua autoridade ilimitada. Deceparam-lhe os dreadlocks, encarceraram-no e violaram sua dignidade. Muito se fala hoje em alteridade, mas onde esta a alteridade quando o poder homogeneizador do estado bate a porta. Onde estão as várias culturas convivendo em harmonia. Parece-me um discurso que apenas tem fundamento quando não se defronta com a velha prática estatal. Os gestores, em seu papel, fazem da alteridade social apenas mais um a névoa que se dissipa, tão fugazmente quanto à dignidade em uma cela de prisão. O Estado revela-nos a verdadeira face. A violência de seus métodos de contensão, de sua economia, de sua burocracia, faz da apologia do voto em massa o poder que o veste de legitimidade. Em defesa da “vontade geral”, a tecnocracia brasileira promove sua legitimidade, valendo-se de slogans como “Brasil, um país de todos”. Um país de todos que não tem o poder de decisão, não tem vontade própria, não tem respeito para com a diversidade cultural, tampouco com os movimentos sociais. Devemos então chamar a atenção para o inter-relacionamento entre cultura, política e economia. As diferenças culturais dos grupos não devem ser consideradas aparte da economia. No Brasil, ao que parece, a constituição dos grupos que se consolidam a partir da diluição parcial da homogeneidade cultural é essencialmente atravessado pela econômica, que também é cultura, sem deixar de ser economia. Atentemo-nos para a diversidade das vontades e do consumo, considerados essencialmente relacionados aos indicativos socioeconômicos. A cultura é presente, mas não é única ou autônoma, e por esse motivo, as características culturais dos grupos que se afirmam se fazem de modo tão complexo, atravessado pela auto-identificação com seus grupos, que podem ser instantâneos ao passo que sua duração dependerá dos índices de compatibilidade.
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Apreciamos a mobilização civil em benefício da legalização de uma prática cultural. O cultivo da maconha para consumo próprio, tenta ressuscitar a cultura por meio de iniciativas individuais e coletivas, que se formam tanto no cyber espaço, quanto em coletividades de apreciadores. Tentam revolver o que restou da destruição e assimilação dos aspectos estéticos de sua cultura para resgatar um passado perdido. As proibições, as classes médicas e a classe média, que tanto fizeram para combater o uso tradicional do “fumo de Angola”, nome que era vendido nas feiras livres da Bahia, agora penetra em todos os segmentos sociais. Os elementos apreendidos da cultura da maconha, a partir da mutilação de sua forma original, agora se recombinam e dão face a um novo movimento cultural. A resistência à proibição é um de seus importantes elementos. As comunidades de cultivadores individuais, para seu próprio uso, são apenas um dos segmentos deste levante. Noutro plano, observamos a religião rastafári.
Apesar de não dominar o conhecimento para explanar sobre a cultura Rastafari, detenho de algumas leituras que me possibilitam afirmar que em suas raízes e em seu presente, constata-se a presença do teor combativo às formas de repressão. A violação das liberdades por parte do “sistema que constrói as arapucas que você está prestes a cair”, ignora em sua prática, a existência de Marcus Garvey e seu movimento de retorno dos negros para a Mãe África. As profecias previam a chegada do messias, que traria a liberdade para o povo negro. Ele seria o primeiro rei a libertar seu povo do julgo branco. As invasões da Etiópia pelas forças fascistas de Mussolini desencadearam a emergência do príncipe (Rás) Tafari Makonnen e seus seguidores, estabelecendo a resistência. Após combate desigual que se desenrolou por oito meses, o exercito italiano, munido de 200 mil homens, 6 mil metralhadoras, 700 canhões e 150 carros de combate, e gás venenoso, conquistou seu objetivo. Os protestos de Makonnen, agora sob o título de imperador Hailé Sélassie, foram ignorados em Genebra, sede da Liga das Nações. Ignorado como posteriormente foram os poloneses1, com a invasão alemã e soviética, o “Rei dos Reis” e seu povo resistiram nas montanhas de seu país. Os etíopes ainda conservavam em suas lembranças a honrosa vitória sobre os Italianos na batalha de Ádua, em 1886. O rei Menelik III e seu batalhão mal armado de armas cortantes derrotaram as ambições dos colonialistas italianos. A “vendetta” estava em curso. Ao final do conflito, em 1936, com suas forças reduzidas a 10% do inimigo, Hailé Sélassie se exila em Londres. Apenas após a deflagração da II Guerra Mundial, os italianos, pressionados pelas forças britânicas, retiram suas tropas da Etiópia e Sélassie retorna ao seu reino. Dente esses acontecimentos, aliados às pregações de Garvey e os elementos da cultura jamaicana, floresce o rastafarianismo dentro dos limites da Ilha. E Makonnen é Deus, é Jah, o leão de Judá! “Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos”2. Eis a sabedoria, a detenção da chama da liberdade, os segredos que Prometeu, descendente orgulhoso da antiga ordem, contrariou Zeus e ofereceu ao homem. Em carta, Pedrada defende o consumo da maconha, que é feito dentro de rituais religiosos onde se lê a Bíblia e outros textos sagrados. “Lá tocamos tambor no ritmo Nyahbinghi e entoamos hinos de louvor a Deus (Jah) e aos elementos da natureza” Leia o resto deste post »
Depois de duas semanas preso sob a acusação de tráfico de drogas, Pedro, baixista da banda Ponto de Equilíbrio, foi solto na semana passada. A Justiça acolheu a alegação da defesa, de que os pés de maconha encontrados na casa de Pedro eram para consumo pessoal. Sua prisão não é menos absurda do que a dos 86 mil detentos por crimes relacionados à droga no Brasil, mas mostra como nem mesmo a atual lei proibicionista, que prevê a hipócrita e mal definida diferenciação entre traficantes e usuários, é seguida de fato.
