DDD (Dica Do DAR) – 40 anos da morte de Jimi Hendrix

19/09/2010

No último dia 18 completaram-se 40 anos da morte de um dos maiores ícones da contracultura, o guitarrista James Marshal Hendrix. Marcando a data, indicamos o download de Jimi Hendrix – A film about, documentário de1973 com aparições ao vivo de Hendrix e depoimentos de Eric Clapton, Lou Reed, Mick Jagger e outros. O Torrent pode ser encontrado aqui.

Indicamos também dois interessantes textos sobre vida e obra do artista. O primeiro é “Uma fender na mão e muita psicodelia na cabeça”, do site Na mira do groove, detalhado texto permeado por alguns vídeos. E abaixo colamos “Uma história da vida de Jimi Hendrix” (do site Do prórpio bolso), de Mário Pacheco, no qual ele conta por exemplo: “A imagem que ficou de Jimi como um super-drogado é mais um dos falsos mitos que nasceram nos anos inquietos da década de 60. A imprensa em geral queria fazer de Hendrix um espantalho para ‘tragédia das drogas’. Os decretadores oficiais de overdoses, pressionaram o médico que o autopsiou para contar uma história de dose excessiva de heroína. O médico não cedeu. ‘Hendrix não tinha marcas nos braços ou em qualquer outra parte do corpo. O remédio que o matou está à venda em qualquer farmácia’”.

Uma história da vida de Jimi Hendrix
(Mário Pacheco)

Além de atordoar as platéias, Hendrix parecia cada vez mais atordoado pelo mundo absurdo em que se locomovia. Excursionando pela Suécia, em janeiro de 1968, Hendrix brigou com os companheiros do Experience, particularmente Noel Redding, quebrando todo o quarto do Hotel Opelan, em Gotemburgo e o caso foi parar na polícia. No dia 4 de janeiro, noticiou-se que ele havia sido detido pela polícia por 12 horas, depois de “danificar seu quarto de hotel”. Fotografias mostravam Jimi de cabeça abaixada, escoltado por dois policiais. Seu passaporte foi apreendido e Jimi passou a noite na cadeia. Mencionou-se que ele estava bêbado. Quando acordou, Jimi se desculpou e para aliviar a barra, concordou em pagar os estragos ($475 libras). Os jornais diziam que ele “estava tocando bateria no quarto, e então quebrou as janelas, espelhos e cadeiras”. Durante a noite, hóspedes e funcionários do hotel ouviram gritos vindos do seu quarto. A polícia afirma que só prendeu Hendrix depois que três de seus colegas tentaram acalmá-lo. Leia o resto deste post »


DDD (Dica Do DAR) – análises etnográficas

05/09/2010

O DDD desta semana traz dois estudo etnográficos. O primeiro, “Da cracolândia aos nóias: percursos etnográficos no bairro da Luz“,  de Heitor Frúgoli Jr, professor do departamento de antropologia – USP, e Enrico Spaggiari, doutorando em antropologia social – USP, foi publicado na  Ponto Urbe (revista do núcleo de antropologia urbana da USP).  O artigo, resultado do acompanhamento do trabalho do Centro de convivência É de Lei, é indicado a todos os interessados em crack, cracolândia e RD.

Já o segundo se trata de uma análise netnográfica. Isso mesmo, o estudo é uma etnografia psiconáutica da internet, especialmente de uma comunidade virtual, a Enteógenos sem dogmas (orkut.com). Assim, “Alquimistas do êxtase”, apresentado por Iago Pereira como monografia de conclusão do curso de Ciências Sociais da UFMG, debruça-se sobre o movimento psicodélico na contracultura e na psiconáutica tomando como objeto de estudo o espaço de convivência social supracitado. 

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DDD (Dica Do DAR) – músicas buena onda

15/08/2010

O DDD desta semana é musical. Para além do debate político dos efeitos sociais e econômicos do proibicionismo das drogas, não podemos deixar de sempre lembrar como a experiência de estados alterados de consciência tem sido historicamente buscada pela humanidade, e pode ser ampliadora de horizontes, relaxante, criativa, reveladora… ou simplesmente divertida. É o que se chama de uso recreativo das drogas, sejam lícitas ou ainda não.

No caso da arte isso não é diferente, e a música é um dos campos em que esta ligação é mais explícita, seja na influência destas experiências na produção das músicas ou na simples recepção do público, que pode navegar de forma diferenciada no som, dependendo do nível de abertura de suas portas da percepção. O DDD desta semana indica três coletâneas de músicas relativas à maconha, e uma lista de 50 discos de rock psicodélico.

Primeiramente indicamos as duas coletâneas do Hempadão, site referência em cultura canábica. O volume um pode ser baixado aqui, e o dois aqui. Se neste temos nomes de peso como Mv Bill, Gil, S.O.J.A. , Planet Hemp e o gênio Peter Tosh, o volume um não fica atrá, e tem desde Mc Catra ao hippão Ventania – sem falar na música composta pela própria galera do Hempadão, a excelente “Se liga secretário”.