O DDD desta semana indica duas músicas relacionados a este momento difícil na vida de Pedro mas importante para a luta antiproibicionista, por trazer à tona o debate sobre a irracionalidade de nossa atual lei, e também por mostrar a maneira tosca como ela é cumprida. Esperamos que o debate não se esgote na demanda por liberdadade para o cultivo de maconha para consumo pessoal, bandeira muito importante mas absolutamente insuficiente para lidar com os profundos impactos do proibicionismo das drogas.
A primeira música indicada é Por cultivar marijuana, da banda argentina de reggae Resistencia Suburbana, e conta a história de um usuário medicinal de maconha preso por conta deste seu hábito, que não se relacionava de maneira alguma com o chamado “crime organizado”. A semelhança existe tanto com o caso de Pedro quanto de José Godoy, também recentemente libertado. Indicamos a seguir Santa kaya, música do disco novo do Ponto de Equilíbrio, que conta um pouco da arbitrariedade da proibição da maconha e clama pela liberação de seus usos medicinal e cerimonial. Seguem os dois vídeos, as letras podem ser conferidas clicando nos nomes das músicas acima.
Pedrada teve barba e cabelos raspados na prisão. Sobre sua primeira “acomodação”, em São Gonçalo, declarou: “A cela tinha cerca de 40 m², 70 presos estavam junto comigo. Passei 5 horas dentro desse ambiente, ainda bem que não cheguei a passar a noite. A condição era lamentável.” Confira a carta que escreveu neste período, divulgada pelo site SRZD.
Veja também Video da MTV com o Pedro, explicando o que aconteceu.
E o video publicado pelo Growroom, do momento que o Pedro é solto!
Irmãos e irmãs de todo o Brasil…
Primeiramente agradeço pela atenção e interesse de todos e peço encarecidamente para que não deixemos essa chama se apagar…
Tudo começou há mais ou menos cinco anos atrás, quando tive meu primeiro pezinho. Na verdade, nunca escondi muito que plantava apesar de ter noção que poderia ser pego por isso. Pelo contrário, me orgulhava por não financiar o tráfico e ainda por cima desfrutar de uma erva com pureza e qualidade sem igual.
Infelizmente o pior aconteceu e fui “flagrado” com minhas plantinhas no meu quintal. Isto ocorreu por uma denúncia de alguém que se incomodou com meu costume e me dedurou para a polícia do 75º DP de Rio do Ouro, fato que me questiono, pois moro em Itaipu (região oceânica de Niterói), área do 81ºDP.
Desde o momento em que fui abordado percebi a finalidade da polícia e não ofereci nenhuma resistência, inclusive permitindo a entrada deles na minha residência. Afinal, quem não deve, não teme.
De lá fui encaminhado para o 75º DP, onde fiquei de molho num depósito cela com chão úmido e péssimo cheiro, com umas motos velhas entulhadas e outro preso para dividir uma cadeira e jornal no chão para deitar. Fiquei lá das 10h até 6h da tarde aguardando o desenrolar da situação.
Durante minha espera a imprensa foi acionada e junto com a perícia se encaminharam até a minha residência. Lá, infelizmente a imprensa invadiu minha propriedade sem permissão da minha esposa que lá estava. Enquanto eles posavam para fotos com as plantas e pareciam se divertir com a situação junto com o pessoal da perícia, minha esposa, para se preservar ficou no quarto chorando e pedindo para imprensa ir embora, sem sucesso.
De volta à delegacia já com meu advogado em ação fui autuado no artigo 33 como traficante. Ironia do destino, logo eu que me orgulhava de não colaborar com o tráfico, estava preso dessa maneira. Leia o resto deste post »
Pedro Caetano, conhecido como “Pedrada”, baixista da banda Ponto de Equilíbrio, foi solto às 21h desta quarta-feira depois de ficar preso por 14 dias, sob acusação de tráfico de drogas. Depois de uma denúncia, a polícia foi até a casa do músico, onde encontrou 10 pés e 8 mudas de maconha. Pedro responderia segundo o artigo 33 que proíbe importar, vender, expor à venda e oferecer drogas ilícitas.
Porém, sua família vinha brigando desde o dia 2 de julho para que o baixista fosse enquadrado no artigo 28, que descriminaliza quem usa, cultiva ou colhe plantas para consumo pessoal. O alvará de soltura chegou no início da noite na Central de Mandatos Criminais na Polinter, e Pedro foi solto às 21h.

Irmão do músico se diz aliviado com notícia
O irmão do artista, Tiago Caetano, tecladista da mesma banda, disse ao SRZD na tarde desta quarta que a notícia é um alívio para a família. “O sentimento aqui na nossa casa é de justiça e grande alívio. Meu irmão não é traficante, e sim um grande músico. Ele planta para consumo próprio”, concluiu. Leia o resto deste post »