Outro disco indicado é a coletânea “Música para fumar Yerba”, que traz Raíces y cultura, Morodo e outros, mas na qual destacamos “No nos quieren”, de Mefe. “Ellos levantan imperios/ellos a costa de esclavos/A nosotros nos basta con el mechero/sentarnos al sofá y fumar marihuana”…O download é neste link (atenção que o arquivo tem senha, contida no próprio link).

Por fim, pra não dizer que só falamos de flores, confiram o especial “Uma viagem pelo rock psicodélico em 50 discos”, do site Viagem a cores. Como aponta a introdução, “A idéia desta lista é resumir a grande transformação que o rock atravessou entre 1966 e 1970. Da psicodelia; do uso de drogas como maconha e LSD como principais fontes de criatividade; do momento mágico chamado Woodstock; até da chegada do Heavy Metal pelas mãos do trio Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple, fato esse que soterrou a alegre psicodelia para mostrar que os anos 70 seriam muito mais sombrios”. Confira clicando aqui.


Cultura pra DAR: Os Beatles e as drogas

14/04/2010

Mudamos de sítio, clique no link abaixo para ler “Os Beatles e as drogas” no novo domínio:

http://coletivodar.org/cultura-pra-dar-os-beatles-e-as-drogas_1270

 


Quem procura Sasha

13/04/2010

Popularizador do ecstasy e criador de 230 psicodélicos, Sasha Sulgin abre a porta de casa

Revista Trip

Sasha com os cactus de seu jardim, que fornecem matéria-prima para  boa parte das pesquisas que desenvolve no laboratório dos fundos de sua  casa

Sasha com os cactus de seu jardim, que fornecem matéria-prima para boa parte das pesquisas que desenvolve no laboratório dos fundos de sua casa

Não é metáfora. Era noite, e eu vagava perdido pelo deserto em um hemisfério longe de casa quando achei o profeta. Não é tão dramático tampouco: era o deserto de Black Rock, Nevada, na primeira madrugada do festival Burning Man. E o profeta, no caso, é um homem sem religião ou doutrina. Mas que, e aqui vai todo o drama, é o papa do meu rebanho: dr. Alexander Shulgin, ou Sasha, para amigos e fãs.

Quando, no meio de 2008, arrumava as malas para vir aos EUA, coloquei muitas expectativas, mas pouquíssimos planos. Um deles era conhecer Sasha Shulgin. Por trás da empreitada de correspondente nos EUA estava a ideia de seguir uma intuição que se confundia com certeza: a de que nos estudos dos estados alterados da consciência eu acharia minha estrada espiritual. Por isso, encontrá-lo era como uma peregrinação sem liturgia. De um monge nada asceta atrás de um mestre que vive… sabe-se lá onde. Não havia templo, montanha ou um mísero e-mail para achá-lo. Estranha, ou adequadamente, a vida o colocou na minha frente.

Eu não tinha a menor ideia do que me esperava no Burning Man. Só sabia que eu tinha que estar lá e ponto. Se meus planos nos EUA envolviam me conectar com a comunidade psicodélica e aprofundar minhas pesquisas, o festival era obrigação. Resumindo o que não é sintetizável: 50 mil pessoas vão a um deserto extremamente seco e hostil para “celebrar a autoexpressão radical” e uma recente, difusa e ainda em gestação espiritualidade americana. Drogas psicodélicas são sacramentos nesse ramadã de freaks.

Eu acabara de deixar o automóvel no meio de uma multidão. Cheguei com uma companheira de trips e viagens, tão deslocada quanto eu, e uma onda de ansiedade nos dominou. Não tínhamos um conhecido por ali nem onde dormir ou comer. Renata, a cara amiga, aponta longe: “Vamos perguntar para aquele ali”. Era um senhor em trajes budistas, dançando em cima de um tablado. Simpático ao extremo, nos levou ao seu acampamento para ver o que podia fazer por nós. Sentado a uma mesa, hospedado no trailer ao lado de nosso guia budista, estava o dr. Shulgin.

Sasha com os cactus de seu jardim, que fornecem matéria-prima para  boa parte das pesquisas que desenvolve no laboratório dos fundos de sua  casa

Sasha com os cactus de seu jardim, que fornecem matéria-prima para boa parte das pesquisas que desenvolve no laboratório dos fundos de sua casa

Pai adotivo do ecstasy
Sasha é um químico e farmacologista que desde o início dos anos 60 se dedica a uma missão: modelar e remodelar compostos psicodélicos como forma de “construir ferramentas para a exploração da consciência”, de acordo com sua definição. Leia o resto deste post »


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